Marcos Lisboa: País protege empresas ineficientes e freia crescimento

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O Brasil mantém um modelo de proteção a empresas ineficientes que, segundo o economista Marcos Lisboa, compromete o crescimento e a produtividade do país. “A gente quer dar regime tributário favorecido para empresas pequenas e médias. Se a empresa quebra, fala-se ‘veja bem, querido, ajuda aqui, não vamos deixar essa empresa fechar porque ela emprega tanta gente’. Tudo bem, é a opção brasileira, mas isso significa que o país vai crescer menos”, afirmou.Lisboa compara a realidade brasileira com a de outros países. “No resto do mundo, mesmo em países com muito Estado, como a França, surgem muitas empresas todo ano, a maioria fracassa, mas algumas crescem, inovam em gestão, tecnologia e produtos. Eventualmente, algumas antigas perdem o bonde da mudança e quebram. Esse é o mundo duro da competição, mas é o mundo que leva aos ganhos de produtividade.”O economista critica a prática de proteger negócios ineficientes.“Cada vez que falam em ajudar e proteger a pequena empresa, falam: tudo bem. Isso é proteger a gripe, a doença, o fracasso. No Brasil, queremos proteger a empresa que não deu certo e matamos os possíveis casos de sucesso. O resultado é uma indústria velha, e o fracasso da indústria brasileira, a meu ver, é responsabilidade dela mesma.”— Marcos Lisboa, economista.O episódio do Outliers Infomoney contou com a apresentação dos hosts Clara Sodré e Fabiano Cintra, que entrevistaram Lisboa sobre políticas públicas, produtividade e lições de economia internacional.Leia tambémArgentina: o que está em jogo para os mercados do país com as eleições do dia 26As eleições do dia 26 são muito mais do que um evento político, representando um teste para a confiança do mercado argentino“Argentina Grande Outra Vez”: Milei aposta em apoio de Trump em eleições no CongressoEleições legislativas deste domingo testarão a força do presidente argentino e definirão se sua agenda liberal sobreviverá a um Congresso fragmentadoAgro: exceção à proteção e foco em produtividadeLisboa destaca o setor agropecuário como exemplo de sucesso no país. “O agro fez o contrário da agenda da indústria tradicional, que buscava fechar a economia, obter subsídios e crédito mais barato, e proibir a competição externa. O agro investiu em gente. A Embrapa formou profissionais nas melhores universidades do mundo para tratar de problemas tecnológicos e gerar ganho de produtividade. Muitas empresas do agro quebraram, mas o setor avançou.”Para o economista, a lição é clara: é impossível buscar ganho de produtividade sem aceitar o fracasso. “Você não pode querer ganhar produtividade protegendo ineficientes. Várias empresas quebraram no agro, e foi isso que gerou desenvolvimento.”Segundo ele, essa mentalidade também se reflete no ensino e na pesquisa econômica nacional. “O pensamento econômico dominante nas universidades brasileiras é muitas vezes simplista, superficial e preconceituoso. Falta evidência empírica, falta ciência útil.”Veja mais: Marcos Lisboa: “Brasil vive cenário de mediocridade, não do apocalipse”E também: EUA têm apagão estatístico e Brasil mostra sinais de desaceleração, diz Megale, da XPExperiências internacionais como referênciaO economista exemplifica modelos bem-sucedidos de desenvolvimento e produtividade no exterior, citando Coreia do Sul, Irlanda, Chile e Austrália. “Na Austrália, no começo dos anos 1980, a produtividade estava ficando para trás. Era um país protecionista, com subsídios e uma indústria fechada. O Partido Trabalhista abriu a economia gradualmente, reformou a política educacional, melhorou a governança e investiu em capital humano. Hoje, a Austrália passou 30 anos sem conhecer recessão.”Lisboa ressalta que políticas públicas não podem servir apenas para proteger empresas, mas sim para incentivar inovação e concorrência. “O Estado é fundamental para pesquisa, inovação e defesa da concorrência, mas não para evitar competição ou conceder benesses. É assim que países saltam em produtividade.”Ele destaca ainda que a abordagem de abrir a economia de forma gradual, com base em evidências, é mais eficaz do que soluções abruptas. “O caso australiano mostra que políticas públicas de longo prazo, transparência e avaliação contínua podem gerar resultados consistentes, diferente do modelo protecionista brasileiro.”Lisboa também cita o Chile e países do sul da Europa, como Portugal e Espanha, que conseguiram melhorar renda per capita e produtividade nas últimas décadas. “São histórias de sucesso que demonstram que mercado e Estado podem coexistir de forma eficaz, se houver estratégia e evidência.”— Marcos Lisboa, economistaThe post Marcos Lisboa: País protege empresas ineficientes e freia crescimento appeared first on InfoMoney.

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