O sucesso no day trade não é puramente a leitura de gráficos e indicadores técnicos – apesar de ser uma parte essencial da fórmula. O controle das emoções e da mente é uma parte imprescindível da operação diária de um trader, ponderam especialistas e profissionais. O tema foi destaque da palestra Mentalidade Trader: O que você perguntaria ao especialista?, realizada nesta sexta-feira (27) na Expert Trader XP. Os traders Guilherme Cardoso, Maria Silveira, Marília Lima detalharam os desafios psicológicos que envolvem a aceitação da perda, o medo da execução e os gatilhos que levam ao descontrole emocional.Leia tambémTraders elevam liquidez e ampliam interesse pela Bolsa, diz Benchimol, da XPA visão foi compartilhada nesta quinta-feira (27), na abertura da primeira edição da Expert Trader XPIndo de ponto a ponto, os três especialistas tocaram em assuntos importantes para a rotina do trader, sendo o primeiro a baixa aceitação da perda. Segundo Silveira, essa dificuldade vem principalmente do ego, de não entender como a perda chegou naquele nível.Ela explica que, no início de sua carreira, houve muito sofrimento por conta do ego e não querer admitir seus próprios erros, mas afirma: “O erro não está no gráfico, mas no trader; se há técnica, é mais fácil aceitar a perda”.Marília Lima, que atua como psicóloga e trader, ressalta que existem perfis que lidam de forma diferente. Na perspectiva da profissional, há quem sofra com ego, mas também quem teve problemas de negligência em outras áreas da vida e que agora, dentro do trading, não conseguem lidar.Leia também: Expert Trader XP começa hoje com imersão, palestrantes internacionais e campeonatoEla destaca que alguns tratam a perda como forma de punição, e quem liga o erro ao fracasso. “No mercado não se pode vincular as duas coisas porque, mesmo fazendo tudo certo, pode ser que você perca mesmo assim”, ressalta.Guilherme, que atuou como moderador da palestra, explica que a perda mexe com a programação instintiva do ser humano: buscar sempre o prazer – algo oposto do que ocorre no trade, pois a dor faz parte do processo.Medo, hesitação e o modo de “luta ou fuga”No ponto “sou medroso e hesito”, Marília identifica dois perfis: o iniciante, que teme o desconhecido pela falta de preparo, e o experiente, que carrega o “medo inimigo” gerado por traumas de perdas passadas. “É preciso encontrar os gatilhos que fazem hesitar”, disse.Em relação ao medo, Silveira prefere o lema de que “todo dia é um novo dia”, um novo trade. Quando há trauma sobre as perdas ou de escolhas ruins, ela destaca que é necessário confiar na técnica. “Nessa visão, você não replica sentimento; o profissional opera se baseando na técnica”, disse.Com o foco na programação instintiva do ser humano, Guilherme destaca: “Como se substitui uma experiência negativa? Por uma melhor. Vou usufruir o resultado do meu trabalho e isso vai gerar prazer”.Leia também: Expert Trader XP: Por que Tom Hougaard é figura diferenciada no universo do tradingQuando as expectativas não são atendidas, o corpo pode entrar em um estado fisiológico de luta ou fuga. Nesse estágio, segundo Marília, o cérebro resgata memórias de comportamentos ruins para consertar o que está acontecendo na hora, ou seja, pode ajudar ou piorar a situação. A psicóloga também reforça que independentemente do estágio que o trader se encontra na jornada, as emoções não desaparecem, mas a intensidade diminui.Certas memórias podem levar ao revenge trading, que é a tentativa desesperada de se vingar do mercado, ou ao congelamento total. Para evitar esse colapso, Silveira sugere objetividade máxima: entrar em cada operação com três certezas pré-definidas: o stop loss, o breakeven e o alvo.Vícios e o uso do psicológico a favorO ponto “vícios operacionais” abriu a discussão de como os vícios vistos no trading podem ser rastreados na vida diária do operador. Segundo Marília, muitos utilizam o mercado como uma forma de compensação emocional, o que pode mascarar transtornos mentais que não devem ser tratados como tabu no setor.Além disso, os especialistas discutiram como os iniciantes enxergam o trading como um jogo, e as próprias plataformas são desenhadas para se tornarem confortáveis e viciantes, em um processo de gamificação que estimula a busca por adrenalina. Marília reforça que para romper com ciclos de overtrading, a solução prática apresentada foi o uso de travas na plataforma. “Se a trava não fosse necessária, não existiria”, disse a especialista, defendendo que a ferramenta serve para modelar o comportamento até que a disciplina se torne natural.Leia também: Expert Trader: Rafi Figueredo explica por que Ralph Acampora é uma lenda do mercadoSilveira reforçou que a saída dos vícios operacionais reside estritamente na técnica. Para ele, o vício muitas vezes é fruto da falta de know-how sobre os motivos que fazem o preço subir ou cair. Quando o trader possui uma configuração operacional clara, a técnica indicará a entrada apenas em momentos específicos, eliminando o impulso de clicar sem base.Para utilizar o psicológico a favor, os palestrantes convergiram para o conceito do trade como um “espelho”. Guilherme destacou que o mercado expõe a melhor e a pior versão de cada um, o que exige um profundo autoconhecimento para lidar com resultados e curvas de aprendizado distintas. Marília finalizou destacando a importância de neutralizar a autocobrança excessiva e o espírito competitivo. Em vez de focar no erro como um fracasso, o foco deve ser a constância e a repetição.The post Medo, hesitação e perdas: como traders podem driblar desafios e potencializar ganhos appeared first on InfoMoney.
