Mercado vê risco no abastecimento de diesel com leilões da Petrobras suspensos

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O cancelamento de leilões de gasolina e diesel da Petrobras nesta semana acendeu um alerta vermelho no mercado, que vê riscos ao abastecimento nacional de combustíveis em meio a um cenário indefinido de estoques e prazo curto para importações, disseram distribuidoras e fontes do setor.Em ofício enviado ao governo e à ANP com o assunto “riscos ao abastecimento nacional”, o sindicato que representa Vibra, Raízen e Ipiranga (Sindicom) pede que sejam tomadas providências para que a Petrobras retome os leilões de combustíveis.Leia tambémDistribuidoras de combustíveis alertam governo brasileiro por riscos ao abastecimentoO Sindicom pediu que sejam tomadas providências para que a Petrobras retome os leilões de diesel e gasolina, que foram ⁠cancelados ‌nesta semanaPetrobras vai subir preços do diesel de novo? Goldman vê espaço para novas altasBanco mantém visão de que a governança atual da Petrobras deve protegê-la de interferências e vê espaço para novos aumentos no curto prazoNo documento, datado de quarta-feira (18), o Sindicom afirma que as distribuidoras têm observado um aumento relevante da demanda por produtos, mas relatam cortes nas cotas de fornecimento e negativa de pedidos adicionais para março e abril por parte da Petrobras.“O cenário global atravessa um dos choques mais severos da história recente, elevando preços e intensificando a disputa internacional por suprimentos”, diz o sindicato em nota, em referência aos efeitos da guerra no Golfo Pérsico, que tem danificado infraestrutura do setor de petróleo e elevado as cotações em razão de interrupções no transporte pelo Estreito de Ormuz.“No plano doméstico, a ausência de diretrizes claras na política de preços e a incerteza quanto ao atendimento integral dos pedidos pela Petrobras — somadas à instabilidade no calendário de leilões e ao cancelamento intempestivo de certames — comprometem severamente a previsibilidade operacional e o planejamento estratégico dos agentes de distribuição”, afirma o documento.O presidente-executivo da Federação Nacional das Distribuidoras de Combustíveis, Gás Natural e Biocombustíveis (Brasilcom), que representa mais de 40 distribuidoras regionais, Abel Leitão, também manifestou preocupação com o abastecimento de diesel, indicando que a defasagem dos preços da Petrobras desincentivou importações.“Ausência de paridade de preços com produtos importados, cortes de pedidos adicionais e suspensão de leilões da Petrobras indicam tensão no abastecimento em meio ao cenário geopolítico”, afirmou Leitão à Reuters.Cerca de 25% do diesel consumido no Brasil é importado.Apesar de ter elevado em 11,6% o preço médio do diesel A (puro) vendido às distribuidoras após a disparada das cotações internacionais de petróleo com os conflitos no Oriente Médio, a petroleira segue comercializando o combustível mais consumido do país abaixo da paridade de importação, o que tem desestimulado a compra do produto por outros agentes.O preço médio do diesel da Petrobras está cerca de 70% abaixo da paridade de importação, segundo cálculos da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom).Sérgio Araujo, presidente da Abicom, afirmou que o cenário de abastecimento para março ainda não causa tanta preocupação, mas que o “line up” de navios de diesel importado para abril está muito “magro”. Ele ponderou, porém, que o quadro ainda pode mudar.Procurados, Petrobras, governo e ANP não responderam de imediato aos pedidos de comentário.Na véspera, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou a jornalistas que a companhia suspendeu os leilões de diesel e gasolina “pela necessidade de reavaliar a todo momento o estoque disponível”. “Para que a gente não entregue tudo num dia e falte no dia seguinte”, disse.Medidas do governo sob críticaEnquanto isso, especialistas e fontes do setor avaliam que as medidas tomadas até agora pelo governo para garantir o abastecimento são ineficazes, por estarem focadas sobretudo no controle de preços.O governo cortou impostos federais sobre combustíveis e lançou um programa de subsídio ao diesel, que ainda precisa ser regulamentado. Nesta semana, passou também a pressionar os Estados para reduzir o ICMS sobre combustíveis.“As medidas do governo de oferecer subsídios — agora tem a discussão de desoneração de ICMS… na nossa visão, é muito mais uma vontade ou um desejo de conter alta de preços, mas são um pouco ineficazes no sentido de evitar falta de produto”, disse o sócio-diretor da Raion Consultoria, Eduardo Oliveira de Melo.Melo afirmou que, nas últimas 72 horas, o cenário se agravou, com clientes que têm contratos de fornecimento — inclusive prestadores de serviços essenciais, como transporte de passageiros — enfrentando cortes de volume e pedidos fracionados.Uma fonte de uma distribuidora disse que o governo parece mais empenhado em criar espaço para a Petrobras reajustar preços sem impactar diretamente o consumidor do que em atacar a raiz do problema.“Essa notícia de que pediram aos Estados para desonerar o ICMS é só para, mais uma vez, salvar a Petrobras, para ela subir o preço”, afirmou essa fonte, ressaltando que há regras que impedem a petroleira de assumir prejuízos para atender a pedidos do governo.Bruno Cordeiro, analista de Inteligência de Mercado da StoneX, afirmou à Reuters que a principal preocupação hoje está concentrada em abril, principalmente por causa da mudança de rota de navios que estavam vindo ao Brasil, mas passaram a priorizar mercados que pagam mais.“(A defasagem dos preços) acaba dificultando a internação do derivado em um período em que temos a colheita da soja…”, disse Cordeiro.Por causa do período de safra e da maior demanda, há “um receio de que a gente veja disrupções regionais causadas por esse cenário de menos diesel chegando ao Brasil no próximo mês”, acrescentou.The post Mercado vê risco no abastecimento de diesel com leilões da Petrobras suspensos appeared first on InfoMoney.

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