“Não se vende Bitcoin”: analistas falam em oportunidade, mas alertam para timing

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O Bitcoin segue no centro do debate entre investidores e especialistas, em meio a um cenário global marcado por incertezas geopolíticas, inflação e transformações no sistema financeiro. Para Alexandre Stormer, trader e sócio-fundador da Liberta, o ativo deve ser encarado como uma posição estratégica de longo prazo dentro da carteira.“Vender Bitcoin, para mim, é algo que simplesmente não se faz. É um dos ativos mais importantes para a composição de uma carteira equilibrada no mundo de hoje”, afirmou o especialista durante painel no evento Expert Trader XP, realizado no Transamerica Expo Center, em São Paulo.Leia também: Expert Trader tem torneio de trading e carro zero Km; veja primeiros finalistasSegundo Stormer, o momento atual do mercado indica uma fase de acumulação por parte de investidores institucionais, enquanto pessoas físicas têm reduzido exposição. “O institucional passou o ano inteiro comprando mais Bitcoin, enquanto o varejo foi vendendo. Isso costuma anteceder movimentos de alta”, explica.Na leitura do trader, o ativo pode ainda permanecer lateralizado no curto prazo, mas com potencial de retomada ao longo do ciclo. “A gente está em uma fase de base. Esse movimento pode anteceder uma nova pernada de alta, possivelmente a partir do fim do ano”, disse.Leia Mais: Fim do petrodólar? Bitcoin surge como peça-chave na nova disputa econômicaTrader em Bitcoin de curtíssimo prazo é cemitérioApesar da perspectiva positiva, Stormer faz um alerta para investidores de curto prazo, destacando a complexidade e a volatilidade do ativo. “O Bitcoin é, provavelmente, o gráfico mais difícil do mundo para operar. Fazer trade de curtíssimo prazo nele é pedir para perder dinheiro rápido”, pontua.Para o trader, a abordagem mais consistente passa por estratégias de acumulação gradual, como o dollar cost averaging (DCA). “A maneira mais inteligente de operar Bitcoin é comprar aos poucos, principalmente em momentos de queda, construindo preço médio.”Leia também: IA e traders: ameaça ou aliada? Veja como aproveitar na prática a tecnologiaBitcoin será reserva de valor global?Guilherme Gomes, CEO da Orange BTC, reforça essa visão estrutural e afirma que o Bitcoin ainda é um ativo pouco compreendido pelo mercado. “É um dos melhores ativos que existem hoje, mas ainda extremamente mal entendido pela maioria dos investidores”, disse.Com uma visão mais convicta, ele afirma que concentra grande parte de seu portfólio no ativo. “Converti praticamente todo o meu portfólio para Bitcoin ao longo dos anos, baseado na tese de que ele tende a se consolidar como reserva de valor global”, afirmou.Gomes também destacou a escassez programada como um dos principais diferenciais do ativo. “O Bitcoin tem um limite de 21 milhões de unidades. E, na prática, esse número pode ser ainda menor, considerando moedas perdidas”, explicou.Além disso, o executivo aponta que a integração do Bitcoin ao sistema financeiro tradicional não compromete sua essência. “Mesmo com ETFs, derivativos e novos instrumentos, a oferta continua limitada”.Leia Mais: Bitcoin surpreende como oásis de calma enquanto guerra do Irã abala mercadosQual melhor forma de ter a criptomoeda?Além das discussões sobre preço e ciclo de mercado, o debate também avançou para um ponto prático para investidores: as diferentes formas de exposição ao Bitcoin e seus riscos. Para Gomes, entender onde e como manter o ativo é tão importante quanto decidir comprá-lo.Segundo ele, a forma mais “pura” de possuir Bitcoin é por meio da custódia própria, em cold storage — modelo que segue o desenho original do protocolo. “Quando você tem o Bitcoin em custódia própria, você elimina riscos de terceiros, como banco, corretora ou qualquer intermediário”, explicou.Leia também: “Trade mais difícil é o certo”, diz Tom Hougaard, autor de O Melhor Perdedor VenceEssa estrutura, no entanto, exige maior responsabilidade do investidor. Isso porque o controle dos ativos passa a depender exclusivamente das chaves privadas, que precisam ser armazenadas com segurança. Ainda assim, Gomes destaca que essa modalidade oferece uma vantagem relevante em cenários extremos. “Com 12 ou 24 palavras, você consegue acessar seu patrimônio de qualquer lugar do mundo, sem depender de instituições”, afirmou.Por outro lado, o executivo reconhece que nem todos os investidores estão dispostos ou preparados para esse nível de autonomia. Nesse contexto, surgem alternativas como ETFs e outros instrumentos financeiros.“Quando você investe via ETF, você está comprando exposição ao preço, mas abre mão da custódia direta. Em troca, assume riscos ligados ao custodiante e às instituições envolvidas”, disse. A escolha entre as modalidades, segundo ele, depende do perfil do investidor, do nível de conhecimento e da tolerância a risco.Leia Mais: Startups: Engie quer minerar Bitcoin em usina solar no BrasilThe post “Não se vende Bitcoin”: analistas falam em oportunidade, mas alertam para timing appeared first on InfoMoney.

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