Nova diretriz de hipertensão arterial: Brasil segue Europa e EUA e muda valores

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A Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), a Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN) e a Sociedade Brasileira de Hipertensão (SBH) divulgaram, nesta quinta-feira, novas diretrizes para diagnóstico de hipertensão arterial no país.Com as mudanças, a pressão a partir de 12 por 8 (120 mmHg sistólica e/ou 70 mmHg diastólica) passa a ser considerada um quadro de pré-hipertensão, de alerta para os médicos. Já a hipertensão arterial oficial segue sendo a partir de 14 por 9 (140 mmHg sistólica e/ou 90 mmHg diastólica).Segundo o documento, “essas alterações buscam identificar precocemente indivíduos em risco e incentivar intervenções mais proativas para prevenir a progressão para hipertensão arterial”.Leia tambémSTF forma maioria para restringir cobertura fora do rol da ANS por planos de saúdeMinistros mantêm rol exemplificativo, mas estabelecem cinco requisitos para autorizar custeio de procedimentos não listados, buscando equilibrar acesso à saúde e sustentabilidade do sistemaNessa etapa, ainda não são necessários medicamentos, mas sim mudanças de estilo de vida, como não fumar, ter hábitos alimentares saudáveis, perder peso para o IMC ficar entre 18 e 24 kg/m2, reduzir ingesta de sal e aumentar a de potássio, realizar atividade física, diminuir o consumo de álcool e controlar o estresse.No entanto, se o paciente pré-hipertenso já estiver com a pressão acima de 13 por 8, tiver alto risco cardiovascular e não conseguir controlá-la com três meses de mudanças nos hábitos, os remédios passam a ser indicados. O objetivo geral é que todos os pacientes estejam sempre com a pressão abaixo de 13 por 8, independentemente da idade ou de doenças associadas.As novas diretrizes acompanham mudanças semelhantes feitas na Europa e nos Estados Unidos. No ano passado, a Sociedade Europeia de Cardiologia (ESC, da sigla em inglês) definiu que uma pressão a partir de 12 por 7 passava a integrar uma categoria nova chamada de “pressão elevada”, que vem antes da hipertensão propriamente dita. A classificação já era utilizada nos EUA desde 2017.As alterações seguem evidências científicas mais recentes que mostraram que os efeitos na saúde dos diferentes valores que antes englobavam a faixa considerada “normal” não eram iguais. Um aumento da pressão, ainda que não suficiente para ser diagnosticado como hipertensão, já é associado a maiores riscos à saúde e pode se beneficiar de um tratamento.O especialista do Instituto Nacional de Prevenção e Saúde Cardiovascular da Irlanda, John William McEvoy, autor das novas diretrizes europeias, resumiu na época que a mudança serve “para refletir que o risco de doenças cardiovasculares atribuível à pressão alta está em uma escala de exposição contínua, e não é uma escala binária de normotensão (pressão normal) versus hipertensão”.Em 2023, a Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou um primeiro grande relatório sobre hipertensão e apontou que 1 a cada 3 adultos no planeta tem pressão alta, porém metade não sabe e somente 1 a cada 5 segue o tratamento adequado. No Brasil, a situação é um pouco melhor: embora uma parcela maior da população adulta tenha hipertensão (45%), 62% dos pacientes realizam o tratamento.De acordo com o Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, o Brasil registrou 365.952 mortes por doenças do aparelho circulatório em 2024. Segundo as estimativas da OMS, 54% desses óbitos são atribuíveis à pressão alta como principal fator de risco.The post Nova diretriz de hipertensão arterial: Brasil segue Europa e EUA e muda valores appeared first on InfoMoney.

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