A Novo Nordisk afirmou que suas vendas vão cair neste ano, à medida que seus produtos campeões de venda, Ozempic e Wegovy, enfrentam uma concorrência cada vez mais intensa e a empresa é impactada pelo movimento do governo dos EUA para reduzir os preços de medicamentos.As vendas provavelmente cairão de 5% a 13%, disse a farmacêutica dinamarquesa em uma divulgação antecipada de seus resultados, que estavam programados para quarta-feira. Analistas esperavam uma queda de 1,4% a taxas de câmbio constantes.Leia tambémTemporada de balanços do 4T25 em destaque: veja ações e setores para ficar de olhoExpectativa geral é de alta nos principais indicadores, mostrando resiliência das companhias da B3Ibovespa Hoje Ao Vivo: Bolsa sobe acima de 1%, após novo recorde históricoBolsas dos EUA desabam em dia de aversão às ações de tecnologiaOs recibos de ações (ADRs) da Novo nos EUA despencaram até 15%, a maior queda intradiária desde 29 de julho. As ações listadas em Copenhague haviam subido 13% neste ano até o fechamento de terça-feira.A perspectiva surpreendentemente pessimista aprofunda os desafios do novo CEO, Mike Doustdar, que tem avançado com cortes de vagas e tentado implementar uma cultura mais orientada a desempenho na Novo, depois que a empresa perdeu a liderança inicial no mercado de tratamentos revolucionários para perda de peso — que gerou bilhões de dólares em vendas e atraiu concorrência crescente.“Embora hoje você veja crescimento negativo nos números financeiros, eu vejo muito crescimento positivo do outro lado do negócio”, disse Doustdar à Bloomberg TV, destacando o sucesso do lançamento recente do Wegovy em comprimido. Ele afirmou que o principal objetivo da Novo agora é manter o foco na transformação e avançar o pipeline.Mudanças na gestão já estão em andamento: Dave Moore, que comandou o negócio nos EUA por um ano, está deixando o cargo e será substituído por Jamey Millar, atualmente no UnitedHealth Group e que também já trabalhou na GSK. A Novo também nomeou Hong Chow para liderar a estratégia de produtos e portfólio a partir de 15 de fevereiro. Mais recentemente, ela comandou os negócios na China e internacional da Merck Healthcare, parte da Merck, na Alemanha.As vendas anuais da Novo caíram pela última vez em 2017, em meio a uma guerra de preços da insulina nos EUA. A empresa tenta se defender em várias frentes: a rival Eli Lilly & Co. vem assumindo a liderança no mercado americano com o Zepbound, e cópias genéricas do Ozempic devem surgir em mercados internacionais ainda neste ano.Analistas já esperavam uma projeção conservadora e queda de vendas, mas a magnitude da possível retração é maior do que se previa. A Novo afirmou que, embora o mercado global de GLP-1 deva crescer neste ano — com maior alcance de pacientes e volumes mais altos —, preços efetivamente realizados mais baixos, incluindo a pressão do presidente dos EUA Donald Trump por maior igualdade de preços entre EUA e Europa, devem prejudicar a receita. A perda de exclusividade da semaglutida em vários países também afetará as vendas, disse a empresa.“Eu não acho que nem o analista de ações mais cético tivesse antecipado uma queda de 5% a 13% na receita”, disse Lars Hytting, chefe de trading da ArthaScope, investidora da Novo, em entrevista. “Isso realmente pinta um retrato de uma Novo sob pressão.”A Novo será impactada por preços mais baixos nos EUA, mas isso deve ajudar mais pacientes a acessar seus produtos, disse o CFO da companhia, Karsten Munk Knudsen, em entrevista. “Pode-se dizer que é dor de curto prazo para ganho de longo prazo, mas, claro, precisamos mostrar nos próximos anos que, então, expandimos o mercado na mesma proporção”, afirmou.Uma versão em comprimido do blockbuster Wegovy, para obesidade, alimentou algum otimismo neste ano. O comprimido teve um “começo muito bom”, com mais de 170 mil pacientes iniciando o tratamento desde o lançamento, segundo Knudsen. “É o lançamento mais forte deste mercado de todos os tempos”, disse.Em vez de canibalizar as vendas das injeções, Knudsen afirmou que, pelos dados iniciais da Novo, mais de 80% dos pacientes são novos no tratamento com GLP-1. “Vemos uma troca muito limitada a partir de outros compostos de GLP-1”, disse ele. “Mas, novamente, ainda é cedo. Eu diria que nossa estratégia abrangente é expandir os mercados.”A Novo informou na terça-feira que iniciará um novo programa de recompra de ações de até 15 bilhões de coroas dinamarquesas (US$ 2,4 bilhões).© 2026 Bloomberg L.P.The post Novo Nordisk alerta para queda nas vendas e derruba ADRs em Nova York appeared first on InfoMoney.
