Nvidia projeta US$ 1 tri em chips de IA até 2027 e amplia ofensiva contra rivais

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A Nvidia Corp., empresa no centro da explosiva expansão da computação voltada à inteligência artificial, projeta gerar pelo menos US$ 1 trilhão com os chips Blackwell e Rubin até o fim de 2027.A companhia havia estimado anteriormente que esses chips renderiam US$ 500 bilhões em vendas até o fim de 2026. A nova projeção, apresentada pelo diretor-executivo Jensen Huang durante o evento GTC, estende o horizonte em mais um ano.A previsão reforça a dimensão do negócio da Nvidia, impulsionado pela demanda por chips usados para desenvolver e operar modelos de inteligência artificial. Ainda assim, o número acumulado não indica uma aceleração extraordinária no ritmo de crescimento das vendas.As ações da empresa chegaram a subir até 4,8% durante o pregão de segunda-feira (16), mas reduziram parte dos ganhos ao longo do dia. Os papéis fecharam em alta de 1,6%, a US$ 183,19, em Nova York.Durante o GTC, encontro anual que reúne grandes públicos em San Jose, na Califórnia, a Nvidia também apresentou novos produtos. A empresa anunciou a inclusão de um chip desenvolvido com tecnologia adquirida da startup Groq, iniciativa que, segundo a companhia, deve aumentar a velocidade de resposta de sistemas de inteligência artificial.Leia tambémCripto da família Trump oferece “acesso direto” por uma compra de US$ 5 milhõesPor esse valor, a World Liberty Financial vai oferecer acesso à equipe do projeto liderado por filhos do presidente americanoBitcoin sobe a máxima de 6 semanas com fluxo e nova compra bilionária da StrategyCriptomoeda chegou a tocar US$ 74 mil, também apoiada por uma sessão mais positiva para ativos de riscoA Nvidia também revelou um computador baseado em CPUs de uso geral (unidades centrais de processamento), marcando uma nova expansão em um segmento historicamente dominado pela Intel Corp. Segundo Huang, a oportunidade no mercado de CPUs representa “com certeza” um negócio multibilionário.O lançamento de produtos no GTC faz parte da estratégia da Nvidia de promover a computação em inteligência artificial e manter a fidelidade dos clientes à sua tecnologia. A empresa utiliza o evento para anunciar parcerias com companhias de diversos setores, buscando demonstrar os ganhos crescentes proporcionados pela IA.“A demanda por computação aumentou 1 milhão de vezes nos últimos dois anos”, disse Huang durante o evento. “Essa é a sensação que todos nós temos. É a sensação que toda startup tem.”Uma onda de investimentos em chips voltados à inteligência artificial transformou a Nvidia na empresa mais valiosa do mundo. Ainda assim, investidores vêm buscando evidências de que o crescimento desse mercado seguirá forte.A companhia também enfrenta competição crescente, tanto de rivais como a Advanced Micro Devices (AMD) quanto de clientes que passaram a desenvolver chips próprios para aplicações de IA.Nos últimos anos, a Nvidia acelerou o desenvolvimento de sua tecnologia. A empresa tenta renovar toda a sua linha de produtos anualmente, enquanto adiciona novos componentes ao portfólio.O próximo design de seus principais processadores de inteligência artificial, previsto para aparecer em sistemas no segundo semestre de 2026, se chama Vera Rubin. A linha recebeu esse nome em homenagem à astrônoma pioneira cujas observações ajudaram a comprovar a existência da matéria escura.Embora continue registrando um crescimento de vendas invejado pela indústria de semicondutores, a valorização das ações da Nvidia perdeu força nos últimos meses. Antes da apresentação no GTC, os papéis acumulavam queda de 3,4% no ano, deixando o valor de mercado da companhia ainda assim em US$ 4,4 trilhões, sem rivais no ranking global.Durante o evento, Huang também anunciou que o Groq 3 LPU passará a integrar o catálogo de produtos da Nvidia. Um LPU (Language Processing Unit) é um chip especializado em acelerar a inferência de grandes modelos de linguagem, processo responsável por gerar respostas a comandos de inteligência artificial.Esses semicondutores contam com memória rápida integrada, o que permite gerar texto quase instantaneamente. A Nvidia oferecerá o chip como coprocessador, complementando o trabalho realizado por seus aceleradores tradicionais, que são mais eficientes em tarefas complexas e com múltiplas etapas.Em dezembro, a Nvidia anunciou um acordo de licenciamento tecnológico com a Groq, que lhe garantiu o direito de usar determinadas tecnologias e projetos da startup. Embora a empresa continue existindo, seus fundadores e grande parte da equipe de engenharia passaram a integrar a Nvidia em uma operação que, na prática, funcionou como uma aquisição.A Nvidia acelerou o trabalho de engenharia iniciado pela Groq para levar o produto ao mercado mais rapidamente. O chip será fabricado pela Samsung Electronics, e os sistemas baseados nessa tecnologia devem chegar no segundo semestre, segundo Huang.A fabricante também afirmou que seu próximo processador, Vera, terá desempenho superior ao das CPUs anteriores. À medida que os data centers voltados à inteligência artificial se tornam mais complexos, cresce a importância da coordenação entre diferentes tipos de computadores e softwares — função tradicionalmente desempenhada pelas CPUs.Segundo a Nvidia, o Vera reunirá características de CPUs usadas em data centers, computadores para jogos e laptops. O chip será capaz de lidar com múltiplas entradas simultaneamente, além de processar rapidamente tarefas complexas individuais. A empresa também afirma que o novo processador consumirá menos energia.A companhia pretende ainda começar a vender computadores formados exclusivamente por CPUs, uma nova abordagem para a fabricante de chips. Essas máquinas poderão funcionar em conjunto com outros sistemas da Nvidia ou operar de forma independente.A empresa expandiu sua atuação além das tradicionais GPUs (unidades de processamento gráfico), usadas para treinar e executar softwares de inteligência artificial. Hoje, a Nvidia oferece sistemas completos de computação, incluindo processadores, redes e softwares.A fabricante também disponibiliza modelos de inteligência artificial e outras ferramentas de software em código aberto, permitindo que clientes adaptem a tecnologia conforme suas necessidades. A companhia ainda cria versões específicas para determinados setores, buscando acelerar a adoção de IA em áreas que considera promissoras para transformação.A Nvidia entrou no mercado de computação para data centers oferecendo versões adaptadas de seus chips gráficos para acelerar certos tipos de processamento. Com o tempo, esse tipo de chip passou a superar o domínio tradicional das CPUs vendidas por Intel e AMD.Apesar de ter se tornado de longe a maior fornecedora de chips usados em data centers, o amadurecimento do software tem levado muitas empresas a considerar o uso de CPUs para executar serviços de IA já treinados nos aceleradores especializados.As CPUs costumam ser mais baratas, versáteis e menos intensivas em consumo de energia, o que as torna atrativas para determinadas aplicações.Até agora, a Nvidia oferecia suas CPUs apenas integradas a outros chips da própria empresa. Em um acordo recente com a Meta Platforms, a companhia indicou que está pronta para vender seus processadores como produtos independentes.Uma oferta mais ampla de CPUs pela Nvidia pode representar mais um desafio para a Intel, em um de seus mercados mais lucrativos. Ao mesmo tempo, aumenta a concorrência para iniciativas internas de empresas como a Amazon, que desenvolve a linha de chips Graviton.O SoftBank e sua afiliada Arm Holdings também vêm ampliando sua atuação nesse segmento. Embora a Arm possa se beneficiar da entrada da Nvidia nesse mercado — já que licencia tecnologia para a empresa — essa receita pode ser menor do que a obtida com a venda direta de seus próprios projetos e chips.© 2026 Bloomberg L.P.The post Nvidia projeta US$ 1 tri em chips de IA até 2027 e amplia ofensiva contra rivais appeared first on InfoMoney.

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