O que vem depois da dívida global recorde e da guerra tecnológica? CIOs respondem

Blog

O cenário econômico mundial atravessa um período de grande desconforto. Dívidas crescentes, juros mais altos e transformações tecnológicas aceleradas estão reconfigurando a forma como governos, empresas e investidores se posicionam. Esse foi o tom central da conversa entre Artur Wichmann, CIO da XP Inc., e Eduardo Camara Lopes, CIO da Jubarte Capital, no podcast Outliers InfoMoney, gravado durante a Expert XP 2025.Os especialistas alertaram para o peso da herança econômica deixada para as próximas gerações. “Nós quebramos o pacto entre as gerações. Estamos vivendo uma vida que será paga pelos nossos filhos e netos”, afirmou Lopes, destacando que os níveis de endividamento global se tornaram insustentáveis após a pandemia.A percepção de que a economia vive sob uma tensão permanente é reforçada, ainda, por outros fatores. Para Lopes, além da dívida crescente, a velocidade da inovação tecnológica está acima da capacidade de adaptação das sociedades. “A cada nova regulação, surge uma nova disrupção. Quando entendemos o Uber, já chegou o carro sem motorista. A sociedade não consegue acompanhar esse ritmo.”— Eduardo Camara Lopes, CIO da Jubarte CapitalLeia mais: “Investir no que se conhece é uma das chaves para grandes retornos”, diz BartunekE também: Com Trump, papel do dólar como reserva global entra em xeque, alerta gestor da VerdeJuros altos, dólar em xeque e a nova revolução industrialWichmann endossou a leitura e acrescentou que o momento atual combina dois elementos explosivos: endividamento elevado e juros mais altos do que no período pós-crise de 2008. “Antes da crise financeira, tínhamos juros altos, mas dívida baixa. Agora, temos dívida alta com juros também elevados. Esse é o primeiro grande desafio.”— Artur Wichmann, CIO da XP Inc.O CIO da XP lembrou ainda que o dólar passou a ser usado como arma geopolítica, levantando questionamentos sobre sua posição como ativo de refúgio global. “O mundo está discutindo qual é o novo ativo livre de risco. O questionamento ao dólar é real”, afirmou.A terceira transformação apontada por Wichmann diz respeito ao impacto tecnológico, comparável às revoluções industriais passadas, mas em velocidade inédita. “Quando escrevermos a história do século XXI, haverá um capítulo inteiro sobre essa revolução tecnológica, que vai criar grandes vencedores e perdedores”, avaliou.Para ambos, a única saída possível para equilibrar as contas deixadas para o futuro seria um choque positivo de produtividade. “Essa conta só é pagável se nossos netos forem muito mais produtivos. Caso contrário, a sociedade inteira terá de dar um calote”, disse Lopes.Os três pilares da alocação de portfólioNo campo prático dos investimentos, Wichmann defendeu três pilares para qualquer portfólio atual: proteção contra a inflação, aproveitamento dos juros nominais altos no Brasil e diversificação internacional. “A inflação é o maior destruidor de valor do investidor ao longo do tempo. O apartamento de quatro quartos vira de três, depois de dois. Proteger-se dela é essencial.”— Artur Wichmann, CIO da XP Inc.Ele destacou ainda que a diversificação internacional não se trata apenas de reduzir exposição ao risco Brasil, mas de acessar oportunidades em tecnologia e outras transformações globais.Lopes reforçou a visão e acrescentou que, dentro do mercado brasileiro, todos os ativos tendem a ser altamente correlacionados, o que limita a diversificação local. “Quando olhamos o ciclo de prêmio de risco no Brasil, vemos que todos os ativos andam juntos. Não há como se proteger só olhando para dentro. A diversificação internacional é indispensável.”— Eduardo Camara Lopes, CIO da Jubarte CapitalSegundo ele, a lógica da alocação também mudou: deixou de ser predominantemente geográfica para se tornar temática. “Tecnologia, geopolítica, demografia e transição climática são temas que guiam o fluxo global de capital. O Brasil tem vantagem em alguns deles, como segurança alimentar, transição energética e minerais críticos”, disse.O papel da renda fixa e a visão do investidor estrangeiroA discussão avançou para o protagonismo da renda fixa no Brasil, que segue atraindo capital local com retornos de dois dígitos. Mas será que essa alocação não foi excessiva? E por que investidores estrangeiros não aproveitam a mesma oportunidade?“O CDI parece muito atraente até você compará-lo com o S&P. Nos últimos dez anos, o retorno do CDI em dólar foi de menos de 4% ao ano. Enquanto isso, o S&P saiu do pior momento da crise e multiplicou valor com empresas inovadoras e disruptivas.”— Artur Wichmann, CIO da XP Inc.Lopes acrescentou que a questão cambial também pesa. “Quando o investidor estrangeiro entra, fica exposto ao real. Já vimos o câmbio sair de R$ 2,50 para R$ 6,00 e depois voltar para R$ 2,00. Essa volatilidade reduz o apetite pelo Brasil”, explicou.Para atrair capital internacional, os especialistas defendem que o país deve apostar em setores estratégicos. “A renda variável que importa para o estrangeiro é a americana. O que o Brasil pode oferecer de fato são ativos onde joga na primeira divisão, como infraestrutura agrícola, segurança alimentar e transição energética”, concluiu Lopes.The post O que vem depois da dívida global recorde e da guerra tecnológica? CIOs respondem appeared first on InfoMoney.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *