O tráfego de navios pelo Estreito de Ormuz ficou bem abaixo de 10% do volume normal nesta quinta-feira, apesar do cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã, enquanto Teerã reafirmava seu controle, alertando os navios para que se mantivessem em suas águas territoriais.Centenas de petroleiros e outros navios estão presos no Golfo Pérsico desde o início da guerra com o Irã, em 28 de fevereiro, reduzindo o fornecimento global de petróleo em 20%, na maior interrupção de abastecimento da história.Leia tambémPaíses da UE se comprometem a ajudar na liberação de Ormuz, se necessárioO secretário-geral da Otan, Mark Rutte, confirmou nesta quinta-feira (9) que a aliança está disposta a desempenhar um papel em uma eventual missão no estreitoMojtaba Khamenei diz que Irã não busca guerra e promete nova fase na gestão de OrmuzKhamenei reiterou que o país exigirá compensação de Estados Unidos e Israel pelos danos causados em território iraniano durante os recentes confrontosOs preços de alguns tipos de petróleo atingiram novos recordes históricos nesta quinta-feira, enquanto a crise mostrava poucos sinais de arrefecimento.Apenas sete navios atravessaram o estreito nas últimas 24 horas, em comparação com os cerca de 140 habituais, segundo dados de rastreamento.Entre os navios afetados, estavam um petroleiro e seis graneleiros, segundo dados da Kpler, Lloyd’s List Intelligence e Signal Ocean.Um navio-tanque químico estava prestes a cruzar a fronteira com a Índia, indicavam os dados de rastreamento de navios nas plataformas MarineTraffic e Pole Star Global.‘A maioria das companhias de navegação provavelmente continuará cautelosa, e duas semanas não serão suficientes para eliminar o acúmulo de encomendas, mesmo que haja um aumento significativo no tráfego’, disse Torbjorn Soltvedt, da empresa de inteligência de risco Verisk Maplecroft.A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã orientou as embarcações a navegarem pelas águas iranianas ao redor da Ilha de Larak para evitar o risco de minas navais nas rotas habituais pelo estreito, informou a agência de notícias semioficial iraniana Tasnim nesta quinta-feira.As embarcações deverão entrar no estreito ao norte da Ilha Larak e sair logo ao sul, até novo aviso, em coordenação com a marinha da Guarda Revolucionária, informou a Tasnim.A empresa britânica de segurança marítima Ambrey afirmou, em um comunicado, que os riscos persistem para navios não autorizados pelo Irã, especialmente aqueles afiliados a Israel e aos EUA.‘Mesmo remessas com aprovação aparente foram devolvidas no meio do transporte nas últimas semanas’, afirmou.PEDÁGIOS E CRIPTOMOEDASNotícias veiculadas pela mídia sugerem que o Irã pode querer cobrar um pedágio dos navios que passam pela região, com alguns estimando o valor em US$2 milhões. Dados de rastreamento de navios mostram que algumas embarcações já estão utilizando a rota incomum ao redor da Ilha de Larak.Os líderes ocidentais, porém, rejeitaram a ideia de pagar tais taxas.Recentemente, um navio-tanque de GLP da Pine Gas, com bandeira indiana, fez uma rota incomum ao redor da Ilha Larak para sair do Golfo.A empresa não pagou ao Irã nenhuma taxa de trânsito e a embarcação não foi abordada pela Guarda Revolucionária Islâmica, disse à Reuters seu diretor-executivo, Sohan Lal.A agência de navegação da ONU, a Organização Marítima Internacional, afirmou que não existe nenhum acordo que permita a implementação de taxas para a travessia de estreitos internacionais.‘Qualquer cobrança desse tipo criará um precedente perigoso’, disse um porta-voz da organização nesta quinta-feira.O Irã exigirá o pagamento de pedágios em criptomoedas para manter o controle sobre o Estreito de Ormuz durante o cessar-fogo de duas semanas, segundo declarações de Hamid Hosseini, porta-voz da União dos Exportadores de Petróleo, Gás e Produtos Petroquímicos do Irã, publicadas na quarta-feira pelo jornal Financial Times.A Mitsui OSK Lines, uma das três maiores empresas de transporte marítimo do Japão, conseguiu retirar três navios-tanque do estreito nos últimos dias.A empresa aguarda orientações do governo japonês sobre como proceder durante o cessar-fogo de duas semanas, disse à Reuters seu presidente e CEO, Jotaro Tamura, nesta quinta-feira.A Índia concedeu isenções para permitir a entrada em seus portos de duas cargas iranianas, uma a bordo de um petroleiro mais antigo e outra sujeita a sanções, disseram nesta quinta-feira dois funcionários familiarizados com o assunto.Entre os navios, havia um carregado com GLP, usado para cozinhar. A Índia enfrenta sua pior crise de gás em décadas e implementou o racionamento para garantir o abastecimento das residências.Os Estados Unidos emitiram uma isenção surpresa às exportações de petróleo iranianas no mês passado, que deve terminar em 19 de abril, numa tentativa de apoiar o fornecimento global e aliviar o aumento dos preços dos combustíveis.Desde 28 de fevereiro, pelo menos 23 petroleiros com bandeira iraniana chegaram à Ásia, mantendo o ritmo dos níveis pré-guerra, de acordo com o grupo de defesa dos direitos humanos United Against Nuclear Iran, dos EUA, que monitora o tráfego relacionado ao Irã.The post Ormuz está quase paralisado e Irã diz para navios seguirem em suas águas territoriais appeared first on InfoMoney.
