O ouro aprofundou as perdas nesta segunda-feira (2), após registrar na sexta-feira o maior tombo em mais de uma década, enquanto os ganhos acumulados da prata no ano foram apagados, à medida que um rali recorde dos metais preciosos se desfez em ritmo acelerado.O ouro à vista chegou a cair mais 10% nesta segunda e agora acumula recuo de quase 20% em relação ao recorde histórico alcançado na penúltima sessão. A prata despencou até 16%, dando sequência à maior queda intradiária já registrada na sexta-feira.“No fim das contas, a posição estava excessivamente concentrada”, afirmou Robert Gottlieb, ex-trader de metais preciosos do JPMorgan Chase & Co. e atualmente comentarista independente de mercado, acrescentando que a relutância em assumir novos riscos tende a restringir a liquidez.Leia tambémFuturos de NY caem com tombo de ouro, prata e bitcoin e temor sobre FedAs ações de tecnologia também caíram devido a preocupações com avaliações inflacionadas e grandes investimentos em inteligência artificialComo especuladores chineses prepararam o terreno para o colapso do ouro e da prataA queda de 26% da prata na sexta-feira foi a maior já registrada, enquanto o ouro caiu 9% em seu pior dia em mais de uma décadaOs metais preciosos haviam subido a níveis recordes que surpreenderam até traders experientes. Um rali já intenso acelerou fortemente em janeiro, com investidores correndo para ouro e prata diante de novas preocupações com turbulências geopolíticas, desvalorização cambial e a independência do Federal Reserve. Uma onda de compras de especuladores chineses adicionou ainda mais fôlego à alta.“A maioria dos compradores que já estava sentada sobre lucros tinha um pé fora da porta, pronta para sair a qualquer momento”, disse Jia Zheng, chefe de trading da Shanghai Soochow Jiuying Investment Management Co. Segundo ele, a liquidação foi impulsionada principalmente por ETFs lastreados em ouro físico, além de derivativos alavancados.O grau em que investidores chineses aproveitarão quedas de preços será determinante para o rumo do mercado a partir daqui. Embora o preço de referência em Xangai tenha ampliado as perdas após a abertura, ainda era negociado com prêmio em relação ao preço internacional. No fim de semana, compradores lotaram o maior mercado de ouro de Shenzhen para adquirir joias e barras antes do Ano-Novo Chinês.“A combinação de volatilidade elevada e a proximidade do Ano-Novo Lunar levará traders a reduzir posições e risco”, afirmou Zijie Wu, analista da Jinrui Futures Co. Ao mesmo tempo, especialmente no pico da temporada de compras, o recuo dos preços tende a sustentar a demanda do varejo na China, acrescentou.Os mercados domésticos chineses ficarão fechados por pouco mais de uma semana a partir de 16 de fevereiro devido aos feriados.O gatilho para a forte liquidação de sexta-feira foi a notícia de que o presidente dos EUA, Donald Trump, indicará Kevin Warsh para comandar o Fed, o que fortaleceu o dólar e minou o sentimento de investidores que apostavam na disposição de Trump em permitir a desvalorização da moeda. Os traders veem Warsh como o mais rigoroso combatente da inflação entre os finalistas, elevando as expectativas de uma política monetária mais restritiva, o que sustentaria o dólar e pressionaria o ouro, cotado na moeda americana.Ainda assim, os metais preciosos já vinham se preparando para movimentos extremos, já que a disparada dos preços e da volatilidade pressionava os modelos de risco e os balanços dos traders. Uma onda recorde de compras de opções de compra — contratos que dão ao titular o direito de comprar a um preço pré-determinado — estava “reforçando mecanicamente o impulso de alta”, afirmou o Goldman Sachs Group Inc. em nota, à medida que os vendedores dessas opções eram forçados a ajustar posições comprando mais com a alta dos preços.“Isso é uma saída em massa”, disse Ole Sloth Hansen, chefe de estratégia de commodities do Saxo Bank A/S. “O suporte fundamental subjacente só deve se reafirmar quando as vendas terminarem e os investidores tiverem chance de olhar novamente para frente”, afirmou.Esse suporte fundamental, no entanto, não mudou nos últimos dias, e “os vetores temáticos do ouro seguem positivos”, escreveu Michael Hsueh, analista do Deutsche Bank AG, em nota. “As condições não parecem preparadas para uma reversão sustentada nos preços do ouro”, disse, reiterando a projeção de US$ 6.000 por onça.No caso da prata, a intensidade da queda levou o metal abaixo de US$ 71,66 por onça, nível em que encerrou o ano passado. Ondas de capital especulativo na China contribuíram para um aperto da oferta doméstica, mas isso pode arrefecer à medida que a derrocada desestimula a demanda por investimentos, afirmou Wang Yanqing, analista da China Futures Co., em nota. “Uma vez quebrada a expectativa consensual de um rali em linha reta, a disposição dos vendidos em fazer entrega aumentará, ajudando a aliviar a escassez”, disse.O ouro caiu 7,3%, para US$ 4.536,46 por onça, às 15h21 (horário de Cingapura). A prata recuou 15%, para US$ 72,68. Platina e paládio também cederam. O Bloomberg Dollar Spot Index, indicador do dólar americano, subia 0,1%, após avançar 0,9% na sessão anterior.© 2026 Bloomberg L.P.The post Ouro amplia queda e já desaba 20% desde recorde; prata perde mais 16% appeared first on InfoMoney.
