Apenas um número reduzido de superpetroleiros segue disponível para fretamento no Golfo Pérsico, elevando o risco de uma crise logística que pode forçar interrupções na produção na região rica em petróleo e provocar um aperto na oferta global. Entre seis e 12 navios do tipo VLCC, sigla em inglês para navios petroleiros de grande porte, estão no Golfo e podem ser contratados, segundo a Oil Brokerage e fontes de monitoramento marítimo. As embarcações não constam em listas de sanções, o que significa que podem ser alugadas por qualquer comprador disposto a pagar as tarifas em forte alta.A escassez de navios e a relutância de armadores em atravessar o Estreito de Ormuz desde o início da guerra no Oriente Médio, no fim de semana, criaram uma situação crítica. Em condições normais, cerca de 15 milhões de barris de petróleo são embarcados diariamente no Golfo em navios de diferentes portes para exportação pelo estreito.Leia tambémPetróleo dispara 7% e brent supera US$ 82 o barril com extensão do conflito no IrãO Brent, referência global, ultrapassou os US$ 82 por barril, atingindo o maior valor desde janeiro de 2025Kinea vê estresse passageiro nos mercados com Irã: “Tem muito petróleo parado no mar”Gestora vê preço do petróleo sustentável na casa de US$ 70 e abertura para queda de preço com fim próximo do conflito e baixo risco de bloqueio efetivo do Estreito de Ormuzdeclarações de Teerã.Cada VLCC tem capacidade para transportar 2 milhões de barris e leva cerca de dois dias para ser carregado. Isso significa que os navios disponíveis estão longe de ser suficientes para atender sequer um dia de exportações da região. Ao mesmo tempo, a maioria dos produtores mantém alguma capacidade de armazenamento próxima aos principais terminais de embarque, mas, em geral, ela é limitada, o que aumenta a possibilidade de que a Arábia Saudita e outros países do Golfo tenham de interromper a produção.“Com o Estreito de Ormuz ainda inativo, o tempo está se esgotando”, afirmaram analistas do JPMorgan Chase & Co., incluindo Natasha Kaneva, em relatório. “Se ele não for reaberto em até 21 dias, podem começar paralisações na produção.”A Guarda Revolucionária do Irã afirmou na terça-feira que “não permitirá que uma única gota de petróleo deixe a região”. Até o momento, quatro navios foram atacados em Ormuz ou nas proximidades, com dezenas de petroleiros parados em grandes concentrações em ambos os lados da estreita via marítima que liga o Golfo Pérsico ao Oceano Índico. Com parte das seguradoras reduzindo a cobertura para risco de guerra na região, cresce a hesitação em contratar e enviar embarcações pelo estreito.Apenas um ou dois petroleiros de porte médio entraram no Estreito de Ormuz na segunda-feira, com destino ao Golfo Pérsico, segundo dados de rastreamento da Vortexa e da Kpler. Até segunda-feira, não havia registros de novos contratos na rota Oriente Médio–China, de acordo com relatórios de corretoras vistos pela Bloomberg News.A escassez de embarcações também é agravada pela concentração de propriedade, após a armadora sul-coreana Sinokor adquirir diversos VLCCs nas últimas semanas. Seis dos superpetroleiros no Golfo são controlados pela Sinokor, segundo a Oil Brokerage.Uma interrupção total das exportações de petróleo pelo estreito, embora considerada improvável, reduziria de forma significativa a oferta global e derrubaria a capacidade ociosa mundial para menos de 1 milhão de barris por dia, afirmou Emma Richards, analista de petróleo e gás da BMI, unidade do Fitch Group. A maior parte dessa capacidade excedente estaria na Rússia.Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Irã podem redirecionar parte da produção por oleodutos até portos fora do Golfo, mas esses volumes são pequenos em comparação ao fluxo que passa por Ormuz, acrescentou.©️2026 Bloomberg L.P.The post Petroleiros viram raridade em Ormuz, e ameaça ao petróleo fica mais palpável appeared first on InfoMoney.
