Presença de Trump domina Davos e divide líderes entre desconforto e pragmatismo

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DAVOS, SUÍÇA, 23 ‍Jan (Reuters) – Enquanto o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e outros altos funcionários norte-americanos percorriam ⁠as ruas geladas de Davos esta semana, o medo e, em alguns casos, o desprezo se misturavam com a ‍resignação em relação à maneira como o governo conduz os negócios.Embora muitas pessoas presentes no evento tenham dito à Reuters que consideravam que algumas das posições de Trump sobre questões globais, como a exigência de que a Europa gastasse mais em ‌sua própria segurança, tinham mérito, elas se sentiram profundamente ofendidas pela maneira como ele e sua equipe apresentaram essas questões.‘Foi algo avassalador. Foi o verdadeiro show do Trump que tivemos aqui’, disse Conradin Cramer, chefe do governo cantonal da cidade suíça de Basileia, após o discurso de Trump na quarta-feira, na reunião anual do Fórum Econômico Mundial.‘Ele se manifestava abertamente contra a Europa, contra os valores europeus, e isso me assustava’, disse Cramer à Reuters.Os líderes empresariais também estavam nervosos, com dois banqueiros baseados nos EUA admitindo no ‌início que estavam preocupados com o desenvolvimento de uma guerra comercial em grande escala, que afetaria o sentimento empresarial.Leia tambémTrump afirma que “armada” dos EUA está indo em direção ao IrãOs navios de guerra começaram a se deslocar da Ásia-Pacífico ‍na semana passada, quando as tensões entre o Irã e os Estados Unidos aumentaramReunião mais marcante?Vários participantes afirmaram ‌que, sob certos aspectos, esta foi uma das reuniões mais marcantes em cinco décadas do fórum, que denominou o evento deste ano como ‘Um Espírito de Diálogo’.Trump fechou um acordo sobre a Groenlândia à margem do evento, com o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, e supervisionou a assinatura de seu novo Conselho da Paz, atraindo diversos líderes mundiais para Davos.O presidente e outros funcionários norte-americanos também disseram estar perto de um acordo de paz na Ucrânia — algo que ganhou destaque ‌na quinta-feira, quando o presidente Volodymyr Zelenskiy viajou para Davos.Leia tambémRússia quer usar parte de ativos congelados nos EUA para ajudar com Conselho de PazMoscou quer destinar US$ 1 bilhão a ações humanitárias na Palestina e o restante à reconstrução do DonbassO enviado do presidente Vladimir Putin, Kirill Dmitriev, também manteve conversas com autoridades norte-americanas à margem do evento, sendo o primeiro oficial russo a chegar a Davos desde a invasão da ​Ucrânia pela Rússia, em 2022.Vários participantes disseram à Reuters que a reunião anual — a primeira desde a saída do fundador do fórum, Klaus Schwab, no ano passado — foi uma vitória para o presidente-executivo da BlackRock, Larry Fink.Um porta-voz disse que Schwab não estava disponível para comentar.Fink, que também é copresidente do fórum, usou sua influência para atrair grandes nomes, incluindo o bilionário Elon Musk, que fez sua estreia em Davos como uma adição de última hora à programação.Trump disse que Fink transformava em ouro tudo o que tocava.Em algumas sessões, os moderadores pareceram evitar perguntas difíceis e a agenda, em grande parte, contornou temas aos quais o governo Trump se opôs. O programa contou com quatro sessões que fizeram referência às mudanças climáticas, enquanto em 2022 foram 16.Trump discursou por mais de uma hora, muito além do tempo previsto em sua agenda, e quando finalmente se sentou para uma sessão ​moderada de perguntas e respostas, um pequeno, porém ⁠constante, fluxo de delegados já estava ⁠deixando a sala.Agenda de Trump se aprofundaVários participantes disseram que, embora a presença de Trump fosse marcante, negócios foram fechados em Davos, com executivos se reunindo com ‌clientes e discutindo assuntos que variam de geopolítica e comércio a stablecoins e inteligência artificial.Francesco Ceccato, presidente-executivo do Barclays na Europa, afirmou que a reunião teve uma ‘mistura de geopolítica que não pode ser ignorada’.Leia tambémTrump anuncia acordo de “acesso total” com GroenlândiaOtan pediu a aliados que intensifiquem esforçosMas também houve ‘muito diálogo interessante’ em torno da IA e questões relacionadas, como risco de investimento e necessidades energéticas, disse Ceccato à Reuters.A agenda de Trump ‍permeou muitas das discussões.O secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, provocou fortes reações ao criticar a Europa em um jantar oferecido por Fink, do qual a presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, se retirou.Na ​noite seguinte, em um evento do Bank ‌of America, Lutnick conversou animadamente com o presidente-executivo Brian Moynihan, segundo uma fonte familiarizada com o evento na ‘Goals House’, onde a ministra das Finanças britânica, Rachel Reeves, jogou ‍xadrez e Marcus Mumford se apresentou ao vivo, incluindo uma versão acústica de ‘I’m on Fire’, de Bruce Springsteen.Como de costume nas festas e reuniões em torno de Davos, os participantes fofocavam e trocavam boatos, embora alguns tenham gerado ansiedade.No início da semana, circulou um boato de que as redes móveis e de internet seriam desligadas quando Trump chegasse à cidade.No fim das contas, tanto os telefones quanto a internet funcionaram perfeitamente.(Reportagem de Paritosh Bansal, Dave Graham, Samia Nakhoul, Dmitry Zhdannikov, Oliver Hirt, Arianne Luthi, Vitalii Yalahuzian, Divya Chowdhury, Mark John e John Revill)The post Presença de Trump domina Davos e divide líderes entre desconforto e pragmatismo appeared first on InfoMoney.

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