Em meio à tentativa de aproximação do senador Ciro Nogueira (PP) com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para angariar apoio à sua reeleição no Piauí, lideranças do PT no estado divergem sobre a possibilidade de firmar um acordo com o presidente do Progressistas. Nas eleições de 2022, o senador fez campanha para o ex-presidente Jair Bolsonaro após anos sendo aliado de governos petistas, o que é visto por políticos locais como uma traição.Atualmente, os nomes governistas já estabelecidos como candidatos ao Senado são o senador Marcelo Castro (MDB) e o deputado federal Júlio César (PSD). Ambos são líderes dos diretórios locais de seus partidos, que tendem a ser liberados pelos presidentes nacionais para articular arranjos políticos que consideram mais estratégicos.Presidido por Gilberto Kassab, o PSD reúne três presidenciáveis de direita e, ao mesmo tempo, integra a base de mandatos alinhados ao Planalto. Já o MDB, comandando pelo deputado federal Baleia Rossi (SP), possui 16 de seus 27 núcleos estaduais contrários a uma aproximação com o governo, mas passou a ser cortejado por Lula com uma possível vaga à Vice-Presidência.Leia tambémNa Índia, Lula alerta sobre desafios da IA e defende regulamentação de big techsPresidente também destacou que conteúdos falsos manipulados por IA afetam processos eleitorais e colocam em risco a democracia“Próximo rebaixamento será de Lula”: oposição celebra queda de escola no RioFlávio, Carlos Bolsonaro e parlamentares bolsonaristas veem derrota da escola como símbolo eleitoral, acionam TSE e acusam desfile de ofensa religiosa e uso da máquina pública Ciro, por sua vez, se reuniu com Lula e com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para propor neutralidade nas eleições presidenciais em troca de que o governo demonstre apoio apenas a Castro no Piauí. A existência do encontro, noticiado pelo jornal Folha de S. Paulo, foi negada por Ciro, embora aliados do presidente do PP confirmem a conversa.A movimentação, porém, foi prontamente rechaçada pelo presidente do PT no Piauí, o deputado estadual Fábio Novo. O parlamentar afirmou, no início do mês, que Ciro “teve muitas chances” para se tornar aliado, mas “em todas traiu” os esquerdistas.O parlamentar mencionou que, em 2021, o senador tornou-se ministro da Casa Civil no governo Bolsonaro. Já em 2016, após fazer campanha à reeleição da ex-presidente Dilma Rousseff, Fábio Novo lembrou que Ciro votou a favor do impeachment da petista.“Não existe uma terceira chance para um Judas Iscariotes tão frio. Vencemos todas as articulações contra o Brasil e o Piauí. No PT do Piauí, nem se cogita qualquer reaproximação. Cachorro mordido por cobra tem medo de linguiça”, ironizou Novo, no X.Acordo no segundo turnoAo mesmo tempo, outro nome do PT no estado, o deputado federal Flávio Nogueira, pondera que “tudo pode acontecer” em relação à aproximação com Ciro. O parlamentar defende que o partido deve realizar suas alianças “amarrando” também o segundo turno, quando poderá ser preciso atrair um amparo mais robusto para as reeleições do presidente Lula e do governador Rafael Fonteles (PT).— É uma opinião pessoal minha. Podemos, sim, aceitar ao menos começar a dialogar para ver se isso de fato pode acontecer, com um programa que capaz de agradar, no mínimo, todos os partidos dessa provável aliança — diz Nogueira.O deputado ressalta que lideranças nacionais do PT deveriam pactuar compromissos programáticos com eventuais aliados ao período após as eleições, principalmente no Congresso, campo de disputa mais acirrado ao governo. Sobre as vagas ao Senado, no entanto, Nogueira avalia que a chapa foi formada pelo diretório piauiense de forma “precipitada”, e a decisão deveria ser tomada “em Brasília”.— No calor da aproximação das convenções, são firmados acordos que não podem ser cumpridos. Queríamos um candidato a senador do PT. Eu cheguei a me apresentar, mas já tinha um acordo firmado entre eles (Castro e Júlio César) — explica o parlamentar.Após a movimentação, Júlio César reafirmou que o projeto político em torno de sua candidatura está definido. Ele compartilhou, na última terça-feira, uma declaração do presidente nacional do PT, Edinho Silva, que afirmou que a tática eleitoral no Piauí já está “decidida e deliberada”.— A nossa tática eleitoral no Piauí está decidida, deliberada. É o governador à reeleição, e ao Senado são Marcelo e Júlio César. Não vamos alterar de forma alguma. Respeitamos a construção que o PT do Piauí fez e isso é intocável — disse Edinho à GloboNews.Para o deputado, o posicionamento endossa o que “já está claro” no estado com a construção de um projeto elaborado “com unidade, diálogo e compromisso”. Além disso, Júlio César defende que o respaldo nacional organiza e fornece estabilidade e segurança para o debate político no estado.O parlamentar foi a São Paulo visitar Kassab, na semana passada, para conversar sobre sua pré-candidatura. Segundo Júlio César, o encontro foi marcado pelo “apoio incondicional” do PSD ao projeto que envolve as campanhas a favor de Fonteles e Lula. A avaliação é que o partido respeita as realidades em cada estado e entende a importância de manter os compromissos firmados ao longo dos anos.— Apoiamos o PT, já tínhamos um acordo com o presidente Kassab sobre isso. Quanto a um alinhamento do PT local com o PP, tanto o Edinho quanto os líderes do Piauí já deixaram claro que isso não aconteceu — disse Júlio César.Do lado de Castro, o deputado estadual Dr. Hélio (MDB) disse ao Conecta Piauí, em 6 de fevereiro, que os emedebistas seguem tranquilos quanto ao projeto estabelecido. A aliança com Fonteles prevê que o PT indique o pré-candidato a vice-governador, enquanto o MDB será contemplado com o pré-candidato ao Senado. Procurado, Castro não se manifestou sobre as movimentações.The post PT do Piauí diverge sobre apoio a Ciro Nogueira appeared first on InfoMoney.
