Queda de campeões da Libertadores à Sul-Americana muda patamar comercial de torneio

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O que em outros contextos poderia ser tratado apenas como frustração esportiva tem se transformado em combustível para um novo ciclo de valorização comercial no futebol sul americano. A presença de clubes tradicionalmente associados à Copa Libertadores na Copa Sul-Americana, que começa hoje (7), acaba elevando o patamar comercial daquela que tradicionalmente é a Série B do continente. Na edição deste ano, o fenômeno se intensifica. Ao todo, dez campeões da Libertadores disputam o torneio, entre eles equipes de grande peso como River Plate, Racing e San Lorenzo, além dos brasileiros São Paulo, Santos, Vasco, Grêmio e Atlético-MG. O movimento evidencia como o insucesso esportivo em competições de maior prestígio pode reposicionar clubes e transformar a Sul-Americana em uma vitrine ainda mais relevante.Leia Mais: Palmeiras e Flamengo têm domínio no continente em estudo de elencos mais valiososAssim como vem acontecendo nas últimas temporadas, a competição ganha em importância e competitividade. Agora, com elencos mais qualificados e camisas de maior tradição, o torneio passa a oferecer um nível de exigência mais elevado. “A gente enxerga essa Sul-Americana com um nível de exigência muito acima do que vimos em anos anteriores. Em muitos aspectos, ela se aproxima de uma Libertadores, tanto pela competitividade quanto pelas dificuldades logísticas e técnicas que os clubes vão enfrentar. Esse ano o nível do campeonato está muito mais elevado, estamos contentes por isso”, afirma Rui Costa, executivo de futebol do São Paulo.A leitura se estende também ao campo institucional. Para os clubes, disputar a competição deixou de ser apenas uma alternativa esportiva e passou a representar uma estratégia de reposicionamento internacional e geração de receitas. “Essa edição de Copa Sul-Americana com tantos campeões da Libertadores reforça o peso e a tradição da competição. É um torneio que se consolida como estratégico, tanto do ponto de vista esportivo quanto financeiro, pois amplia a visibilidade internacional dos clubes e cria novas oportunidades de receita. Para o Santos, disputar um cenário tão qualificado é também uma chance de reafirmar a nossa história no continente e fortalecer ainda mais a nossa conexão com o torcedor”, analisa Marcelo Teixeira, presidente do Santos.Esse novo cenário também impacta diretamente o interesse de patrocinadores e parceiros comerciais. A presença de clubes de massa e maior exposição internacional torna a competição mais atrativa para grandes marcas globais. Empresas como Coca-Cola, Powerade, ueno bank, Amstel, Rexona, Mercado Libre, MG Motor, EA SPORTS e Avianca já associam suas imagens ao torneio, que passa a rivalizar em atenção com a própria Libertadores em determinados mercados.Para a Absolut Sport, agência oficial de experiências esportivas da Conmebol, o crescimento é perceptível inclusive no comportamento do torcedor. “A Sul-Americana é uma competição cada vez mais relevante no calendário continental, com a presença de clubes tradicionais como River Plate, Racing, Atlético-MG, Santos, São Paulo, Vasco e Grêmio. Esse nível mais alto de disputa eleva o interesse do torcedor e torna o torneio ainda mais competitivo. Na Absolut Sport, já percebemos um crescimento na procura de brasileiros interessados em viver a Conmebol Sudamericana de perto, especialmente nas fases decisivas, o que reforça esse novo momento da competição”, afirma Joaquim Lo Prete, country manager da empresa no Brasil.Leia Mais: Dentro ou fora da seleção, Neymar ainda é marca mais relevante no futebol brasileiroO calendário também reforça o peso do torneio. O torneio começa nesta terça-feira (7) e a decisão está marcada para 21 de novembro, em Barranquilla, na Colômbia, pela primeira vez. Dentro de campo, a Sul-Americana se apresenta como uma oportunidade de título relevante na temporada. Fora dele, representa uma fonte significativa de receita.A premiação recorde é um dos principais atrativos. O campeão receberá 10 milhões de dólares, cerca de R$ 52,2 milhões, podendo ultrapassar US$ 16 milhões ao longo de toda a campanha. O aumento em relação ao ano anterior foi de quase 50%, consolidando a competição como uma alternativa financeira relevante.“O aumento das premiações nas principais competições da América do Sul, como a Copa Libertadores e a Copa Sul-Americana, representa um grande passo para o desenvolvimento do futebol no continente. Com o crescimento das receitas, os clubes passam a ter mais condições de investir em profissionalização e na adoção de boas práticas de governança. Trata-se de uma via de mão dupla: uma gestão profissional financia a performance, que, por sua vez, gera novas premiações”, destaca Moisés Assayag, sócio diretor da Channel Associados e especialista em finanças no futebol.The post Queda de campeões da Libertadores à Sul-Americana muda patamar comercial de torneio appeared first on InfoMoney.

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