Queda nos juros afeta CDBs prefixados em fevereiro; março promete volatilidade

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O mercado de renda fixa bancária passou por um ajuste em fevereiro: as taxas dos CDBs tiveram queda na comparação com o mês anterior, especialmente nos prefixados. Apesar do ajuste, os papéis atrelados à inflação continuam oferecendo juro real acima de 8% ao ano, enquanto os pós-fixados exigem prazos cada vez mais longos para vencer a barreira dos 100% do CDI.É o que mostra levantamento da Quantum Finance, feito a pedido do InfoMoney. Especialistas alertam que o mês de março e o ano de 2026 reservam turbulências com causas internas e externas.Leia também: Quais impactos monitorar até agora para o Brasil com choques nos preços de energia?Em janeiro, os prefixados com vencimento em 36 meses pagaram, em média, 13,83% ao ano. Já no mês passado, a taxa média caiu para 13,06%. Para o vencimento em 24 meses, a média caiu de 12,86% para 12,32%. Nos títulos mais curtos também houve redução significativa dos prêmios: de 13,96% para 13,62% nos vencimentos em seis meses. Retornos de CDBs prefixados entre 01 e 28 de fevereiro de 2026PrazoTaxa mínimaTaxa médiaTaxa máximaNúmero de títulosEmissor da maior taxa613,31%13,62%13,92%16ABC Brasil1212,27%12,98%14,00%22Sinosserra Financeira2412,03%12,32%12,67%6ABC Brasil3612,23%13,06%15,60%27Facta FinanceiraFonte: Quantum FinanceSegundo Mario Leonetti, sócio-fundador da Private Investimentos, o movimento de queda nas taxas está intimamente ligado à precificação de um cenário de redução da taxa Selic. “O mercado antecipa esse movimento e ajusta a curva de juros. Mas também vejo um ambiente de maior liquidez e competição entre instituições financeiras por captação”, explica.Guilherme Almeida, Head de Renda Fixa da Suno Research, complementa explicando que “os títulos públicos prefixados também são utilizados como referência para a precificação dos títulos corporativos e bancários. Como eles apresentaram uma redução nos retornos ofertados ao longo de fevereiro, isso necessariamente se reflete em um custo menor de captação para os bancos”, detalha Almeida.A esse cenário soma-se um fator de risco local. Paulo Monteiro, head da Gravus Capital, ressalta que “eventos recentes no mercado de crédito, como a liquidação de algumas instituições financeiras menores, também contribuíram para reduzir a agressividade das taxas oferecidas”.A força do IPCA+ e o caráter direcional do prefixadoEnquanto os prefixados perdem fôlego, o levantamento aponta que os CDBs atrelados à inflação seguem pagando prêmios elevados. A média para os títulos de 24 meses recuou de 7,64% para 7,37% além da inflação. A resiliência dessas taxas tem raízes no risco fiscal e em fatores técnicos de oferta e demanda.Retornos de CDBs indexados à inflação entre 01 e 28 de fevereiro de 2026PrazoTaxa mínima (IPCA+)Taxa média (IPCA+)Taxa máxima (IPCA+)Número de títulosEmissor da maior taxa127,52%8,47%9,17%95Haitong Brasil246,97%7,37%8,03%33Haitong Brasil366,80%7,49%8,28%72Haitong BrasilFonte: Quantum FinanceAlmeida explica que grandes investidores institucionais, como fundos de pensão, já atingiram suas cotas de alocação no fim do ano passado. Com a demanda menor e uma oferta elevada pelo Tesouro Nacional, as taxas reais se mantêm nas alturas. Além disso, Paulo Monteiro destaca a composição híbrida do papel: “Em um momento em que o IPCA está em níveis mais baixos em comparação ao período pós-pandemia, parte do retorno precisa ser compensada na parcela prefixada do título”.Na hora de escolher, não existe um papel fundamentalmente melhor, segundo os especialistas. Monteiro resume a dinâmica: “Os títulos IPCA+ são considerados mais defensivos por protegerem o poder de compra no longo prazo, enquanto os prefixados assumem um caráter mais direcional, podendo performar melhor se os juros continuarem caindo, mas também trazendo mais risco caso a curva volte a abrir”.O dilema do pós-fixado Nos CDBs atrelados ao CDI, os dados da Quantum Finance mostram que, em média, o pequeno investidor só consegue superar a marca de 100% do CDI em emissões mais longas, de 24 ou 36 meses.Retornos de CDBs atrelados ao CDI entre 01 e 28 de fevereiro de 2026PrazoTaxa mínima (% CDI)Taxa média (% CDI)Taxa máxima (% CDI)Número de títulosEmissor da maior taxa397,50%99,85%106,00%42Paraná Banco698,50%99,87%103,00%29C6 Consignado / Banco Mercantil / Paraná Banco1290,00%99,17%105,00%68Banco Mercantil2497,25%100,17%107,00%42Banco Mercantil3697,20%100,22%102,30%54ABC BrasilFonte: Quantum FinanceVale a pena travar o capital por tanto tempo por uma margem tão estreita? Para os especialistas, não. Paulo Monteiro vai direto ao ponto: “CDBs que pagam taxas acima de 100% do CDI costumam ser emitidos por instituições menores. Essa diferença de taxa está muito mais relacionada ao risco de crédito do emissor do que a qualquer outro fator de mercado. Para o pequeno investidor, não compensa abrir mão de liquidez para obter essa ligeira margem”.No entanto, o pós-fixado segue como a âncora de segurança da carteira. Um CDB de grande banco a 100% do CDI com liquidez diária é ideal para reserva de emergência, pondera Almeida.Para março e os próximos meses, o cenário exige estômago. Embora Mario Leonetti veja espaço para estabilidade e até uma leve queda nas taxas caso a inflação fique sob controle, o peso do noticiário começa a fazer preço.Tanto Guilherme Almeida quanto Paulo Monteiro alertam para a abertura da curva de juros sentida logo nos primeiros dias de março. “O próprio início de março já trouxe movimentos de alta nas taxas, influenciados, entre outros fatores, pela escalada do conflito no Oriente Médio, que fez o preço do petróleo subir de forma relevante. Esse movimento é naturalmente inflacionário para a economia global”, explica Monteiro.The post Queda nos juros afeta CDBs prefixados em fevereiro; março promete volatilidade appeared first on InfoMoney.

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