A possível chegada de Kevin Warsh ao comando do Federal Reserve, para o lugar que será deixado por Jerome Powell em maio, marca o retorno de um nome que conhece o coração do sistema financeiro americano, e que passou os últimos anos se posicionando como um de seus críticos mais duros. Ex-diretor do banco central, Warsh construiu sua reputação nos bastidores da crise financeira de 2008 e, desde então, tornou-se uma voz influente no debate sobre os limites e excessos da política monetária dos EUA.Warsh integrou o Conselho de Governadores do Fed entre 2006 e 2011, período que incluiu o colapso do Lehman Brothers, os resgates ao sistema bancário e o início das políticas não convencionais de estímulo. Atuou diretamente nas negociações entre o Tesouro, o banco central e grandes instituições financeiras, sendo visto como um operador técnico, com trânsito tanto em Washington quanto em Wall Street. Após deixar o cargo, manteve proximidade com círculos financeiros e acadêmicos, além de ocupar posições em conselhos corporativos e think tanks.Nos últimos anos, porém, sua postura pública mudou de tom. Warsh passou a criticar de forma recorrente o tamanho do balanço do Fed e o prolongamento de políticas ultraexpansionistas. Por esse motivo, é defensor do que se chama de aperto quantitativo.Em discursos e entrevistas, defendeu o que chama de “mudança de regime” na autoridade monetária, uma revisão do arcabouço que orienta decisões de juros, comunicação e atuação em mercados. Para ele, parte dos problemas atuais, incluindo distorções de preços de ativos e perda de credibilidade, seria “autoinfligida” pelo próprio banco central.Essa visão o coloca em uma posição curiosa dentro do debate econômico. De um lado, Warsh defende juros mais baixos no curto prazo, alinhando-se ao discurso político dominante na Casa Branca. De outro, é um crítico da expansão contínua do balanço do Fed e da tentativa de suprimir artificialmente os juros de longo prazo. Alinhamento com TrumpO alinhamento político com Donald Trump se intensificou neste segundo mandato. Se em 2017 Warsh era visto como um nome tecnicamente sólido, mas independente, agora ele passou a endossar pontos centrais da agenda econômica do governo, incluindo críticas à condução do Fed sob Jerome Powell e maior tolerância a políticas comerciais mais protecionistas.Trump já afirmou publicamente que se arrependeu de não tê-lo escolhido no passado, o que reforça a leitura de que Warsh é hoje um nome de confiança pessoal do presidente.Há também um componente de rede de poder que ajuda a explicar sua projeção. Warsh é casado com Jane Lauder, herdeira do grupo Estée Lauder, e genro de Ronald Lauder, empresário bilionário e figura influente no establishment republicano. Lauder mantém relação próxima com Trump há décadas e foi um de seus financiadores, além de interlocutor frequente em temas de política externa e negócios.Caso confirmado no cargo, Warsh enfrentará desafios imediatos. O primeiro será preservar a credibilidade do Fed em um ambiente de forte pressão, com o debate sobre sua independência novamente no centro das atenções. O segundo será técnico: conduzir a transição para uma política monetária menos expansionista no balanço, sem provocar choques excessivos em mercados já sensíveis a juros e liquidez. Por fim, terá que passar por um processo de confirmação no Senado em meio a tensões entre o Congresso, a Casa Branca e o banco central.The post Quem é Kevin Warsh, o novo favorito para comandar o Fed appeared first on InfoMoney.
