Região metropolitana de São Paulo ainda tem 750 mil sem luz dois dias após ciclone

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A região metropolitana de São Paulo registrava cerca de 750 mil consumidores sem luz por volta das 17h30 desta sexta-feira, dois dias após a chegada de um ciclone extratropical que também afetou os serviços locais de transporte aéreo e abastecimento de água, sem previsão de restabelecimento total da energia para todos os afetados.Segundo dados da distribuidora local Enel, o fornecimento de energia estava interrompido para 8,8% dos clientes atendidos na região metropolitana, apresentando leve melhora em relação às 8h, quando o índice era de 9,4%. A capital paulista concentrava a maior parte dos consumidores impactados, com 537,6 mil sem energia, contra 580 mil no início da manhã, o que representa mais de 9% do total no município.Leia tambémProcon orienta clientes da Enel a documentarem prejuízos por falta de luz em SPRemédios e alimentos perdidos por queda de energia devem ser fotografados e enviados pelo siteEnel: Restabelecimento da energia em SP é “complexo” e não dá prazo para normalizaçãoMais de 670 mil clientes seguem sem luz após ventania de 98 km/h que derrubou árvores e postesA concessionária informou em nota que mobilizou cerca de 1.600 equipes para atuar na região após um “vendaval histórico”, com rajadas de até 98 km/h, que provocaram queda de árvores e lançaram galhos e outros objetos sobre a rede elétrica.A Enel afirmou ainda que suas equipes “seguem comprometidas com a operação de atendimento a emergências” e já restabeleceram energia para cerca de 1,8 milhão dos 2,2 milhões de clientes afetados no pico do problema, na quarta-feira. Na quinta-feira, surgiram cerca de 500 mil novos casos de falta de luz.Imagens da TV Globo mostraram veículos de atendimento da Enel parados em pátios da concessionária, sem realizar religação de energia. O diretor regional da Enel, Marcelo Puertas, explicou que os veículos estavam parados devido à rotatividade entre turnos. A prefeitura de São Paulo notificou a concessionária e solicitou esclarecimentos sobre os veículos parados.À Reuters, o diretor da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Fernando Mosna, disse que se reuniu na tarde anterior com o presidente da Enel São Paulo, Guilherme Lencastre, que apresentou dados e ações da concessionária para restabelecer os serviços.Segundo Mosna, a Enel não informou uma data para o restabelecimento total do fornecimento, sem apresentar justificativa específica.Nesta sexta-feira, a Promotoria de Defesa do Consumidor da Capital ajuizou ação civil para que o Poder Judiciário determine que a Enel restabeleça “imediatamente a energia elétrica para todas as unidades consumidoras que estão sem serviço desde 9 de dezembro de 2025 ou em até quatro horas após ciência da decisão”.A Defensoria Pública assina a ação juntamente com o Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP).Além disso, as instituições solicitam que a empresa informe de forma clara e precisa a estimativa para o restabelecimento da energia. O promotor Denilson de Souza Freitas pede que, em caso de descumprimento, a Enel seja multada em R$ 200 mil por hora.No início da semana, a Aneel já havia solicitado esclarecimentos à concessionária sobre sua preparação para responder ao evento climático extremo, que já era previsto, além de comprovação da adequação da estrutura operacional.A Enel São Paulo está sob escrutínio público desde novembro de 2023, quando um evento climático extremo, com ventos superiores a 100 km/h, atingiu sua área de concessão e deixou milhões de consumidores sem energia por vários dias. A resposta da empresa, considerada insuficiente, gerou críticas de consumidores e autoridades.O ciclone extratropical também afetou outras cidades do Estado de São Paulo, porém com impacto mais limitado. Segundo a agência reguladora estadual Arsesp, até as 22h de quinta-feira, cerca de 50 mil clientes de outras distribuidoras, como CPFL, Neoenergia Elektro, Energisa Sul-Sudeste e EDP SP, estavam com fornecimento parcial interrompido.No setor aéreo, a concessionária Aena, responsável pelo aeroporto de Congonhas, informou que as operações estavam normais na manhã desta sexta-feira, com uma chegada e duas partidas canceladas até as 7h. Na quinta-feira, foram canceladas 67 chegadas e 54 partidas, enquanto na quarta-feira, com ventos mais fortes, houve cancelamento de 88 chegadas e 93 partidas.Em nota, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) afirmou que há um “impacto significativo” em várias operadoras que atuam no Estado de São Paulo devido aos problemas no fornecimento de energia.“Embora tenham sido acionadas alternativas de alimentação, como o uso de geradores, a duração prolongada da interrupção comprometeu a continuidade do serviço”, disse a Anatel.The post Região metropolitana de São Paulo ainda tem 750 mil sem luz dois dias após ciclone appeared first on InfoMoney.

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