As investigações sobre fraudes no Banco Master revelaram, até agora, suspeitas de criação e negociação de títulos de crédito falsos, tentativas de burlar a fiscalização do Banco Central (BC) e empréstimos seguidos de transações-relâmpago com rentabilidade de até R$ 10 milhões. Por conta disso, a Polícia Federal (PF) realiza nesta quarta-feira (dia 14) a segunda fase da Operação Compliance Zero, que apura possíveis irregularidades no banco.O dono da instituição, Daniel Vorcaro, foi alvo de busca e apreensão. Ele chegou a ser preso na primeira fase da operação, em novembro, mas depois foi solto.Envolvimento do BRBAs investigações apontaram que o Master e o Banco de Brasília (BRB) teriam “fabricado” títulos de crédito que nunca existiram para justificar a transferência de R$ 12,2 bilhões do banco estatal de Brasília para o Master.O BRB tentou comprar a instituição de Vorcaro, mas a operação foi barrada pelo banco Central (BC). Posteriormente, a autoridade monetária decretou a liquidação do Master.Segundo a apuração, o BRB realizou operações inconsistentes com o Master em uma tentativa de dar uma sobrevida à instituição, enquanto o BC analisava a proposta de venda.Leia tambémCaso Master: fundador da Reag é um dos alvos de nova fase da operação da PFAgentes cumprem ao todo 42 mandados de busca e apreensão expedidos pelo Supremo Tribunal Federal no âmbito da Compliance ZeroPF faz buscas contra Tanure em nova fase da operação que mira Master: saiba quem éPF cumpre ao todo 42 mandados contra alvos investigados por fraudes no Banco MasterParte das suspeitas envolvendo o Master foi identificada BC e encaminhada para investigadores. Um dos fatos que chamou atenção foi uma sequência de transações relâmpagos feitas por uma rede de fundos de investimento administrados pela gestora de recursos Reag DTVM a partir de um empréstimo de R$ 459 milhões da instituição financeira de Daniel Vorcaro. Uma das operações consideradas suspeitas teve rentabilidade de 10.502.205,65% em 2024.Entre os fundos com transações incomuns está Fundo Brain Cash que, com apenas 20 dias de existência, recebeu R$ 450 milhões a partir de um empréstimo do Master e multiplicou em cerca de 30 mil vezes o seu patrimônio. Essa transação foi a única registrada no balanço do fundo, que tinha apenas um investidor: uma empresa dirigida por uma ex-funcionária da Reag.De acordo com o BC, os empréstimos suspeitos do Master, concedidos para 36 empresas, foram aplicados em fundo com rendimento incerto e inferior ao custo da operação. O volume dessas operações chegou a mais de duas vezes o tamanho do patrimônio da instituição financeira em agosto do ano passado.A Reag entrou na mira da Operação Carbono Oculto, que apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC) no setor de combustível e empresas financeiras.Defesa de VorcaroEm nota divulgada nesta quarta-feira, a defesa de Vorcaro afirmou que ele “tem colaborado integral e continuamente com as autoridades competentes” e que “todas as medidas judiciais determinadas no âmbito da investigação serão atendidas com total transparência”.“O Sr. Vorcaro permanece à disposição para prestar esclarecimentos sempre que solicitado, reforçando seu interesse no esclarecimento completo dos fatos e no encerramento célere do inquérito. A defesa reitera confiança no devido processo legal e seguirá atuando nos autos para que as informações sejam tratadas de forma objetiva e dentro dos limites constitucionais”, diz o texto.The post Rentabilidade de 10.502.205%, crédito falso e mais: as suspeitas envolvendo o Master appeared first on InfoMoney.
