A decisão do governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), de abandonar a pré-candidatura ao Planalto altera o equilíbrio interno do partido e reduz o espaço de uma alternativa competitiva fora da polarização entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). O movimento também reorganiza alianças regionais e enfraquece a estratégia nacional do PSD.Ratinho era o nome com maior alcance eleitoral dentro da legenda. Em levantamentos recentes da Quaest, aparecia com 7% das intenções de voto no primeiro turno, acima de outros quadros do partido. Ronaldo Caiado (GO) marcava 4%, enquanto Eduardo Leite (RS) registrava 3%. Mesmo distante dos líderes — Lula com até 39% e Flávio com até 35% —, o governador paranaense era visto como o principal ativo do PSD para consolidar uma terceira via.Sem Ratinho, o PSD passa a depender de nomes com menor penetração nacional. A avaliação no entorno de Gilberto Kassab é que Caiado ganha espaço por reunir duas agendas com potencial eleitoral: segurança pública e proximidade com o agronegócio. Ainda assim, a ausência de um candidato com maior recall amplia o risco de dispersão do eleitorado moderado.Leia tambémSaúde, pressão e PGR: o que pode empurrar Moraes para decidir sobre BolsonaroParecer da PGR e quadro de saúde elevam expectativa por decisão do ministroMichelle se reúne com Moraes no STF após PGR defender prisão domiciliar a BolsonaroO encontro acontece no mesmo dia em que a Procuradoria-Geral da República (PGR) emitiu parecer favorável à concessão de prisão domiciliar ao ex-presidente Jair Bolsonaro Outro fator pesa contra o partido é a fragmentação dos palanques estaduais. O PSD mantém alianças distintas em diferentes regiões — ora apoiando Lula, ora Flávio —, o que dificulta a construção de uma campanha nacional coesa. A desistência de Ratinho, nesse contexto, evita uma candidatura com baixa sustentação política e reduz o custo de uma campanha com chances limitadas.Pressão externa influenciou decisãoA retirada também ocorre após pressão direta do PL. Integrantes da campanha de Flávio Bolsonaro buscaram o apoio de Ratinho para o primeiro turno, oferecendo espaço político em troca da desistência. O senador Rogério Marinho (PL-RN) chegou a formalizar a proposta, enquanto Flávio indicou apoio à candidatura de Sergio Moro ao governo do Paraná como parte da reorganização do palanque no estado.A sinalização reforça que a permanência de Ratinho na disputa presidencial criaria conflito direto com a estratégia do PL no Paraná. Sem acordo consolidado e diante de um cenário nacional desfavorável, a desistência passou a ser vista como uma saída pragmática.Impacto na corrida presidencialCom a saída do governador, a eleição tende a se concentrar ainda mais entre Lula e o campo bolsonarista. Ratinho, mesmo sem liderar pesquisas, aparecia como uma alternativa com capacidade de crescimento, especialmente em um cenário de fadiga da polarização.Na simulação de segundo turno da Quaest, ele registrava 33% contra 42% de Lula, uma diferença que já foi menor meses antes. Esse desempenho indicava algum potencial de competitividade, hoje ausente nos demais nomes do PSD.A decisão também traz implicações para a trajetória de Ratinho. Sem possibilidade de reeleição no Paraná e sem candidatura presidencial, o governador ficará sem mandato a partir de 2027. Ele já descartou disputar o Senado e também rejeitou a hipótese de ser vice.Esse cenário reduz sua visibilidade política no curto prazo e impõe o desafio de se manter relevante até uma eventual tentativa presidencial em 2030. Ao optar por concluir o mandato, Ratinho preserva capital político regional, mas abre mão de testar sua força nacional em um momento em que seu nome ainda estava em construção.The post Saída de Ratinho expõe fragilidade do PSD e redesenha disputa de 2026 appeared first on InfoMoney.
