O choque geopolítico global provocado pelo conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã, somado ao fechamento do Estreito de Ormuz, tinha o potencial de engatilhar uma forte disparada da moeda norte-americana. No entanto, o impacto cambial no Brasil surpreendeu pela moderação. De acordo com José Alfaix, economista da Rio Bravo, três fatores fundamentais — que vão desde a atratividade da Selic até a perda de status do dólar sob a gestão Trump — serviram como um escudo para o real, evitando um prejuízo consideravelmente maior para a economia doméstica.Leia também: As ações mais recomendadas para investir em abrilOs três vetores que contiveram o câmbioEnquanto o mercado financeiro internacional reage com tensão a uma crise que envolve o fechamento da rota por onde passa 20% do petróleo global, o comportamento do dólar não replicou a fuga de capitais esperada.O economista da Rio Bravo elenca três explicações centrais para esse cenário menos severo que o antecipado. A primeira delas é a atratividade da taxa de juros, com a atual política monetária brasileira como o principal ímã de proteção. Segundo Alfaix, a Selic em 14,75% mantém o carrego do real muito atrativo para o investidor, compensando o risco.O segundo ponto é o fator político nos EUA, com a mudança na procura automática pela moeda americana em tempos de crise. Na avaliação de Alfaix, “a gestão Trump segue corroendo a credibilidade do dólar como ativo de refúgio”. Nessa busca por alternativas, o mercado brasileiro se sobressai.O terceiro ponto é a posição estrutural e comercial do país, que atenua o choque direto na balança. Alfaix destaca que o Brasil é exportador líquido de petróleo e, por isso, menos impactado que importadores como o Japão.A resiliência em númerosEssa blindagem parcial apontada pela Rio Bravo reflete-se de forma clara nas cotações. Na véspera da deflagração do conflito, o dólar operava a R$ 5,13. Passado mais de um mês, no fechamento de março, a moeda encerrou cotada a apenas R$ 5,18. O ouro, outro tradicional porto seguro em momentos de pânico, seguiu um comportamento semelhante. “Para um choque que envolve o fechamento de uma rota por onde passa 20% do petróleo global, é menos que o antecipado”, avalia Alfaix.Aversão ao risco segue castigando juros e bolsasEmbora o câmbio tenha sido protegido pelos três fatores, o economista da Rio Bravo alerta que “não é como se o cenário fosse positivo”. No quadro geral, o mercado obedece à cartilha tradicional de aversão ao risco (risk-off), assustado pela possibilidade de uma nova pressão inflacionária global.A reprecificação castiga outros ativos, mas”dentro do esperado”, segundo Alfaix. Ele cita que as bolsas internacionais já devolveram todos os ganhos acumulados em janeiro e fevereiro. No Brasil, o Ibovespa recua de seu pico pré-conflito e o mercado lida com uma abertura da curva de juros.O medo da inflação se materializou nas revisões do boletim Focus, onde a expectativa do IPCA saltou de 3,91% para 4,31%.Apesar do cenário de turbulência e da forte pressão sobre a renda fixa e variável, a conclusão da Rio Bravo é que se não fossem os três vetores que hoje sustentam o atrativo do Brasil frente à moeda americana, o prejuízo econômico dessa crise seria maior.The post Selic alta e ‘fator Trump’ seguram o dólar sob tensão no Oriente Médio, diz Rio Bravo appeared first on InfoMoney.
