Semana inicial do CEO da Disney é marcada por turbulências com Fortnite e OpenAI

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O CEO da Disney, Josh D’Amaro, mal completou a primeira semana no cargo e já viu duas apostas bilionárias em tecnologia darem errado — uma delas desmoronando de vez.Um acordo considerado histórico, fechado entre Disney e OpenAI no fim do ano passado, se desfez de forma abrupta nesta terça-feira (24), quando a startup de inteligência artificial anunciou que vai encerrar o Sora, seu aplicativo de geração de vídeos, como parte de um movimento para enxugar a linha de produtos. Com isso, foi por água abaixo uma parceria de três anos, que incluía um investimento de US$ 1 bilhão e previa o uso de cerca de 200 personagens da Disney — de Star Wars, Marvel e outras marcas — em vídeos curtos gerados por IA, além de conteúdo para o Disney+.Leia tambémMeta mira valor de mercado US$ 9 tri com plano de remuneração executiva ligado à IAA atual capitalização de mercado da controladora do Facebook é de US$ 1,5 trilhão, com base no preço de fechamento de ontem, de US$ 592,92Bilionário dá US$ 3,5 milhões a cineastas que retratem a IA como heroína, e não vilãA proposta busca estimular visões otimistas do futuro, destacando colaboração entre humanos e tecnologiaMais cedo no mesmo dia, a Epic Games havia comunicado a demissão de 1.000 funcionários depois que novas versões do seu fenômeno Fortnite não emplacaram entre os jogadores. D’Amaro foi o principal articulador do investimento de US$ 1,5 bilhão na Epic, anunciado pela Disney há dois anos, que envolvia a criação de um novo universo digital baseado em personagens e histórias da empresa.Ao assumir o posto de Bob Iger em 18 de março, D’Amaro apresentou uma visão de uma Disney mais próxima dos fãs, em parte por meio do uso intensivo de novas tecnologias. Segundo ele, o Disney+ deve se tornar um portal não só para filmes e séries, mas também para jogos e experiências interativas. A meta era “entregar uma experiência mais conectada, personalizada e imersiva para nossos consumidores – onde quer que estejam e sempre que quiserem se conectar conosco”.A parceria com o Sora era vista como o pontapé inicial dessa estratégia. O acordo estava entre as primeiras iniciativas de um grande estúdio de Hollywood com a nova geração de tecnologias de IA, que muita gente na indústria teme que possa acabar com empregos e facilitar o uso indevido de propriedade intelectual.“A Disney provavelmente será a mais prejudicada com o encerramento do Sora pela OpenAI”, escreveu a analista Geetha Ranganathan, da Bloomberg Intelligence, em relatório. “Esperamos que a Disney busque um novo parceiro para aumentar a monetização de suas franquias entre o público mais jovem e, ao mesmo tempo, criar um funil para o desenvolvimento de novas franquias.”As ações da Disney caíam menos de 1% no começo do pregão desta quarta-feira (25) em Nova York.Em comunicado divulgado após o anúncio sobre o Sora, a Disney afirmou que o campo da IA ainda é embrionário e passa por mudanças rápidas. A empresa disse que valorizou a colaboração com a equipe do Sora e que “continuará a se conectar com plataformas de IA para encontrar novas maneiras de atender os fãs”.D’Amaro ainda pode encontrar outro parceiro em IA. Runway AI, Pika AI e Google estão entre as empresas que desenvolvem soluções similares ao Sora.Ainda assim, a decisão da OpenAI de recuar do segmento de vídeo “vai na direção contrária da ideia de que o vídeo gerado por IA vai dominar os hábitos de consumo de conteúdo em vídeo”, escreveram analistas da Raymond James liderados por Ric Prentiss, em nota a investidores.Segundo eles, a relação entre empresas tradicionais de vídeo — como cinema e TV — e a inteligência artificial será “multifacetada, com inúmeros benefícios e oportunidades, além de desvantagens e riscos”. “Acreditamos que, por mais poderosa que a IA já seja e ainda possa se tornar, empresas de mídia tradicionais que não se adaptarem e não atuarem tanto na defesa quanto no ataque podem enfrentar ameaças significativas”, escreveram.O acordo com a Epic foi costurado por D’Amaro, que antes comandava a área de parques temáticos, produtos de consumo e negócios de games da Disney. Quando a parceria foi anunciada, a empresa chegou a mostrar ilustrações de um mundo online em Fortnite que lembrava um parque temático digital. D’Amaro passou a participar do conselho da Epic como observador.Em um comunicado interno a funcionários e fãs, também na terça-feira, o fundador e CEO da Epic, Tim Sweeney, afirmou que a queda no engajamento em Fortnite fez a companhia gastar mais do que arrecadava. Segundo ele, cerca de US$ 500 milhões em cortes de custos devem preparar o terreno para “planos de lançamentos enormes no fim do ano”. Sweeney não comentou o novo produto em parceria com a Disney.© 2026 Bloomberg L.P.The post Semana inicial do CEO da Disney é marcada por turbulências com Fortnite e OpenAI appeared first on InfoMoney.

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