O mercado financeiro costuma premiar quem acerta mais. No entanto, ao longo de mais de duas décadas operando, o trader dinamarquês Tom Hougaard construiu uma tese que vai na contramão dessa lógica: no trading, vencer não está em ganhar mais vezes, mas em saber perder melhor.
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Na prática, essa visão desafia um dos pilares mais enraizados entre traders: a ideia de que acertar mais é o caminho para ganhar dinheiro. Para Hougaard, essa crença não apenas está errada — ela é justamente o que leva a maioria dos traders à quebra.
Conhecido globalmente pelo livro Best Loser Wins, Hougaard desenvolveu sua abordagem após anos observando o comportamento de traders de varejo — especialmente durante sua passagem por uma mesa institucional na Europa. O que ele viu, segundo sua leitura, foi um padrão repetitivo e silencioso: traders com alta taxa de acerto quebrando contas inteiras em poucos dias.
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O padrão invisível do mercado
Ao analisar milhares de contas ao longo de anos, Hougaard percebeu que o problema não estava na técnica. Muitos traders dominavam indicadores, padrões gráficos e ferramentas avançadas — mas, ainda assim, não conseguiam manter a consistência.
Na prática, o que ele observou foi uma dinâmica recorrente: ganhos pequenos e frequentes seguidos por perdas grandes e descontroladas. Esse comportamento não é exceção — é o padrão dominante entre traders de varejo, independentemente do nível técnico.
Esse diagnóstico levou a uma conclusão direta: não é a análise técnica que falha, mas a forma como o trader reage quando está errado. E é exatamente nesses momentos que a esperança, segundo ele, se torna um dos maiores inimigos do trader.
Mesmo com o avanço tecnológico, maior acesso à informação e uma infinidade de conteúdos educacionais, a taxa de fracasso no trading permanece praticamente inalterada. Ou seja, mais informação não resolveu o problema — porque o problema nunca foi a falta dela.
Para Hougaard, a grande armadilha está na crença de que dominar indicadores e padrões será suficiente. Não será. A análise técnica pode estruturar a operação, mas não sustenta a execução sob pressão.
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Bastidores das corretoras
Um dos pontos mais sensíveis de sua trajetória vem da experiência dentro de corretoras. Hougaard relata que, ao longo do tempo, instituições passaram a segmentar clientes por comportamento e tamanho de conta — não como forma de manipulação, mas como estratégia de gestão de risco.
O dado mais relevante, porém, não estava no sistema em si, mas na estatística: a esmagadora maioria dos traders perdia dinheiro ao longo do tempo, mesmo operando com acesso a informações, ferramentas e preços considerados justos.
Ao conviver diariamente com esse ambiente, ele passou a enxergar o mercado de forma mais crua: não como um jogo de análise, mas como um campo onde decisões emocionais, sob pressão, definem quem permanece e quem é eliminado. Mais do que isso, ele percebeu que o mercado não pune a falta de conhecimento — ele pune a incapacidade de lidar com perdas.
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O papel da mente
No centro da abordagem de Hougaard está a ideia de que o cérebro humano não foi projetado para operar no mercado financeiro. Em situações de risco, a tendência natural é evitar dor, buscar conforto e agir com base em emoções — exatamente o oposto do que o trading exige.
Esse conflito se manifesta de forma clara: traders tendem a segurar posições perdedoras por esperança de recuperação e encerrar posições vencedoras cedo demais por medo de devolver lucro. Na prática, o trader faz exatamente o oposto do que deveria fazer.
Segundo sua leitura, esse padrão não é falta de conhecimento, mas uma resposta biológica ao risco. Para ele, um cérebro “normal” está programado para falhar no trading — porque evita dor, busca alívio e se apega à esperança. É nesse ponto que sua abordagem ganha força: o maior desafio do trader não é prever o mercado, mas agir contra seus próprios instintos.
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Escalar risco com estrutura
Outro ponto central de sua filosofia está no aumento progressivo de posição. Para Hougaard, não é possível alcançar resultados relevantes operando sempre com tamanho mínimo — mas escalar risco sem preparo psicológico tende a gerar colapso emocional.
Ele compara esse processo a atletas de alta performance, que expandem seus limites gradualmente por meio de repetição e exposição controlada ao desconforto. Isso significa que crescer no trading não é apenas ganhar mais — é suportar emocionalmente volumes maiores sem comprometer a execução.
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Execução acima da técnica
Apesar de desenvolver estratégias próprias, Hougaard reforça que a técnica tem um papel limitado sem consistência comportamental. Ele defende modelos simples, mas executados com disciplina extrema — especialmente em momentos de pressão.
A lógica é direta: a estratégia pode até ser simples, mas segui-la quando o mercado vai contra exige um nível de controle emocional que poucos conseguem sustentar.
Por isso, o verdadeiro diferencial não está na complexidade do método, mas na capacidade de executar o plano mesmo quando tudo dentro do trader diz para fazer o contrário.
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Ganhos, perdas e aprendizado
A trajetória de Hougaard inclui episódios extremos. Ele relata ter obtido ganhos expressivos em movimentos de mercado, como durante a pandemia, mas também enfrentado perdas relevantes ao não ajustar sua leitura diante de mudanças no cenário.
Durante esse período, ele chegou a acumular lucros extremamente expressivos em um curto espaço de tempo, operando a favor do movimento de queda dos mercados.
No entanto, quando o cenário mudou e os bancos centrais passaram a intervir, parte significativa desses ganhos foi devolvida rapidamente. A reversão foi violenta — e expôs, de forma prática, o risco de se apegar a uma leitura mesmo quando o mercado já havia mudado. Mais do que o impacto financeiro, esses episódios tiveram peso psicológico.
O impacto não foi apenas financeiro, mas emocional: a frustração veio não pela perda em si, mas por reconhecer que havia agido fora do próprio método. Foi um choque de realidade: mesmo após anos de experiência, ele ainda estava sujeito aos mesmos erros que critica — e isso teve um peso psicológico ainda maior do que a perda financeira.
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O conceito de “melhor perdedor”
No fim, a proposta de Hougaard é quase contraintuitiva. Em vez de buscar perfeição, ele defende que o trader deve aceitar a imperfeição como parte do processo.
Ser um “bom perdedor”, na sua visão, significa cortar prejuízos rapidamente, evitar decisões emocionais e manter consistência mesmo em cenários adversos. Significa, acima de tudo, eliminar a esperança como estratégia — porque esperar não é gerenciar risco.
Em um mercado onde a maioria busca prever o próximo movimento, Hougaard constrói sua abordagem em torno de um princípio mais simples — e mais difícil de executar: sobreviver aos erros. Porque, no fim, não é o trader que mais acerta que vence, mas aquele que consegue continuar no jogo mesmo depois de errar.
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