As ações da Vale (VALE3) registram baixa acumulada de cerca de 11% e caminham para fechar em queda em março, em um cenário de aversão global a risco que permeou todo o período com a guerra no Irã. Enquanto isso, ainda que com volatilidade, o minério de ferro com 62% de pureza negocia acima dos US$ 110 a tonelada (t), com ganhos acumulados de cerca de 8% no mesmo período. Mesmo com a queda dos ativos, analistas têm reforçado sua visão positiva para a mineradora. Em relatório recente, o JPMorgan reiterou a Vale como a opção mais barata no setor. O banco ainda reiterou recomendação de compra para os ativos, com preço-alvo de R$ 96 para VALE3 e US$ 18 para o ADR (recibo de ações negociado em Nova York). O banco vê um cenário desafiador, marcado por tensões no Oriente Médio, problemas climáticos na Austrália e discussões sobre oferta na China. Contudo, a mineradora brasileira tem vantagem competitiva.A visão é de que a Vale negocia a cerca de 4,6 vezes o valor da firma sobre o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações), enquanto as concorrentes globais operam próximos de 5,1 vezes. O Bradesco BBI ressalta que o pano de fundo estrutural para o minério de ferro segue marcado por uma combinação de fatores que tende a manter a volatilidade elevada no curto prazo. As intervenções regulatórias na China — agora novamente incidindo sobre cargas da BHP e possivelmente avançando para outros blends australianos — reforçam a percepção de que o mercado continuará sujeito a ajustes administrativos conforme Pequim tenta equilibrar margens das siderúrgicas e estabilidade de preços. Ao mesmo tempo, a normalização gradual da atividade pós-Ano Novo Lunar vem sustentando uma recuperação mais consistente do lado da demanda, especialmente após semanas de restrições sobre altos-fornos.Leia tambémIbovespa Hoje Ao Vivo: Bolsa opera no vermelho, com exterior; petróleo sobePrincipais índices nos EUA recuam com petróleo em alta e acima de US$ 100Esse cenário se choca com um quadro de oferta ainda sensível, agravado pela pressão sobre custos logísticos, o que fornece sustentação adicional às cotações. Para alguns participantes do mercado, parte do rali recente reflete não apenas fundamentos, mas também um reposicionamento mais amplo dos agentes após o período de menor liquidez no início do ano. “Na prática, isso reforça a leitura de que o minério encontra suporte mais firme acima da faixa dos US$ 100/t, ainda que o mercado permaneça atento ao ritmo de reposição dos estoques portuários chineses — que finalmente voltaram a recuar após mais de três meses de altas consecutivas”, avalia. Nesse contexto, o BBI mantém a leitura de que o balanço entre fundamentos globais e sensibilidade regulatória continua favorecendo o minério de ferro, o que reforça a visão construtiva para Vale, para quem tem recomendação outperform (desempenho acima da média do mercado, equivalente à compra). O BTG Pactual também reiterou recomendação de compra e destacou visão positiva para as ações da Vale, com preço-alvo de US$ 15 por ADR após reuniões com Thiago Lofiego (RI) e Marcelo Bacci (CFO). No cenário atual, apontam os analistas, enxergam mais chance de revisões para cima de lucro do que de cortes. “O momento é claramente volátil, com a guerra no Oriente Médio se desenrolando de forma imprevisível, mas a Vale parece bem preparada para atravessar esse período. A companhia tem contratos de frete de longo prazo, hedge de bunker (combustível de navio) e é muito pouco provável que sofra com falta de diesel no Brasil, o que ajuda a mitigar pressões de custo que outros players podem enfrentar”, avaliam.Ao mesmo tempo, destacam, se beneficia de preços de minério de ferro em torno de US$ 110/t, cerca de US$ 10/t acima do consenso. Neste momento, avalia, não há qualquer dificuldade em escoar volumes de minério para o mercado, e a demanda chinesa é descrita como resiliente/estável, com prêmios de qualidade ainda saudáveis (Carajás com prêmio de US$ 17/t). Já quanto à unidade de metais básicos (VBM) a gestão continua reforçando que um IPO não está na mesa por ora, com foco total em entrega e execução de projetos. “A disciplina de capital segue firme, com apetite muito limitado para M&A, enquanto dividendos extraordinários parecem cada vez mais prováveis à frente, à medida que os fluxos de caixa continuam surpreendendo positivamente. Em resumo, a mensagem foi consistente e tranquilizadora”, apontam. A XP Investimentos, por sua vez, tem recomendação neutra para os papéis, mas ressalta que o valuation da Vale vem reduzindo a diferença em relação ao que os preços das commodities sugerem, com as ações revertendo parte da assimetria negativa (após a queda do papel frente aos preços do minério de ferro nas últimas semanas) e agora negociando mais próximas do que os preços spot das commodities implicariam para a ação.De acordo com compilação LSEG, de 15 casas que cobrem o ativo VALE3, 7 possuem recomendação de compra e 8 possuem recomendação neutra. Já para os ADRs, de 25 casas que cobrem VALE, 14 possuem recomendação de compra e 11 possuem recomendação neutra. The post Vale cai 11% no mês, apesar de alta do minério; mas por que mercado segue otimista? appeared first on InfoMoney.
