Vale (VALE3) divide analistas após rali: momento de otimismo ou de cautela?

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Apesar da recente valorização das ações da Vale (VALE3), com os ADRs (recibos de ações negociados nos EUA) acumulando alta de 24% no ano, o Itaú BBA acredita que a empresa continuará se beneficiando de um momento positivo, sustentado pela tese de desvalorização das moedas, com investidores buscando ativos reais, além de tendências operacionais favoráveis. O BBA reiterou recomendação de outperform (desempenho acima da média, equivalente à compra) e elevou o preço-alvo para US$ 19,00 por ação, contra US$ 14,00 anteriormente. Na última terça-feira (2), as ações VALE3 subiram 4,92%, a R$ 88,99, com salto de 23% somente em 2026. O BBA espera que o bom momento persista, impulsionado por fortes melhorias operacionais, pela tendência de desvalorização das moedas e pela entrada de capital estrangeiro no Brasil.Leia tambémJPMorgan vê desafio para siderúrgicas apesar de medida comercial; Gerdau é preferidaBanco reiterou sua preferência pelas ações da Gerdau União Pet (AUAU3): qual visão dos bancos para as ações após conversas com executivosCompanhia acredita que seu ecossistema integrado oferece alavancas competitivas relevantes para enfrentar os marketplaces, ao mesmo tempo em que enxerga um amplo espaço para crescimento no BrasilO interesse dos investidores pela mineradora aumentou de forma relevante, refletindo não apenas as melhorias operacionais, mas também o impulso macroeconômico mais amplo, especialmente a retomada da demanda por exposição a ativos reais e a mercados emergentes. Nesse ambiente, segundo o BBA, a Vale naturalmente se destaca como uma das principais beneficiárias da entrada de recursos no país, dado seu peso significativo no mercado acionário local (cerca de 11,7% do Ibovespa) e sua forte aderência à narrativa de ativos reais e desvalorização cambial.Com o posicionamento local ainda relativamente baixo e a participação estrangeira em tendência de alta, analistas acreditam que a dinâmica de fluxos deve continuar favorável, permitindo a extensão da recente valorização dos papéis.Além disso, o Itaú BBA elevou as projeções de Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) para 2026 e 2027 para incorporar preços mais altos dos metais básicos, que mais do que compensam as revisões negativas na divisão de ferrosos, em função de menores volumes.O Ebitda deve atingir US$ 18 bilhões em 2026, 7% acima da projeção anterior, principalmente em função do impacto de marcação a mercado da recente alta dos preços dos metais básicos. Para metais básicos, o Ebitda esperado é de US$ 5,1 bilhões em 2026, um aumento de 57% em relação à estimativa anterior. Para 2027, a estimativa é de EBITDA de US$ 18,6 bilhões, 4% acima da projeção anterior.O BBA ainda espera que o ritmo de desalavancagem se acelere a partir deste ano, abrindo espaço para dividendos extraordinários. O banco prevê que a Vale encerrará 2026 com dívida líquida expandida de US$ 15,7 bilhões. Considerando apenas pagamentos mínimos de dividendos (com yield, ou rendimento, médio de 6%), o banco projeta que a dívida líquida expandida recue para US$ 14,5 bilhões em 2027 e US$ 12,5 bilhões em 2028, abaixo da meta da companhia, criando assim espaço para distribuições extraordinárias.Por outro lado, a Genial tem uma visão mais cautelosa para mineradora, com recomendação neutra e preço-alvo de R$ 90, pois vê que a forte valorização recente já eliminou o desconto anterior nos papéis e deixou a companhia negociando próxima ao que consideram seu valor justo.Segundo o relatório, após uma alta de cerca de 55% em seis meses – com aproximadamente dois terços desse movimento concentrados nos últimos 60 dias, impulsionada por fortes fluxos estrangeiros para a bolsa brasileira e pela reprecificação do minério de ferro -, o chamado equity catch up estaria concluído.Na avaliação da Genial, o valor de mercado da companhia encontra-se hoje alinhado ao valor justo. O FCF yield (retorno do fluxo de caixa livre em relação ao valor da ação) projetado para 2026 recuou para 9%, ante 14% anteriormente, o que representa uma compressão de cinco pontos percentuais em apenas dois meses.Em termos de múltiplos, o EV/Ebitda (valor da empresa em relação ao Ebitda) estimado para 2026 está em 5,3 vezes, levemente acima da média histórica de 5 vezes, indicando que o desconto observado anteriormente foi eliminado. Já o dividend yield (retorno em dividendos ao acionista) projetado para 2026 caiu para cerca de 8%, ante 12% antes.Além das questões de valuation, os analistas da Genial ponderam que os recentes episódios de extravasamento de água ocorridos em 25 de janeiro nas operações de Fábrica (MG) e Viga (MG) geraram ruído de curto prazo, mas não justificam, por ora, uma revisão estrutural da tese de investimento. Segundo o relatório, os eventos foram causados por chuvas intensas e se originaram em cavas de mineração, e não em barragens de rejeitos. Não houve envolvimento de rejeitos, vítimas ou impactos a comunidades locais, o que torna exageradas as comparações com os desastres de Mariana e Brumadinho.Embora o episódio ambiental seja visto como incomparável às tragédias passadas, a Genial Investimentos avalia que ele representa um risco marginal adicional e, combinado com a forte alta recente e a compressão dos indicadores de retorno, reforça a decisão de manter postura cautelosa com a ação neste momento, sustentando a recomendação neutra.De acordo com os analistas que cobrem a ação da VALE3, segundo compilação da LSEG, 9 possuem recomendação de compra, enquanto 6 possuem recomendação neutra. O preço-alvo, por sua vez, é de R$ 78,10 em sua média, valor 12,2% menor frente o fechamento da véspera, mostrando a forte alta recente dos ativos – e as revisões não conseguiram acompanhar.The post Vale (VALE3) divide analistas após rali: momento de otimismo ou de cautela? appeared first on InfoMoney.

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