A Vista Capital, que tem João Landau como CIO, anunciou que passou a se posicionar vendida em ações da Petrobras (PETR4), revertendo uma posição comprada que havia sido mantida por quase seis anos. O movimento marca uma virada na leitura da casa sobre a estatal, com críticas à política de dividendos, à governança e à sustentabilidade financeira da companhia, após o balanço divulgado na semana passada.Segundo a gestora, o principal motivo da mudança é o desaparecimento da “margem de segurança” que historicamente justificava a posição comprada. “Embora persistam sinais de deterioração na governança e iniciativas de investimento questionáveis, o fator mais relevante hoje é a ausência de margem de segurança”, escreveu a Vista em carta a investidores divulgada nesta quarta-feira (13).A análise da casa se apoia no resultado do segundo trimestre, quando a Petrobras gerou R$ 42,5 bilhões de caixa operacional, mas consumiu R$ 38,1 bilhões entre capex, leasing e juros, uma geração líquida de caixa de apenas 1% no trimestre. Apesar disso, a estatal optou por pagar dividendos quase duas vezes superiores à geração de caixa, financiando o pagamento com aumento de endividamento.A Vista critica a estratégia herdada do governo anterior de distribuir integralmente o caixa disponível, classificando-a como “incompatível com a estrutura de compromissos de leasing e capex de longo prazo da companhia”, que já superam os R$ 140 bilhões anuais.“É como vender um imóvel para aplicar o capital no CDI e, ao mesmo tempo, comprometer-se com o pagamento de aluguel vitalício — uma combinação que não preserva o principal e reduz a resiliência no longo prazo”, comparou a gestora.Leasing, governança e preço do barrilA carta ainda aponta que o modelo de afretamento de plataformas, que envolve contratos de leasing de longo prazo, é subavaliado pelo mercado. Segundo a Vista, a dívida implícita nesses compromissos pode ser até quatro vezes maior que o valor refletido nos balanços, o que “superestima a real capacidade da Petrobras de investir e distribuir dividendos”.A avaliação é de que, com o barril de petróleo cotado em torno de US$ 70, a geração de caixa livre da companhia já é mínima. Se houver queda mais acentuada da commodity, “a empresa será forçada a cortar dividendos e reduzir investimentos, ou revisitar debates sobre sua solvência, como no período Dilma”.Embora a gestora reconheça que o pré-sal brasileiro continua sendo um ativo de classe mundial, considera que a Petrobras como corporação “deixou de ser uma produtora de baixo custo quando se considera o peso estrutural de leasing e capex”.A gestora ainda destaca o aumento dos riscos de governança: à medida que se aproxima o ciclo eleitoral de 2026, a percepção é de piora institucional.“Ao contrário de ciclos passados, nem mesmo uma eventual vitória de centro-direita em 2026 resolveria essas fragilidades”, afirma a carta, reforçando que a margem de segurança exigida “deveria ser substancialmente maior que a atual”.Posição vendida já impactou fundos da casaEm julho, o movimento de venda em Petrobras contribuiu para o desempenho negativo dos fundos da Vista. A posição vendida na estatal foi contraproducente diante da alta da commodity, puxada por fatores geopolíticos, enquanto outras ações brasileiras caíam.No mês passado, os fundos Vista Multiestratégia, Vista Macro Absoluto, Vista Hedge e Vista Macro Previdência registraram rentabilidades de -12,6%, -9,3%, -6,0% e -2,2%, respectivamente. No ano, eles acumulam rentabilidade de 15,8%,10,7%, 11,6% e 9,4%.Apesar do prejuízo de curto prazo, a gestora mantém sua convicção de que o atual patamar do petróleo não é sustentável. “Seguimos convencidos de que os níveis atuais de preço não são sustentáveis no médio prazo”, diz a carta, mencionando estoques elevados, aumento da produção fora da OPEP+ e a pressão estrutural sobre a demanda por conta da transição energética.The post Vista Capital, de João Landau, fica vendida em Petrobras após 6 anos appeared first on InfoMoney.
