A XP Investimentos divulgou nesta terça-feira (10) uma atualização sobre a tese da WEG (WEGE3), reforçando que a companhia continua sendo uma “tese de crescimento crível”, apesar de um cenário mais desafiador para o curto prazo. Às 11h20 (horário de Brasília), as ações da WEG caíam 0,45%, a R$ 46,37.A corretora mantém a recomendação neutra sobre a compra das ações da WEG, destacando que, mesmo com fundamentos sólidos, o potencial de valorização é limitado nos níveis atuais de preço. Para 2026, a XP projeta em relatório um crescimento mais fraco, porém de caráter temporário, com a expansão da receita limitada a dígitos simples (+7% a 8%), pressionada por restrições de capacidade e câmbio.Leia mais: Confira o calendário de resultados do 4º trimestre de 2025 da Bolsa brasileiraTemporada de balanços do 4T25 em destaque: veja ações e setores para ficar de olhoA XP projeta que a receita da WEG cresça entre 13% e 15% ao ano ao longo desta década, uma estimativa construída a partir da análise detalhada de cada linha de negócio da empresa. O relatório destaca que essa trajetória é suficiente para justificar um múltiplo de 25 a 30 vezes o Preço sobre Lucro (P/L), patamar aceitável para uma companhia com alto Retorno sobre o Patrimônio Líquido (ROE).Mesmo com a postura cautelosa no preço, a corretora acredita que a “aceleração do crescimento de lucros deve sustentar múltiplos estruturalmente elevados nos próximos anos”, mantendo uma visão construtiva sobre a qualidade do ativo.LucroA XP projeta um lucro líquido da WEG de R$ 7,9 bilhões para 2027, o que coloca a empresa negociando a 25 vezes o lucro projetado. “Historicamente, os múltiplos da WEG variaram entre 20-30x P/L [preço sobre lucro], com reajuste em períodos de aceleração de lucros”, diz o relatório da empresa. Essa métrica sugere uma assimetria de retorno que varia de -5% a +21%, o que justifica a neutralidade da corretora diante do baixo prêmio de risco atual.Apesar do otimismo com o ROE elevado da companhia, o curto prazo enfrenta obstáculos. A XP aponta que a WEG entra em 2026 com crescimento limitado por:Câmbio: Impacto de um real mais valorizado frente ao dólar.Capacidade: Restrições na produção que impedem um salto imediato na receita.Valuation: O mercado já precifica grande parte das boas notícias, deixando pouco espaço para valorização adicional imediata.SegmentosO segmento de Transmissão e Distribuição (T&D) permanece como o “alicerce da tese”, de acordo com o relatório da XP, pois representa cerca de 42% do crescimento real esperado entre 2025 e 2030. “T&D continua sustentado por nova capacidade e por um ciclo plurianual de renovação de redes elétricas ao redor do mundo”, afirmam os analistas. A expansão de fábricas de transformadores no Brasil e no México deve suportar essa demanda global por eletrificação.Além disso, a corretora aponta que o mercado subestima os negócios cíclicos, como motores industriais e automação. “Motores industriais permanecem como o segundo maior vetor de crescimento adiante”, afirma o relatório.A estratégia de motion drive (soluções integradas de movimento) em mercados externos deve ajudar a WEG a crescer acima da média do mercado, mesmo em setores dependentes de ciclos de investimentos em commodities.Novas avenidasJá em relação das chamadas “novas avenidas de crescimento” (que incluem mobilidade elétrica, sistemas de armazenamento de energia (BESS) e condensadores síncronos) devem adicionar aproximadamente 3 pontos percentuais a Taxa de Crescimento Anual Composta (CAGR, na sigla em inglês) até 2030. “Cada uma dessas frentes deve se aproximar de R$ 1 bilhão em receita por ano até 2030”, prevê a XP.Embora esses novos segmentos ainda não alterem drasticamente o mix de faturamento hoje, eles “reforçam a capacidade da WEG de se posicionar à frente de mudanças estruturais”. A XP também espera que a área de serviços ganhe relevância, transformando a WEG em uma provedora orientada a soluções completas, o que tende a gerar receitas mais recorrentes e resilientes no longo prazo.The post XP: ações da WEG ainda têm potencial, mas há pouco espaço para alta no curto prazo appeared first on InfoMoney.
