50% vendidos antes de lançar: o teste que convenceu a Vitacon e a Housi sobre os 60+

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Sem campanha publicitária, sem lançamento aberto ao público e antes mesmo do início oficial das vendas, o primeiro projeto de senior living desenvolvido pela Vitacon com operação da sua irmã, a Housi, já teve metade de suas 400 unidades reservadas. O resultado ajudou a consolidar uma tese que vinha surgindo nos dados da empresa de moradia flexível: os brasileiros acima de 60 anos se tornaram o segmento que mais cresce dentro da base de locatários companhia.Há cinco anos, esse público representava cerca de 10% dos moradores da Housi. Hoje, responde por aproximadamente 30%, segundo Alexandre Frankel, CEO da empresa e fundador da Vitacon. Para ele, a mudança revela uma demanda habitacional que o mercado imobiliário tradicional ainda não conseguiu atender. “Quando desenhamos a Housi, o senso comum dizia que morar por assinatura era coisa somente de jovem. O que aconteceu foi que quem tem 60, 70 anos entendeu antes de muita gente que propriedade e moradia são duas decisões diferentes”, conta.Leia mais: Com mais autonomia, brasileiros 60+ se tornam mais importantes para setor de turismoO crescimento, segundo a companhia, foi mais acelerado do que o observado em qualquer outro perfil de morador da plataforma.“Existe uma demanda enorme de gente com 60 anos ou mais que não quer asilo, não quer condomínio fechado no interior e não quer ficar sozinha numa casa de 300 metros quadrados. Simplesmente não havia produto para essa pessoa”, afirma Frankel.Expansão da tese 60+A leitura da Housi é que parte dos brasileiros acima de 60 anos está adotando um movimento semelhante ao downsizing observado em mercados mais maduros: a troca de imóveis maiores por residências menores, mais práticas e localizadas em regiões com ampla oferta de serviços. Segundo Frankel, o fenômeno não está relacionado a restrições financeiras ou perda de autonomia, mas a uma mudança de estilo de vida. “É gente que está simplificando por escolha, não por limitação. Quer menos metro quadrado, mais cidade e mais liberdade para mudar de ideia”, diz. Entre os perfis observados estão aposentados, profissionais ainda em atividade, empreendedores, viúvos, divorciados e pessoas cujos filhos já deixaram a casa da família. Outro aspecto identificado pela companhia é que esse público tende a escolher a moradia mais pelo entorno do que pelo imóvel em si, priorizando a proximidade com hospitais, farmácias, mercados e opções de convivência.A aposta levou a Housi a ampliar seus planos para o segmento. A empresa afirma já ter contratos fechados para projetos voltados ao público sênior em bairros como Perdizes, Jardins e Moema, além de iniciativas no interior e litoral paulista e na Região Nordeste. Segundo a companhia, cerca de 50 projetos estão em análise. Atualmente, o segmento representa aproximadamente 10% do portfólio de lançamentos da Vitacon, participação que deve crescer nos próximos anos.Leia mais: Paulistas chegam cada vez mais tarde à paternidade; média está em 32 anosHigienópolis virou laboratórioO principal teste da estratégia é o Vitacon Senior powered by Housi, empreendimento com cerca de 400 unidades em Higienópolis, na região central de São Paulo. Anunciado no ano passado, o projeto foi concebido como um MVP (Produto Mínimo Viável) para validar a tese de senior living e calibrar soluções de arquitetura, acessibilidade, serviços e tecnologia que agora deverão ser replicadas em novos empreendimentos.A resposta do mercado foi um dos fatores que reforçaram a convicção da empresa. Segundo Frankel, cerca de metade das unidades já está reservada, embora o lançamento comercial para o público geral esteja previsto apenas para setembro de 2026. “Quando um produto vende metade sem ter sido anunciado, o que você está medindo não é esforço comercial, é demanda reprimida”, diz. Com unidades de 27 m² a 85 m² e Valor Geral de Vendas (VGV) estimado entre R$ 400 milhões e R$ 450 milhões, o empreendimento passou por uma curadoria técnica do Hospital Israelita Albert Einstein, que auxiliou na definição de soluções de arquitetura, acessibilidade, serviços e tecnologia embarcada voltadas ao público sênior.O projeto também contará com serviços sob demanda (pay-per-use), incluindo a possibilidade de contratação de acompanhantes e fisioterapeutas, além de ambientes planejados para estimular convivência, bem-estar, qualidade de vida e estímulo cognitivo. A previsão de entrega é de aproximadamente quatro anos.Leia mais: Financiamento imobiliário após os 50: veja limites, prazos e custosNem asilo, nem condomínio fechadoUma das conclusões da Housi é que o conceito de senior living ainda costuma ser confundido com residências assistidas ou instituições voltadas a pessoas dependentes. O perfil observado pela empresa, porém, é outro: moradores que buscam independência, conveniência e socialização sem abrir mão da autonomia.Essa percepção aparece inclusive entre os compradores do projeto de Higienópolis. Segundo a Vitacon, as reservas estão divididas entre investidores, familiares que compram pensando nos pais e os próprios futuros moradores. Cerca de um terço das pré-reservas foi realizado por pessoas acima de 60 anos adquirindo unidades para uso próprio. “Esse é o dado que mais chama atenção. É a pessoa de 60, 70 anos comprando para si mesma, decidindo sozinha onde e como quer viver os próximos vinte anos.”A adesão ao projeto não veio apenas dos futuros moradores. Parte relevante das reservas foi feita por investidores atraídos pela perspectiva de crescimento do segmento, uma aposta que, na avaliação de Frankel, está menos associada a uma mudança de comportamento e mais à transformação demográfica em curso no país. “Investidor não compra narrativa, compra ocupação e liquidez. O que ele está olhando é simples: o Brasil está envelhecendo mais rápido do que o mercado imobiliário está reagindo”, avalia.The post 50% vendidos antes de lançar: o teste que convenceu a Vitacon e a Housi sobre os 60+ appeared first on InfoMoney.

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