Seis em cada dez afirmações feitas por políticos e pré-candidatos que foram checadas pela Agência Lupa continham algum grau de distorção ou inverdade. O dado consta no estudo inédito “Anatomia da desinformação eleitoral: Como a mentira e os boatos políticos evoluíram no Brasil entre 2016 e 2026”, lançado nesta segunda-feira (27) pelo Observatório Lupa.Ao todo, foram analisados 632 conteúdos publicados pela Agência desde 2016, sendo 397 checagens de declarações políticas e 235 verificações de boatos envolvendo as eleições. Do total, somente 34% dos conteúdos foram considerados totalmente verdadeiros.Nas cinco eleições analisadas, a Lupa checou declarações de 237 atores políticos individuais (que participaram de mais de uma das eleições citadas). No total, foram capturadas as impressões de 176 homens e 61 mulheres, de diferentes correntes ideológicas, filiados a 37 partidos políticos.Leia tambémEm telefonema, Lula e Xi Jinping falam sobre cooperação, acordo comercial e guerrasEm chamada de mais de uma hora, líderes discutiram cooperação em alta tecnologia, livre navegação no Oriente Médio e fim do conflito na UcrâniaLula define ato de abertura da campanha no dia 16 e deve faltar a primeiro debateEvento no estádio da Vila Euclides, em São Bernardo do Campo, no ABC paulista ocorrerá no mesmo dia previsto para o primeiro debate da disputa eleitoral deste ano, realizado pela BandEntre os 23 atores políticos que tiveram mais de 30 frases avaliadas pela agência na última década, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) apresentou a maior proporção de declarações classificadas como “Falsas”. Das 236 afirmações verificadas, 102 receberam essa etiqueta, o equivalente a 43,2% do total.Na sequência, apareceram o ex-governador do Rio de Janeiro Wilson Witzel(38,9%) e o ex-prefeito do Rio de Janeiro Marcelo Crivella (36,2%).Confira o ranking:O estilo de Lula vs Jair BolsonaroA análise linguística das declarações falsas feitas por Jair Bolsonaro e pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao longo das disputas eleitorais também foi analisada.De acordo com a Lupa, os fatos checados mostram que a desinformação não se manifesta da mesma forma em todos os campos políticos. Cada campo tem um padrão distinto que difere em linguagem, temática e estratégia no uso de afirmações inverídicas.No caso de Lula, os pesquisadores da Lupa concluíram que uma parcela expressiva das declarações taxadas como falsas está relacionada à autoria ou ao pioneirismo de políticas públicas e programas governamentais.Por outro lado, Jair Bolsonaro costuma utilizar informações falsas ao apresentar números, percentuais e estatísticas para falar de economia, programas sociais, pandemia e indicadores do governo. Ele também foi taxado de falso por declarações que fez contra seus adversários políticos, destacadas pelo uso de expressões como “nunca”, “jamais”, “nenhum” e “sempre”.Mentiras e desinformaçãoO levantamento também analisou 286 conteúdos virais que circularam nas redes sociais sem autoria identificada ou fonte declarada durante o período.Neste caso, o cenário é ainda mais expressivo: nove em cada dez boatos eleitoral que viralizaram continham informações comprovadamente falsas (90,9%). O número O estudo destaca que as mentiras virais procuraram oferecer “provas” da desinformação pregada. Vídeos, fotografias, documentos e até mesmo supostos áudios eram utilizados para conferir falsa aparência de autenticidade aos boatos. Na maior parte do conteúdo analisado, o problema não estava na imagem, mas no contexto em que ela era apresentada.De acordo com a análise, a desinformação eleitoral através dos anos passou a depender menos da veiculação de conteúdos completamente falsos e passou a apostar mais na manipulação, distorção ou retirada de contexto dos fatos reais. O levantamento revela que, ao longo dos anos, embora o número de conteúdos falsos tenha se mantido alto, o crescimento das postagens consideradas como “falta contexto” indica uma sofisticação da maneira como a desinformação vem sendo produzida.Em 2024, embora conteúdos etiquetados como falsos continuem sendo amplamente dominantes (81,5%), conteúdos taxados como “falta contexto” somaram 13%“Isoladamente, esse resultado não permite afirmar que houve uma transformação estrutural na natureza dos boatos eleitorais. Ele, porém, dialoga com a principal hipótese deste estudo: à medida que a desinformação se sofisticou no discurso de atores políticos, também começaram a surgir conteúdos virais baseados em fatos reais apresentados de maneira incompleta, descontextualizada ou deliberadamente enganosa”, destaca trecho do estudo.Além disso, 58,7% das verificações feitas pela Lupa identificaram conteúdos que manipulavam pesquisas, resultados ou a apuração das urnas com o objetivo de influenciar a percepção sobre a legitimidade das urnas.Boatos viraisA consolidação de agrupamentos em que a desinformação ocorre no formato de boatos eleitorais também pode ser observada com base nos conteúdos que mais circularam nas redes sociais ao longo das cinco eleições analisadas durante o período.A análise das 286 verificações eleitorais publicadas entre 2016 e 2024 mostra que esse conteúdo se organiza em três pontos principais: ataques ao sistema eleitoral (73,1%); conteúdos que tentam destruir a reputação de candidatos e partidos (66,1%) e publicações que tentam manipular resultados de pesquisa e das urnas (58,7%).Entre as alegações mais recorrentes estão mensagens de que “a urna computou votos errados”, que “o resultado foi manipulado” e que o Tribunal Superior Eleitoral esconde informações.Mudança na forma de circulaçãoO levantamento também mostra uma migração da veiculação de desinformação no ambiente digital: em 2018, o Facebook apareceu em 76,5% das verificações realizadas; em 2022 o Whatsapp também estava presente em 92,4% dos casos; já em 2024 o aplicativo de mensagens entre usuários foi registrado em todas as verificações.“À medida que redes sociais abertas ampliaram seus mecanismos de moderação e passaram a sofrer maior escrutínio público, os conteúdos enganosos migraram para aplicativos de mensagem e outros ambientes privados ou semiprivados”, reforça o estudo.Na conclusão do estudo, a Lupa alerta ainda para o avanço da inteligência artificial nas eleições de 2026. O conteúdo artificial gerado com a tecnologia aparece discretamente nos dados produzidos até 2024, mas pesquisadores afirmam que as ferramentas deverão ter um impacto significativo a partir deste ciclo eleitoral.The post 60% das falas de políticos checadas mostram algum grau de distorção, diz estudo appeared first on InfoMoney.
