Quando o verão e as altas temperaturas chegam, buscamos todas as maneiras possíveis para se refrescar. Ter plantas em casa é uma delas, já que liberam vapor d’água pelas folhas e consomem calor do ambiente, além de bloquearem a radiação solar direta, evitando que paredes, janelas e pisos absorvam a quentura.
Porém, assim como todo ser vivo, as plantas também sofrem com o calor, e se não forem cuidadas corretamente, podem acabar morrendo, o que arruinará o seu jardim.
“O verão é traiçoeiro. O erro mais comum é confundir calor com sede, exagerando na rega e provocando encharcamento. Outro clássico é plantar ou transplantar espécies sensíveis justamente quando o estresse climático está no auge”, explica a paisagista Clariça Lima, à frente do estúdio homônimo. “Também é comum podar demais, expondo folhas e ramos jovens a um sol que não perdoa.”
Ainda, segundo ela, o segredo para manter o jardim exuberante e saudável está no simples: “O jardim sofre menos quando o foco é a manutenção mínima e a observação atenta”.
Conversamos com a paisagista Clariça e Rodrigo Gheller, do escritório Terraço Paisagismo, para esclarecer as principais dúvidas e indicar boas soluções. Confira:
Por que algumas plantas não resistem a altas temperaturas?
Muitas espécies de plantas não aguentam o calor extremo porque não têm adaptações fisiológicas para lidar com a alta radiaçãoPexels/Skylar Kang/Creative Commons/Reprodução
No paisagismo, o que define a insolação é a duração diária do sol e a intensidade nos horários mais críticos.
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“Em geral, consideramos de sol pleno as áreas que recebem entre 6 e 8 horas ou mais de iluminação solar direta por dia. Quando essa insolação ocorre principalmente entre 11h e 14h, o estresse térmico é maior”, pontua Rodrigo.
Assim, muitas plantas não resistem porque não têm adaptações fisiológicas para lidar com a alta radiação, a perda excessiva de água e o aquecimento do solo, resultando em desidratação acelerada, queimadura foliar e colapso fisiológico, mesmo com regas frequentes.
Diferença entre plantas que “gostam de sol” e as que realmente toleram calor extremo
Parece se tratar da mesma característica, mas não é. Há dissemelhança entre as plantas que precisam da irradiação solar direta das que conseguem sobreviver a climas extremos.
O primeiro caso ocorre quando o vegetal precisa receber luz solar direta, mas conta com cuidados apropriados, como solo fresco e irrigação regular; já no segundo, tem espécies que se adaptam para armazenar água, reduzir a transpiração, entrar em dormência parcial e resistir à oscilação hídrica.
Os cactos e as suculentas são plantas que se adaptaram para serem resistentes às altas temperaturasUnsplash/Yen Vu/Creative Commons/Reprodução
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“Os cactos, por exemplo, além de exigirem sol direto, têm sistemas eficientes de armazenamento de água, o que os torna altamente resistentes ao calor”, aponta Rodrigo.
Os erros mais comuns ao cuidar do jardim no calor
Segundo ambos os profissionais consultados, o erro frequente é a irrigação inadequada e exagerada. “Com o aumento da incidência solar, muitas pessoas regam mais sem considerar que cada estação altera o ritmo de evaporação do solo”, explica o paisagista.
Conforme Clariça e Rodrigo, as principais falhas cometidas no período são:
Plantar ou transplantar espécies sensíveis justamente quando o estresse climático está no auge;
Podar demais, expondo folhas e ramos jovens a um sol extremo;
Regar no horário com mais insolação, já que as gotículas de água restantes nas folhas formam uma lente que as queimam;
Falta de um plano de adubação. “O verão é um período de alta demanda nutricional, e a ausência de reposição adequada enfraquece o jardim”, explica Clariça;
Falta de atenção aos primeiros sinais de estresse das plantas.
Sinais de estresse térmico
A perda do viço das plantas é um dos primeiros sinais de que a planta pode estar sofrendo com o calorFreepik/Creative Commons/Reprodução
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“Os primeiros sinais são sutis: folhas levemente opacas, bordas enroladas, perda de viço nas horas mais quentes do dia. Depois vêm manchas queimadas, amarelamento irregular e queda precoce de folhas ou flores”, orienta a paisagista.
Segundo ela, um bom termômetro é observar a planta no final da tarde: se ela não ‘se recupera’ após o pico de calor, o alerta já está aceso
Como irrigar as plantas no verão
A rega deve sempre ser feita preferencialmente no início da manhã, quando o sol ainda é ameno e a água pode ser melhor absorvida pelo solo.
“Regar durante o sol intenso aumenta a evaporação e pode elevar a temperatura do solo, prejudicando o sistema radicular”, esclarece Rodrigo.
Segundo ele, a rega no final do dia não apresenta esse risco térmico, mas ocorre quando a planta está com menor atividade fisiológica, o que reduz o aproveitamento da água e pode favorecer fungos dependendo da espécie.
Para Clariça, a regra de ouro é regar menos vezes, mas com profundidade: “Regas superficiais e diárias estimulam raízes rasas, que sofrem mais com o calor”.
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Espécies que sobrevivem a altas temperaturas e ao calor
A espada-de-São-Jorge é uma das espécies que tolera bem o sol intenso e se adaptou para armazenar água e resistir à oscilação hídricaFreepik/Creative Commons/Reprodução
Mais do que saber escolher as espécies corretas, deve-se prestar atenção em alguns aspectos, como a insolação do espaço, a implantação de um sistema de irrigação automatizado ajustado à demanda das plantas e um plano de adubação adequado.
“Em jardins expostos ao sol direto por muitas horas, a palavra-chave é resiliência. As espécies mais indicadas são aquelas adaptadas a ambientes abertos, com folhas mais espessas, cerosas ou pilosas, verdadeiros ‘escudos solares’. Arbustos floríferos rústicos, herbáceas tropicais resistentes e gramíneas ornamentais costumam se sair muito bem”, indica Clariça.
Abaixo listamos algumas das espécies indicadas pelos paisagistas:
Arbustos e subarbustos
Lantana
Lantana-amarela
Lantana-rasteira
Ixora
Hibisco
Clúsia
Escova-de-garrafa
Caliandra
Camarão-vermelho
Russélia
Manacá-da-serra-anão
Buganvília
Alamanda
Jasmim-manga
Resedá
Murta
Pitanga
Cheflera-arbustiva
Sálvia ornamental
Sálvia
Lavanda
Alecrim
Boldo
Plectranthus neochilus
Pentas
Euphorbia milii
Euphorbia tirucalli
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Forrações, herbáceas e floríferas de baixo porte
Grama-amendoim
Portulaca
Vinca
Pervinca-pendente
Zínia
Gazânia
Cosmos
Coreopsis
Rudbéquia
Equinácea
Gaillardia
Tagetes
Celósia
Verbena
Evolvulus
Moreia
Dietes
Agapanto
Lírio-de-São-José
Lírio-da-praia
Trapoeraba-roxa
Tradescantia-púrpura
Senécio
Cinerária-marítima
Tomilho
Manjericão
Gramíneas ornamentais
Capim-do-Texas
Capim-dos-pampas
Capim-do-fogo
Capim-azul
Capim-barba-de-bode
Suculentas e plantas estruturais
Agave
Agave attenuata
Aloe
Espada-de-São-Jorge
Opuntia
Nolina
Beaucarnea
Iúca
Árvores e palmeiras (ou porte arbóreo)
Cyca
Tamareira-anã
Bananeira-ornamental
Helicônia psittacorum
Palmeiras de sol em geral
Rodrigo alerta que, apesar de resistentes ao sol, essas plantas exigem atenção especial à irrigação, principalmente nos períodos mais quentes.
“Outro ponto importante é a fase de adaptação: muitas plantas vêm de viveiros onde são cultivadas sob sombrite e, ao serem transplantadas para o jardim, podem apresentar queimaduras leves nas folhas até se adaptarem”, alerta o especialista.
O que não plantar (ou replantar) em períodos de alta temperatura
Árvores frutíferas e de grande porte são as que mais sofrem com o replantio durante os períodos de calor extremoFreepik/Creative Commons/Reprodução
No verão, não é indicado fazer altas manutenções no jardim – aqui, o menos é mais. Por isso, transplantar, replantar, ou mesmo plantar, não é o indicado para a temporada, pois o sistema radicular dos vegetais fica mais sensível.
“No transplante, parte das raízes absorventes é perdida, o que compromete temporariamente a capacidade da planta de captar água.
Por isso, não recomendamos o transplante de árvores – especialmente frutíferas e espécies de grande porte – durante o verão, priorizando épocas mais amenas”, sugere o profissional do Terraço Paisagismo.
Clariça também aponta as espécies muito usadas em jardins formais, de folhagens finas ou espécies recém-produzidas em viveiro: “Mesmo que estejam lindas na loja, o risco de perda nessa época é alto e frustrante”.
Por fim, para não perder o jardim no verão…
Escolha plantas que realmente aguentem o lugar onde você irá plantá-las.
Proteja o solo como se ele fosse o “coração do jardim” – porque é.
No verão, menos intervenção costuma ser mais sabedoria. Observar, ajustar e respeitar o ritmo das plantas é o que mantém o jardim vivo quando o calor aperta.
“Manter uma irrigação correta e bem ajustada, garantir a adubação adequada e proteger o solo com coberturas orgânicas para reduzir o estresse térmico são as minhas dicas essenciais para o verão”, finaliza Rodrigo.
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