Mesmo com o início fulminante do MSCI América Latina em 2026, com alta de 5,9%, e desempenho levemente superior ao dos mercados emergentes, o Bradesco BBI avalia que o bull market da América Latina ainda tem espaço para avançar neste ano. Segundo o banco, os vetores domésticos ganham força em um tripé formado por eleições (Peru, Colômbia e Brasil), ciclos de queda de juros liderados pelo Brasil e reformas estruturais no Chile, Argentina e até no México.Nesse contexto, a recuperação dos lucros tende a assumir um papel mais relevante na performance dos ativos, ao lado de ganhos adicionais de valuation e de câmbio.Leia tambémIbovespa Hoje Ao Vivo: Confira o que movimenta Bolsa, Dólar e Juros nesta sextaÍndices futuros dos EUA avançam juntos Brava compra ativos da Petronas por US$ 450 mi e avalia novas operaçõesPetroleira brasileira disse que a aquisição reforça o compromisso da empresa com a diversificação de seu portfólio e retorno aos acionistasA casa reitera recomendação overweight (exposição acima da média do mercado, equivalente à compra) em nomes da região, com preferência pelo Brasil, diante da opcionalidade política e do ciclo de juros, em Chile, pela surpresa positiva de crescimento e câmbio, e em Argentina, pela agenda de reformas. Para o México, a recomendação é neutra, com catalisadores ligados ao USMCA e ao PIB mais concentrados no fim do período.Segundo o BBI, os fatores domésticos ganharam protagonismo na América Latina em um grau não visto no ano passado. A intervenção dos EUA na Venezuela dominou o noticiário, ao lado do início antecipado do ciclo eleitoral brasileiro, da largada do ciclo de cortes de juros no Brasil no primeiro trimestre e da aproximação da eleição presidencial de março na Colômbia. As seis tendências que mais se destacaram no começo do ano são as seguintes:1 – A rotação para emergentes acelera com forte “efeito janeiro”Faz 25 anos que os investidores não veem dois anos consecutivos de desempenho superior dos emergentes em relação aos EUA. A rotação global iniciada no ano passado ganhou tração no começo de 2026. Ações de mercados emergentes e de fronteira superam os EUA em mais de 400 pontos-base no ano, movimento impulsionado por uma realocação típica de janeiro, com entrada de cerca de US$ 4 bilhões em fundo de índices (ETFs) de emergentes baseados nos EUA apenas na última semana, equivalente a quase 1% dos ativos sob gestão.O Bradesco BBI vê esse movimento como sustentável. Primeiro, porque os emergentes têm um tamanho relativo pequeno, o que faz com que fluxos modestos tenham impacto relevante, com alocações médias de apenas 3% em fundos mútuos e 4% em ETFs, frente a um peso neutro de 10% no MSCI. Em segundo lugar, porque os fluxos refletem mais uma necessidade de mitigação de risco, diante do elevado underweight (exposição abaixo da média do mercado, equivalente à venda) consensual nos mercados emergentes, do que uma narrativa fortemente positiva, embora os fundamentos estejam alinhados, com crescimento global mais forte, juros mais baixos e valuations mais baratos.As ações latino-americanas acompanharam o rali dos emergentes, embora o Brasil, de maior peso, tenha ficado um pouco para trás à medida que fatores domésticos ganham relevância. Mercados menores lideraram, com o Peru se beneficiando da alta do cobre e a Colômbia da melhora nas pesquisas eleitorais antes do pleito de março, além da sensibilidade a uma eventual melhora na Venezuela.2 – Rotação setorial favorece commodities e penaliza vencedores de 2025O BBI comenta que materiais lideram o desempenho neste ano, com os metais industriais se juntando ao rali dos metais preciosos. Esse movimento é subestimado nos índices, já que grande parte da exposição latino-americana a metais está listada fora da região. Energia também supera o mercado após ter sido o pior setor em 2025, com tensões geopolíticas elevando preços apesar da oferta abundante.Ao mesmo tempo, há uma rotação para fora dos vencedores de 2025. Utilities, que subiram cerca de 80% no ano passado, ficam para trás em meio a preocupações hidrológicas e ao elevado posicionamento dos investidores. O setor de saúde, líder de 2025 com alta de 88%, também apresenta desempenho inferior.3 – Fatores domésticos e ciclo de juros ganham pesoO Bradesco BBI avalia que eventos domésticos, como eleições, reformas e cortes de juros, serão mais relevantes em 2026 do que o cenário global, em uma inversão em relação a 2025. No Brasil, o ciclo eleitoral começou mais cedo, com a candidatura de Flávio Bolsonaro gerando desconforto nos mercados, pressionando inicialmente o real e pesando sobre empresas estatais.A recente revalorização do real, combinada ao arrefecimento da atividade, mantém a reunião do Copom de janeiro como uma decisão em aberto para o primeiro corte de juros do ciclo, ainda que o consenso tenha migrado para março. Com cortes estimados em cerca de 300 pontos-base em 2026, o banco vê os lucros como a terceira perna do rali brasileiro, ao lado de valuations mais altos e câmbio mais forte. 4- ColômbiaO MSCI Colômbia acumula alta de 18% no ano, liderando os emergentes após também ter sido destaque em 2025. Segundo BBI, o movimento reflete a melhora nas pesquisas para candidatos de direita antes da eleição presidencial de março e a percepção de benefícios indiretos de uma transição na Venezuela.Apesar disso, o Bradesco BBI recomenda cautela diante da incerteza eleitoral, de riscos fiscais e de governabilidade e de valuations já acima da média. No setor bancário, altamente concentrado em Bancolombia, seria necessária uma compressão relevante do custo de capital para justificar os níveis atuais de preço.5 – Peru e Chile Peru e Chile figuram entre os melhores desempenhos globais recentes, impulsionados pela alta dos metais, em especial do cobre. O banco está particularmente positivo em relação ao Chile, com expectativa de surpresa positiva em crescimento, lucros e câmbio, além de valuations ainda atrativos.A América Latina se destaca como a principal beneficiária globlal da ampliação do rali das commodities, por ter o maior peso em ações ligadas a recursos naturais e a menor exposição a tecnologia. Esse potencial é ainda maior quando se considera a grande quantidade de empresas latino-americanas de mineração listadas fora da região.6 – Moedas latinas lideram em 2026As moedas da América Latina dominam o ranking global de desempenho no início do ano, com Colômbia, Chile, Brasil e México ocupando as primeiras posições. O movimento é sustentado pela melhora dos termos de troca, pela rotação de portfólios e por carregamentos ainda atrativos.Historicamente, o câmbio respondeu por cerca de metade do retorno das ações latino-americanas em moeda forte. A maior convicção cambial do Bradesco BBI está no peso chileno, pelo crescimento subestimado, e no real, que ainda não se realinhou plenamente aos pares emergentes. Já o peso mexicano inspira mais cautela, diante de possível complacência em relação às negociações do USMCA e à velocidade da recuperação cíclica do país.The post Ano novo, novas tendências: 6 pontos de atenção do BBI para 2026; Brasil é “top pick” appeared first on InfoMoney.
