A crise recente vivida pela Stock Car abriu espaço para um movimento silencioso, mas significativo, no automobilismo brasileiro. Marcas historicamente associadas à principal categoria do país passaram a diversificar seus investimentos em outras competições, como a Copa Truck, a NASCAR Brasil Series e a Porsche Cup Brasil, ampliando presença enquanto o campeonato tenta se reorganizar após uma temporada turbulenta.O ponto de ruptura começou quando a Stock decidiu lançar uma nova geração de carros, com desenvolvimento majoritariamente nacional. O projeto trouxe chassi inédito, motores fornecidos no Brasil e uma arquitetura completamente diferente da usada nos últimos anos. A mudança, porém, veio acompanhada de problemas operacionais. Pilotos e equipes reclamaram publicamente de quebras frequentes, falta de peças de reposição e aumento expressivo de custos. Um dos mais vocais foi Felipe Massa, que chegou a ser multado após críticas contundentes à organização.Leia Mais: Depois de recordes, Kings League volta com fantasy e até TV em app de deliveryCom o avanço da temporada, as falhas mecânicas diminuíram, mas a categoria precisou até alterar regulamentos técnicos para tentar estabilizar o desempenho dos novos carros. A situação ficou ainda mais delicada na reta final do campeonato, quando etapas foram realizadas em autódromos considerados abaixo das condições ideais. Acidentes em sequência aumentaram o clima de tensão entre pilotos e equipes. Parte dos episódios acabou indo parar na Justiça, com questionamentos sobre segurança e estrutura dos eventos.Em meio ao cenário turbulento, patrocinadores históricos começaram a rever suas estratégias. Três das marcas mais tradicionais do grid, Ipiranga, Shell e Mobil, passaram a expandir investimentos em outras categorias do automobilismo nacional. O movimento coincidiu também com a saída da Grupo Globo das transmissões da Stock, encerrando um ciclo histórico de exposição televisiva.A Mobil, por exemplo, encontrou na NASCAR Brasil um novo ativo esportivo. A marca passou a apoiar o jovem piloto sorocabano Murilo Rocha, de apenas 16 anos. Ele ganhou notoriedade ao se tornar o único afrodescendente a vencer uma corrida em nível de campeonato brasileiro ao triunfar na F4 Brasil em 2025, temporada em que terminou como vice campeão. A aposta segue uma estratégia recente da empresa de associar sua imagem a pautas de diversidade no esporte. Nos últimos anos, a Mobil também apoiou Antonella Bassani na Porsche Cup, piloto que ganhou projeção nacional e acabou migrando para a televisão como apresentadora da Globo. Rocha passa a ocupar um espaço simbólico deixado por Rubens Barrichello, que era o principal rosto da marca no automobilismo brasileiro quando corria pela equipe Full Time na Stock.Leia Mais: Por que bets mudaram estratégia e diminuíram investimento no BrasileirãoA Shell também optou por ampliar sua presença fora da principal categoria do país. A companhia contratou para a Copa Truck o maior campeão da história da categoria, Felipe Giaffone, e também seu filho mais velho, Nicolas Giaffone, reforçando um projeto familiar dentro do campeonato dos caminhões. Paralelamente, a empresa confirmou o retorno à Porsche Cup Brasil em 2026.Na categoria de GT, considerada uma das que mais crescem no país, a Shell será representada pelo piloto paulista Matheus Comparatto nas disputas de sprint e endurance. A marca já teve histórico relevante na Porsche Cup entre 2016 e 2019. Em sua primeira temporada no campeonato, conquistou o título da Carrera Cup com Lico Kaesemodel. Depois venceu o campeonato de endurance de 2018 com a dupla formada por Kaesemodel e Ricardo Zonta. No ano seguinte, patrocinou o carro de Felipe Baptista quando ele entrou para a história como o mais jovem vencedor de uma corrida de alto nível em Gran Turismo no mundo, com apenas 15 anos.Esse reposicionamento das marcas ilustra um momento de transição no automobilismo nacional. Enquanto a Stock tenta corrigir os problemas da nova geração de carros para 2026 e recuperar estabilidade técnica e institucional, patrocinadores históricos passaram a distribuir suas apostas em diferentes categorias. O resultado é um ecossistema mais pulverizado, no qual o prestígio histórico da principal categoria do país já não garante, sozinho, a fidelidade das grandes marcas.The post Crise na Stock Car faz marcas históricas mudarem investimentos no automobilismo appeared first on InfoMoney.
