Anulada pela Justiça, a vitória de Douglas Ruas (PL) para o comando da Assembleia Legislativa do Rio se deu por 45 votos a favor, enquanto 24 deputados não votaram e constaram como ausentes — a maioria deles como forma de boicote. O resultado foi obtido sobretudo pela força da direita e do Centrão, que votaram em massa no parlamentar, o único a registrar candidatura. Trata-se de um sinal de solidez do grupo de Ruas e, por outro lado, de desafio aos aliados do ex-prefeito Eduardo Paes (PSD) para a eleição indireta que o estado enfrentará em breve a fim de definir um governador para o mandato-tampão até dezembro.Maiores bancadas, o PL e o União deram juntos 24 dos 45 votos, que seriam 46 se um deputado do PL que não conseguiu votar estivesse presente. Houve ainda cinco apoios do PP. Os três partidos são a espinha dorsal do projeto eleitoral de Ruas, concebido nos últimos meses pelos dirigentes Altineu Côrtes (PL), Dr. Luizinho (PP) e Antonio Rueda (União). Ele é o candidato apoiado pelo presidenciável Flávio Bolsonaro para outubro.Leia tambémEntenda os motivos para anulação da eleição indireta de Ruas na AlerjDecisão do TJRJ aponta que eleição ocorreu antes da recontagem de votos determinada pelo TSE e pode ter impactado diretamente a definição do comando do governo do estadoNa contramão dessas legendas, a esquerda e a maior parte do PSD, de Paes, não votaram. Partidos também questionaram a legalidade da eleição — e conseguiram uma vitória à noite, quando o Tribunal de Justiça a suspendeu. Realizada às pressas, a votação durou cerca de 20 minutos e terminou com gritos de “golpistas”.Estratégia do PSDCiente da dificuldade que enfrenta na Assembleia, Paes mobilizou aliados nos últimos dias para defender que o mandato-tampão deveria ser definido por eleição direta. O TSE reforçou que não, mas o mote “diretas já” continuou sendo martelado pelo ex-prefeito, que foi às redes ontem defender o modelo.O PSD alega que, como a renúncia do ex-governador Cláudio Castro (PL) foi planejada para reivindicar a “perda de objeto” da cassação, a previsão de disputa aberta a todos os eleitores precisaria ser mantida, frustrando a manobra do ex-governador.Mesmo no partido de Paes, um terço da bancada — dois dos seis deputados — endossou ontem a candidatura de Ruas à presidência. Sem um nome forte de seu grupo para lançar na indireta, o ex-prefeito tenta postergar ao máximo a definição do processo sucessório, por meio de ações na Justiça em diferentes frentes.O objetivo de Paes é evitar que Ruas tenha tempo de mandato como interino. Isso porque a estratégia do PL reside em colocá-lo no Palácio Guanabara antes da eleição de outubro, de modo a se tornar conhecido do eleitorado e operar a máquina estadual a seu favor. É uma forma de enfrentar o favoritismo do ex-prefeito, hoje líder absoluto das pesquisas.Diante do cenário adverso na Alerj, o PSD passou a ventilar possibilidades para bater de frente com Ruas na futura eleição indireta. Alguns nomes citados são os de Chico Machado (Solidariedade) e Rosenverg Reis (MDB). A avaliação na política do Rio, contudo, é de que a junção entre PL, União e PP deixa a vida de Ruas bem encaminhada, precisando apenas de poucos apoios a mais para ser eleito.Ainda não há data para a eleição indireta. O Supremo Tribunal Federal (STF) analisa as regras da votação, após decisão de Luiz Fux, na semana passada. Quando for convocada pelo governador em exercício, ela deverá ocorrer 30 dias após a publicação do edital.Celebração na direitaAntes da anulação pela Justiça, a direita celebrou a vitória de Ruas. “Os deputados fizeram a melhor escolha para o Rio. Tenho certeza de que será uma gestão pautada pelo diálogo, equilíbrio e compromisso com a população fluminense”, escreveu Cláudio Castro, condenado à inelegibilidade na terça-feira.Padrinho político do deputado, o presidente estadual do PL, Altineu Côrtes, considerou o triunfo decisivo para o projeto a ser tocado daqui em diante pelo partido.“Uma vitória que fortalece o Partido Liberal e consolida a força de um projeto que acredita no desenvolvimento do Rio de Janeiro”, disse.Líder do PSOL na Alerj, Renata Souza classificou como “golpe” a eleição. “O que está acontecendo na Alerj tem nome. É golpe”, publicou. Ela também se referiu a Ruas como “filhote de Cláudio Castro”.Juridicamente, a oposição apresentou dois argumentos. O primeiro envolve a cassação do presidente afastado da Alerj, Rodrigo Bacellar (União). Dado que o TSE ordenou a “retotalização imediata dos votos para deputado estadual” — o que ainda vai definir o substituto para a cadeira do ex-presidente —, a eleição de ontem seria ilegal porque a Casa não conta até o momento com a reposição. O outro motivo é a convocação de forma “açodada e irregular”, segundo a oposição, da disputa por parte do presidente interino da Alerj, Guilherme Delaroli (PL), atropelando prazos regimentais.A necessidade de a Alerj escolher um governador para um mandato curto, até o fim do ano, surgiu da dupla vacância de poder: o Rio está sem vice-governador desde que Thiago Pampolha foi para o Tribunal de Contas do Estado.Na segunda-feira, Cláudio Castro renunciou ao cargo para evitar a cassação no dia seguinte, quando o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) terminaria o julgamento do caso Ceperj. Caso fosse tecnicamente cassado, o modelo de eleição seria direta, com sufrágio universal. Como a saída se deu por renúncia, o TSE atestou que o formato previsto pela legislação é o de votação indireta.Já a disputa de ontem, embora anulada pela Justiça por causa de irregularidades técnicas, virou necessária porque Bacellar foi cassado no mesmo julgamento do TSE que deixou Castro inelegível. Assim, a Alerj precisa escolher um novo comandante, já que Delaroli está como interino.Enquanto Delaroli não pode entrar na linha sucessória do estado por causa da interinidade, Ruas — ou qualquer um que for eleito — acabará assumindo como governador em exercício, função exercida hoje pelo presidente do Tribunal de Justiça, Ricardo Couto. Ontem, durante algumas horas, ninguém sabia dizer quem seria o comandante do Rio nesta sexta-feira.The post Eleição da Alerj anulada pela Justiça mostra força de Ruas e desafia grupo de Paes appeared first on InfoMoney.
