Na última sexta-feira (10), o grupo de moda Azzas 2154 (AZZA3) anunciou que o presidente da unidade de “Fashion & Lifestyle”, Ruy Kameyama, vai deixar a empresa no final de abril.Em fato relevante ao mercado, a companhia não indicou quem vai ser o substituto do executivo e acrescentou que ele decidiu deixar a empresa para “se dedicar a novos projetos pessoais e profissionais”. Kameyama havia sido eleito para a diretoria do grupo em fevereiro do ano passado.Com isso, na última sessão da semana passada, os papéis AZZA3 caíram 10,88%, liderando as baixas do Ibovespa. O JPMorgan aponta que esta é a nona saída de um executivo de alto escalão desde a fusão da AR&Co com a Soma em agosto de 2024. O papel de Kameyama era particularmente importante dentro do grupo, sendo descrito como a “ponte” entre as duas figuras mais poderosas da Azzas: Alexandre Birman (AR&Co) e Roberto Jatahy (fundador da Soma). Sua saída ocorre após mudanças importantes: a saída do Diretor de Integração (que deixou a empresa em menos de 120 dias), da equipe fundadora da Reserva (Rony Meisler e sócios), dos CEOs das verticais Basic (o que não surpreende, dado o fraco desempenho) e de Calçados, e do seu CFO.Ruy era membro do conselho do Grupo Soma e, posteriormente, da Azzas 2154. Assim, sua saída reforça as preocupações de governança sobre a fragilidade do processo de integração. “A perda de vários líderes seniores em 18 meses sinaliza desafios contínuos na retenção de talentos e na manutenção da continuidade estratégica, principalmente enquanto a empresa trabalha para atingir suas metas de sinergia”, aponta o JPMorgan.Leia tambémIbovespa Hoje Ao Vivo: Confira o que movimenta Bolsa, Dólar e Juros nesta segundaÍndices futuros dos EUA caem em meio a tensões renovadas sobre o Estreito de Ormuz A saída de Kameyama, dado seu papel como elo fundamental entre as principais partes interessadas, pode complicar ainda mais os esforços para construir coesão operacional. Assim, à medida que os rumores sobre sua saída surgiram no final do último pregão, o mercado reagiu fortemente, com as ações da AZZA3 caindo 11%, contra alta de 1% da Ibovespa, refletindo a incerteza dos investidores sobre a capacidade da empresa de estabilizar sua liderança e cumprir seus objetivos estratégicos.O Morgan Stanley vê riscos de interrupção operacional após essa saída. “Após a saída de Rafael Sachete no início do ano para se tornar CFO da Assai, não esperávamos outras mudanças na alta administração da Azzas; especialmente não no segmento com o maior crescimento de vendas da empresa (Fashion & Lifestyle +16% ano a ano em 2025, contra +7% ano a ano da Azzas)”, avalia.Embora as ações estejam sendo negociadas a cerca de 5 vezes a projeção do Morgan de lucro por ação estimado para 2027, enxerga riscos de queda nos lucros em meio à mudança na gestão e mantém recomendação equivalente à neutra (equalweight, exposição em linha com a média do mercado) para os papéis. The post Azzas 2154: por que a saída de um executivo levou a uma reação tão extrema das ações appeared first on InfoMoney.
