Os preços de locação de imóveis comerciais voltaram a acelerar no Brasil e já superam a inflação, sinalizando um encarecimento desses custos para empresas que dependem de pontos físicos. Em março, o valor médio de aluguel de salas e conjuntos comerciais avançou 0,89%, praticamente em linha com os 0,88% da inflação oficial medida pelo IPCA no período, mas acima dos 0,52% do IGP-M, segundo o Índice FipeZAP.Nos períodos acumulados, a tendência se intensifica. No primeiro trimestre de 2026, por exemplo, o aluguel comercial acumulou alta de 3,26%, enquanto a inflação oficial ficou em 1,92%. Já em 12 meses, o avanço chega a 10,23%, mais que o dobro do IPCA no período, de 4,14%.Esse descolamento indicado pela pesquisa reforça uma mudança importante no mercado imobiliário corporativo. Após um período mais fraco, marcado pela pandemia e pelo avanço do trabalho remoto, a retomada da ocupação física e a reorganização dos espaços empresariais voltam a pressionar os preços.Leia Mais: Aluguel sobe 0,84% em março e acumula alta acima da inflação em 2026, diz FipeZAPAlta disseminadaDe acordo com os dados levantados pela FipeZAP, o aumento dos aluguéis não está concentrado em um único mercado. Entre as 10 cidades monitoradas, Salvador liderou a alta mensal, com avanço de 3,70%, seguida por Curitiba, com aumento de 1,97%, e Rio de Janeiro com 1,55%. Já em São Paulo, principal centro econômico do país, a elevação registrada foi de 0,55%, consolidando a tendência de recuperação do segmento.No acumulado de 12 meses, o cenário é ainda mais expressivo, com todas as cidades analisadas apresentaram valorização nos aluguéis. Os destaque novamente ficaram por conta de Salvador, com alta de 17,61%, Brasília (+15,82%) e Rio de Janeiro (+15,48%).Já os preços de venda dos imóveis comerciais avançam em ritmo bem mais moderado, com aumento de apenas 2,16% em 12 meses, o que indica que a recuperação está mais concentrada na renda gerada pelos aluguéis do que na valorização dos ativos, conforme estudo.Leia também: Logística e escritórios têm queda de vacância e alta nos aluguéis no 1º trimestreRentabilidade Com a alta mais acelerada dos aluguéis, a rentabilidade dos imóveis comerciais também subiu. Em março, o chamado rental yield médio chegou a 7,35% ao ano, acima do retorno observado no mercado residencial, de 6,05%.Apesar disso, o investimento em imóveis comerciais ainda enfrenta concorrência relevante das aplicações financeiras. Isso porque o aumento das taxas de juros elevou o retorno esperado de alternativas como renda fixa, reduzindo a atratividade relativa do setor imobiliário.Pressão para empresasDo ponto de vista das empresas, o avanço dos aluguéis representa um custo adicional em um cenário ainda marcado por juros elevados e desaceleração econômica global. Ao mesmo tempo, o movimento reflete uma reposicionamento dos preços nesse mercado após anos de acomodação. A combinação de menor vacância em algumas regiões e a adaptação dos modelos de trabalho, com maior valorização de espaços bem localizados e mais eficientes, contribui para sustentar os preços.Em março, o valor médio de locação de salas comerciais no país foi de R$ 51,63 por metro quadrado. São Paulo continua na liderança entre os mercados mais caros com uma média de R$ 60,31 por metro quadrado, seguida por Rio de Janeiro (R$ 53,22) e Florianópolis (R$ 51,37).Já no mercado de venda, o preço médio ficou em R$ 8.709 por metro quadrado, com São Paulo também na liderança, registrando R$ 10.491 por metro.Novo cicloOs dados indicam que o mercado comercial parece deixar para trás o período de ajuste pós-pandemia, entrando em um novo ciclo de preço e localização pesando nas decisões. A nova fase está mais alinhada à retomada da atividade econômica presencial, mas ainda exige avaliações de custos. Para investidores, o cenário sugere melhora na geração de renda.Desenvolvido pela Fipe em parceria com o Grupo OLX (Zap, Viva Real e Olx), o Índice FipeZAP de Venda e Locação Comercial acompanha os preços de salas e conjuntos comerciais de até 200 metros em 10 cidades brasileiras, com base em anúncios da Internet.The post Aluguel comercial sobe mais que inflação e pressiona custo de empresas, diz FipeZAP appeared first on InfoMoney.
