O mercado global segue desafiando as previsões dos investidores e gestores. Para Ricardo Figueiredo, especialista em FIIs e sócio do Grupo Primo, o mercado imobiliário continua sendo uma alternativa defensiva em momentos de estresse. Na visão dele, imóveis bem localizados, com boa gestão e locatários de qualidade tendem a preservar valor e renda mesmo em períodos mais turbulentos.Ao comentar estratégia de alocação, o sócio do Grupo Primo afirmou que não realizou mudanças estruturais em carteira nos últimos meses. Para ele, um bom plano de investimento precisa estar preparado para atravessar diferentes cenários sem exigir alterações constantes.Ele pondera que ajustes pontuais podem ocorrer de forma natural, sobretudo quando determinados ativos ficam caros ou outros passam a negociar com desconto.“Se você tem que ficar mudando toda hora porque o cenário está mudando, você não fez um bom plano de voo”, afirmou no Liga de FIIs, programa semanal do InfoMoney. “Eu não mexi em nada estruturalmente na minha alocação.”Conforme pontua Figueiredo, mesmo em momentos de forte ruído externo, muitos segmentos seguem operando normalmente. “Shoppings continuam recebendo aluguéis, escritórios mantêm contratos ativos e créditos imobiliários de melhor qualidade permanecem adimplentes, sustentando o fluxo de caixa dos fundos”, diz. Leia Mais: FIIs endividados: como identificar oportunidades – e fugir de armadilhasJuros mais baixos podem destravar valor nos fundos imobiliáriosAo comentar perspectivas para o mercado de fundos imobiliários em 2026, Figueiredo pondera que previsões de curto prazo para ativos listados em bolsa devem ser vistas com cautela. Para ele, estimativas para o fim do ano, com horizonte de poucos meses, carregam elevado grau de incerteza.Ainda assim, Ricardo destacou que o desempenho recente do mercado tem sido positivo. Na avaliação dele, o IFIX acumulava alta próxima de 4% até meados de abril, o equivalente a cerca de 1% ao mês, ritmo considerado satisfatório diante do ambiente externo turbulento.“Se ele seguir nessa toada até o final do ano, está legal. E se o céu ficar um pouquinho mais limpo, há espaço para crescer mais”, disse.Na visão do analista, um processo consistente de corte da taxa básica de juros ao longo dos próximos 18 a 24 meses pode abrir espaço relevante para valorização dos FIIs.“Eu sempre trabalho com horizonte de 18 a 24 meses, porque o curto prazo não resiste a um tweet do Trump”, afirma “Mais para frente, as coisas tendem a convergir mais para seus preços justos.”Leia Mais: Quais são as cartas no portfólio do FII TEPP11 para destravar valor? Gestor comentaEducação financeira ainda é desafioOutro ponto levantado foi o crescimento contínuo da base de investidores. Figueiredo lembrou que, ao longo dos últimos anos, a indústria registrou poucos momentos de retração no número de cotistas, o que reforça a resiliência e a expansão estrutural do setor.Apesar disso, ele considera que o principal desafio educacional ainda está na forma como muitos investidores analisam os FIIs. Segund Figueiredo, há foco excessivo no rendimento mensal, enquanto fatores como valorização patrimonial e ganho de capital acabam sendo subestimados.Ele também critica comparações automáticas entre fundos imobiliários e renda fixa atrelada ao CDI. Para ele, ativos imobiliários de alta qualidade podem oferecer yields menores no curto prazo, mas compensar no longo prazo por meio da valorização consistente do patrimônio.Confira a seleção completa na edição desta semana do Liga de FIIs. O programa vai ao ar todas as quartas-feiras, às 18h, no canal do InfoMoney no Youtube. Você também pode rever todas as edições passadas.The post O que mudar na carteira de FIIs em um cenário de incertezas? Analista dá dicas appeared first on InfoMoney.
