Trump, Irã e Copom: gestores discutem como choque complica corte de juros no Brasil

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O presidente americano Donald Trump entrou no embate com o Irã apostando em uma solução-relâmpago — algo como cinco semanas, no máximo. Dois meses depois do início da atual escalada de tensão, porém, o conflito se transformou em uma queda de braço sem prazo para acabar, com o petróleo em patamar elevado e os mercados globais ainda tentando se ajustar ao impasse.A leitura, compartilhada por gestores de três das mais relevantes casas de investimento brasileiras, é que o conflito deixou o terreno do “War” e migrou para o tabuleiro do xadrez. Trump tenta forçar o Irã a ceder pela exaustão dos estoques de petróleo.O regime de Teerã, por sua vez, ainda tem fôlego para esticar a partida. No meio do caminho, o Banco Central brasileiro precisa decidir como reagir a um choque que mexe com fertilizantes, alimentos e a inflação em ano pré-eleitoral.O cenário foi dissecado nesta edição do programa Aftermarket, comandado por Lucas Collazo. Direto de Omaha, nos Estados Unidos, durante a cobertura do encontro anual de acionistas da Berkshire Hathaway (BRK.B), o apresentador recebeu Andrew Rider, da WHG; Christian Keleti, da Alpha Key; e Felipe Guerra, da Legacy Capital — três gestores que olham para o atual quadro com uma mistura de cautela e oportunismo.Veja mais: Polo chama Hapvida (HAPV3) de “avião que caiu” e monitora sinais para sair da apostaE também: Quando ninguém queria, eles compraram — e acertaram em cheioEm paralelo ao tabuleiro geopolítico, o avanço da inteligência artificial seguiu seu próprio ritmo. Para Guerra, neste momento a parte micro — empresas, setores e temas específicos — está mais interessante do que a leitura macro, justamente porque o destino do macro depende de quando e como a guerra terminará.A partida que Trump não queria jogarKeleti foi quem traçou a comparação mais didática para explicar a situação atual: Trump teria começado jogando War, esperando uma vitória em poucas semanas, e se viu obrigado a sentar para uma partida de xadrez. “Ele não depende muito de petróleo, são outros países que dependem”, observou, lembrando que o Irã, com estoques de óleo para vender, também tem fôlego para esticar o impasse.Rider concordou com a essência, mas acrescentou outro componente: Trump aposta que o tempo está a seu favor. A leitura no Salão Oval seria a de que o Irã está sem espaço para armazenar petróleo e, portanto, próximo de ceder. “Acho que esse é o jogo que ele está jogando aqui no curto prazo”, disse.Leia tambémBC sem saída? Gestores veem corte menor de juros após choque globalAlta do petróleo e nova pressão inflacionária reduzem espaço para queda mais agressiva da Selic, avaliam gestoresPara ilustrar como o mercado costuma processar esse tipo de impasse, Rider recorreu à pandemia de Covid-19. Após o anúncio da vacina, em novembro de 2020, houve forte alta nas bolsas, mesmo com o vírus circulando por muito tempo. “O ponto de inflexão foi quando a vacina foi anunciada”, afirmou. A analogia sugere que, embora a guerra possa se arrastar e o petróleo demorar a normalizar, o pior provavelmente já ficou para trás.Gestor aposta em garantias inusitadas e vê 2026 como ano raro de oportunidadesGerdau (GGBR4) tem lucro de R$ 1 bilhão no 1º trimestre, alta anual de 34%Esse pano de fundo, somado à temporada de balanços nos Estados Unidos e a indicadores ainda fortes da economia americana, ajuda a explicar por que os mercados retomaram fôlego. Rider destacou que os fundos lá fora seguem muito posicionados, com exposição elevada tanto em compras quanto em vendas a descoberto, registrando ganhos em ações de tecnologia ligadas à inteligência artificial e perdas em empresas de software.The post Trump, Irã e Copom: gestores discutem como choque complica corte de juros no Brasil appeared first on InfoMoney.

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