Se 2025 marcou a ascensão das experiências como presente de Dia das Mães – com jantares, spas e viagens ganhando espaço –, a mesma data de 2026 sinaliza um freio claro nesse movimento. Dados da Elo Performance & Insights mostram que o consumidor brasileiro voltou a se apoiar no “presente seguro”: vestuário e cuidados pessoais. Ao mesmo tempo, o ritmo de gastos em bares e restaurantes perde força, indicando uma recomposição do orçamento familiar e uma menor disposição para correr riscos em despesas discricionárias.A projeção da Elo para o Dia das Mães de 2026, com base em milhões de transações de cartões de crédito, é de crescimento de 4% no faturamento total em relação ao ano passado, com ticket médio em torno de R$ 176 e consolidação de um padrão de consumo observado desde 2024, com forte concentração de compras na véspera. Da mesa do restaurante para a mesa de salaO setor de bares e restaurantes ilustra bem essa inflexão. Em 2024, o segmento crescia 7,7% no Dia das Mães; em 2025, o avanço caiu para 2,7%. Para 2026, a Elo projeta uma estabilização em torno de 3%, abaixo do ímpeto observado no período em que as experiências fora de casa vinham ganhando espaço. A leitura é que esse arrefecimento não é pontual.“A comemoração parece ter migrado do restaurante para dentro de casa, priorizando o convívio e o controle de gastos em vez da experiência externa”, afirma João Vitor Ferreira, gerente executivo de Relação com Investidores & Data Analytics da Elo.O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), calculado pelo IBGE e que representa a inflação oficial do país, mostra que a alimentação fora do domicílio ficou 6,54% mais cara nos últimos 12 meses encerrados em março.Na prática, as famílias continuam valorizando o momento em conjunto – algo captado por um estudo do IBEVAR-FIA em 2025, quando jantares em restaurantes e dias de spa despontavam como opções de presentes –, mas agora fazem isso de forma mais barata, substituindo o serviço pago pela experiência doméstica.“Presente seguro”Neste ano o consumidor parece ter encontrado – ou retornado – ao “porto seguro” para presentear no Dia das Mães: roupas, sapatos e acessórios, de um lado, e cuidados pessoais, de outro. Essas duas categorias devem crescer cerca de 40% na semana do Dia das Mães em relação a uma semana padrão, mantendo um ritmo forte e constante desde 2024.“Nossos dados apontam para um consumidor que não quer errar no presente e no orçamento”, diz Ferreira. “A padronização em roupas e perfumes, combinada com a corrida ao shopping na véspera, reflete uma estratégia de aversão ao risco”, completa.Compra de última horaOutro traço que se consolida é a compra de última hora, que deixa de ser sinal de desorganização e passa a ser um padrão estrutural no comportamento de consumo do Dia das Mães. O sábado que antecede a data deve registrar alta de 29% no volume de transações em relação a um sábado comum, patamar que se repete há três anos.É nessa véspera que as principais categorias atingem seu ápice: roupas e acessórios têm projeção de alta de 83% nas vendas do sábado, enquanto cuidados pessoais devem crescer 78% no mesmo período, em ambos os casos praticamente repetindo o comportamento de 2025. ApertoNa avaliação da Elo, a relativa estagnação do comportamento de consumo no Dia das Mães 2026 está associada a um contexto econômico, que inspira cautela. O crescimento de 4% no faturamento da data não é desprezível, mas não caracteriza um ciclo de expansão robusto. O consumidor evita gastos mais imprevisíveis, como viagens – categoria que não mostra tração no período, apesar de ser um desejo – e contém o impulso em experiências fora de casa, que normalmente envolvem consumo adicional com bebidas, deslocamentos e gorjetas.The post Dia das Mães em 2026: bolso apertado faz experiências saírem da lista de presentes appeared first on InfoMoney.
