Mesmo com elevado grau de ceticismo com a Natura (NATU3), após anos de frustrações operacionais, o JPMorgan elevou a recomendação para as ações da varejista de neutra para overweight (exposição acima da média do mercado, equivalente à compra), com novo preço-alvo para dezembro de 2026 de R$ 14 por ação, o que representa um potencial de valorização de cerca de 40%. O preço-alvo anterior era de R$ 10,50.Embora as projeções de lucro por ação (EPS) para 2027 tenham permanecido praticamente inalteradas, a mudança no preço-alvo decorre da adoção de uma nova metodologia de avaliação. O banco passou a utilizar o modelo de fluxo de caixa descontado ao acionista (DCFE) como principal métrica, substituindo o múltiplo de preço/lucro (P/L).Por volta das 10h24, as ações da varejista subiam 4,66%, cotadas a R$ 11. Quer transformar esses resultados em renda passiva? Acesse a Planilha Viva de Renda gratuitamenteSegundo os analistas, a mudança reflete a conclusão do processo de simplificação dos negócios, com a venda integral da Avon International, excluindo a operação da América Latina, o que reduz riscos remanescentes ligados à reestruturação da companhia.Leia mais:Confira o calendário de resultados do 1º trimestre de 2026 da Bolsa brasileiraTemporada de balanços do 1T26 em destaque: veja ações e setores para ficar de olhoNa avaliação do JPMorgan, a tese da Natura está centrada na expansão de margens e na geração de fluxo de caixa livre (FCF), mesmo em um cenário de crescimento de receita mais desafiador. Ao mesmo tempo, uma eventual aceleração de crescimento representa uma opcionalidade positiva, já que o banco não incorpora ganhos de participação de mercado em suas projeções, apesar de a companhia vir recuperando market share na América Latina e diversificando canais de vendas.O banco destaca ainda que a recuperação de margens parece menos arriscada após a implementação, no primeiro trimestre de 2026, de uma ampla agenda de eficiência, que reduziu cerca de 25% a 30% das despesas corporativas. Na visão dos analistas, isso deve tornar a estrutura corporativa mais ágil e eficiente, compensando riscos de desalavancagem operacional e sustentando uma forte geração de caixa.Outro ponto citado como suporte para as ações é a intenção da Advent de comprar papéis da Natura a um preço médio de R$ 9,75 ao longo dos próximos cinco meses, segundo estimativas do JPMorgan. A potencial entrada da gestora no conselho de administração também pode fortalecer a governança e destravar valor para os acionistas.O JPMorgan ressalta que a Natura negocia atualmente a 10 vezes e 8 vezes o lucro ajustado estimado para 2026 e 2027, respectivamente, com desconto de cerca de 15% a 20% em relação a pares latino-americanos. O banco projeta crescimento anual composto do lucro por ação de 16% entre 2026 e 2028 e rendimento de fluxo de caixa livre próximo de 10%, acima da média de cerca de 4% do varejo latino-americano, o que pode se traduzir em dividendos mais robustos.Para os analistas, a esperada fraqueza dos resultados no primeiro semestre de 2026 pode abrir uma janela atrativa para montagem de posições nas ações.The post JPMorgan aposta contra ceticismo e eleva Natura após anos de decepções; ação sobe appeared first on InfoMoney.
