Startups: Quem é a Enter, unicórnio brasileiro de IA do setor jurídico

Blog

A Enter, startup que usa inteligência artificial para estruturar estratégias jurídicas em larga escala, entrou na terça-feira (5) para um grupo ainda restrito no mercado global de tecnologia. A companhia levantou R$ 500 milhões em uma rodada série B e atingiu valuation de US$ 1,2 bilhão – mais que o triplo da avaliação registrada há um ano. Com isso, torna-se o primeiro unicórnio de IA da América Latina e o primeiro do Brasil desde 2024.A rodada foi liderada pela Founders Fund, que já havia liderado a série A, de US$ 35 milhões. O novo aporte também marca a entrada da Kaszek e da Ribbit Capital. Investidores já presentes, como Sequoia Capital, OneVC e Atlantico, acompanharam.Segundo o CEO e cofundador Mateus Costa-Ribeiro, a composição do captable foi pensada como uma aliança estratégica com players relevantes de IA. Esses fundos têm no portfólio empresas como SpaceX, OpenAI, Anthropic, Facebook, Apple e Google.Mesmo gerando caixa, a empresa decidiu aproveitar o momento de desempenho para levantar a rodada. A estrutura, com baixa diluição, também pesou na decisão.Unicórnio em menos de três anosFundada em setembro 2023, a Enter nasceu quando Mateus, então com 23 anos, deixou a carreira como advogado nos Estados Unidos e um MBA em Stanford para empreender ao lado de Michael Mac-Vicar, ex-CTO da Wildlife, e Henrique Vaz, formado por Harvard.O foco da startup é automatizar o contencioso empresarial, usando IA para analisar processos, organizar provas e sugerir caminhos jurídicos, que depois passam por revisão humana. A tecnologia opera sobre grandes volumes de dados e combina modelos de linguagem – como OpenAI, Anthropic e Google – com bases proprietárias.Leia também: Forbes lista 25 startups americanas com potencial para se tornarem novos unicórniosA empresa rapidamente atingiu geração de caixa, ainda no primeiro ano. Em 2025, alcançou receita recorrente anualizada (ARR) de R$ 50 milhões – número que, segundo a companhia, cresceu 13 vezes neste ano.Na operação, a Enter afirma já processar mais de 300 mil casos por ano e cerca de 20 bilhões de tokens por dia. O modelo de receita combina pagamento antecipado pelo uso da tecnologia com uma parcela variável atrelada ao desempenho: cerca de 30% depende do sucesso nas ações. Em muitos casos, os processos são resolvidos em poucos meses.A Enter se junta a um pequeno grupo de legaltechs bilionárias, como a norte-americana Harvey, avaliada em US$ 11 bilhões, e a sueca Legora, com valuation de US$ 5,6 bilhões.Próximos passosParte dos recursos será usada para acelerar novas frentes, especialmente a área trabalhista, onde a empresa já começou a operar com cinco clientes.Hoje, a Enter atende cerca de 40 grandes empresas, incluindo Latam Airlines, Azul, Santander, Bradesco, Nubank, C6 Bank, Vivo, SulAmérica e Airbnb. A meta é dobrar essa base até o fim do ano.O capital será direcionado principalmente para contratação e infraestrutura. A startup planeja adicionar 80 engenheiros, chegando a cerca de 200 funcionários – mais de 85% em áreas técnicas – além de investir em pesquisa e desenvolvimento.Parte desse avanço passa por um acordo com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para construir uma base histórica de processos judiciais no país.No longo prazo, a estratégia inclui expansão para o mercado norte-americano e a construção de uma empresa global de IA aplicada ao sistema jurídico. Nesse horizonte, um IPO é considerado um caminho possível.A legaltech considera o status de unicórnio é um marco relevante, embora não defina o objetivo da empresa. A prioridade segue sendo crescimento e execução em escala.Conteúdo produzido por Startups.com.brThe post Startups: Quem é a Enter, unicórnio brasileiro de IA do setor jurídico appeared first on InfoMoney.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *