A temporada de resultados do primeiro trimestre de 2026 (1T26) contou com a divulgação de diversas varejistas na noite da última quinta-feira (7), com algumas ações registrando forte queda.Entre as varejistas de e-commerce, às 13h25 (horário de Brasília), os papéis do Magazine Luiza (MGLU3, R$ 7,30, -8,06%), com analistas avaliando negativamente o canal online. O Mercado Livre também registra baixa: os BDRs (Brazilian Depositary Receipts) do Mercado Livre (MELI34, R$ 67,15, -8,63%) caíam mais de 8%, enquanto as ações negociadas no mercado dos EUA tinham baixa de 12,3%. Das varejistas de moda, Lojas Renner (LREN3, R$ 14,44, -3,35%) e Azzas 2154 (AZZA3, R$ 21,38, -4,21%) também registram queda. Veja abaixo as análises dos resultados: Magazine Luiza (MGLU3)O Magazine Luiza teve prejuízo líquido ajustado de R$ 34 milhões no primeiro trimestre de 2026, revertendo lucro de R$11,2 milhões registrado um ano antes, afirmou a empresa nesta quinta-feira.A varejista apurou lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado de R$718 milhões, montante 5,4% menor que o observado no primeiro trimestre de 2025. A companhia disse que o crescimento das lojas físicas, a expansão da margem bruta de mercadorias e o desempenho da Luizacred contribuíram para o resultado. Conforme destaca a XP Investimentos, a varejista reportou resultados fracos no 1T, com vendas pressionadas em meio a um macro desafiador e queima de FCF (fluxo de caixa livre) por sazonalidade e preparação para a Copa do Mundo.O canal de lojas físicas permanece resiliente, embora desacelerando na base trimestral, enquanto o online foi ainda mais pressionado do que antecipava, com 1P (estoque próprio) deteriorando em vendas de eletrônicos e levando a um Ebitda 5% abaixo do esperado. Leia mais:Confira o calendário de resultados do 1º trimestre de 2026 da Bolsa brasileiraTemporada de balanços do 1T26 em destaque: veja ações e setores para ficar de olho “No geral, acreditamos que o trimestre continua refletindo um ambiente macro e competitivo difícil para a Magalu, enquanto vendas relacionadas à Copa do Mundo podem trazer algum alívio para a receita. Assim, mantemos nossa recomendação neutra”, apontam os analistas.Também na visão do Itaú BBA, os números foram negativos, com a contração online se aprofundando em meio aos resultados amplamente abaixo das estimativas. Quer transformar esses resultados em renda passiva? Acesse a Planilha Viva de Renda gratuitamenteO Magalu apresentou crescimento de vendas nas mesmas lojas (SSS) de 6,4% (+0,3 ponto percentual acima da projeção do BBA), enquanto o volume bruto de mercadorias (GMV) online caiu 11,0% ano a ano (-9,1% versus a projeção do banco), com a divergência entre canais aumentando acentuadamente em relação ao trimestre anterior. A receita líquida caiu 2,0% anualmente, para R$ 9,2 bilhões (-5,4% ante a projeção do banco), enquanto a margem bruta ficou em 30,8% (+0,2 ponto percentual na base anual, mas 0,1 ponto abaixo da projeção da casa). O Ebitda ajustado ficou 12,6% abaixo da sua projeção. “O resultado final [lucro] ficou abaixo das nossas estimativas, com receita mais fraca do que o esperado e despesas financeiras mais elevadas explicando a maior parte da diferença. O crescimento continua sendo um desafio no cenário atual, com altos níveis de endividamento das famílias e taxas de juros ainda pressionando o consumo, o que justifica nossa postura mais conservadora. Nesse contexto, o principal ponto a ser monitorado daqui para frente é a capacidade da empresa de manter a rentabilidade e gerar caixa”, avalia o banco. Mercado Livre (BDR: MELI34)O Mercado Livre registrou um lucro líquido de US$ 417 milhões no primeiro trimestre, uma queda de 15,6% em comparação com o ano anterior e abaixo das expectativas dos analistas, devido aos investimentos em logística, expansão de crédito e frete grátis.O Bradesco BBI ressalta que houve combinação de forte tração operacional com pressão ainda relevante sobre margens. A receita líquida avançou 49% no comparativo anual, ligeiramente acima do esperado, sustentada por indicadores operacionais (KPIs) sólidos em todo o ecossistema. O EBIT somou US$ 611 milhões, com margem de 6,9%, queda de 6 pontos percentuais (p.p.) em base anual e marginalmente abaixo das nossas estimativas e do consenso, refletindo investimentos deliberados em crescimento. No Brasil, o volume bruto negociado (GMV) em base neutra de câmbio acelerou para 38% em base anual, cerca de 6 p.p. acima do esperado, impulsionado principalmente pela redução do limite mínimo para frete grátis, apesar de crescimento mais moderado que o estimado no México e na Argentina. Os indicadores operacionais seguem fortes: compradores ativos atingiram 84,1 milhões (+26% em base anual), itens vendidos cresceram 47%, com aumento de frequência de compra (+16%), enquanto métricas como conversão, retenção, frequência e NPS atingiram níveis recordes no Brasil. Em logística, o custo unitário de frete no Brasil caiu 17% no comparativo anual, ampliando a diluição de custos fixos. Do lado financeiro, o crescimento acelerado do portfólio de cartões de crédito (+104% em base anual) pressionou provisões (+106% em base anual), levando a uma compressão relevante da Margem Financeira Líquida após perdas com inadimplência (NIMAL) para 17,8%. Acompanhar resultados é o primeiro passo. O segundo é este: Baixe grátis a Planilha Viva de RendaO BBI ressaltou que, apesar da qualidade dos resultados operacionais, a mensagem de margens no curto prazo tende a pesar negativamente sobre a reação do mercado. A administração reforçou que não prevê mudanças relevantes na margem EBIT no curto prazo, mantendo-a ao redor de 7%, abaixo das expectativas implícitas para 2026, o que sugere risco de novas revisões baixistas de lucro. Ainda assim, os analistas do BBI seguem construtivos com a tese de longo prazo. A aceleração consistente dos indicadores operacionais (KPIs), o fortalecimento do ecossistema e os sinais claros de que os investimentos estão se traduzindo em maior engajamento, escala e vantagens competitivas reforçam o “moat” da companhia. “Entendemos que a decisão de priorizar crescimento e expansão do ecossistema em detrimento da otimização de margens no curto prazo é racional, especialmente considerando o histórico comprovado de monetização e disciplina de alocação de capital do MercadoLibre. Em um horizonte de 12 a 18 meses, acreditamos que esses investimentos devam prevalecer sobre a atual pressão de margens. Assim, mantemos recomendação de compra para MELI34“, avalia. Para o Itaú BBA, a trajetória de rentabilidade continua sendo o principal fator limitante para a ação. O debate central permanece em relação ao piso da margem e ao momento da inflexão da margem, que continua a ver inclinado para o segundo semestre de 2026, preparando o terreno para um retorno ao crescimento significativo do EBIT e do lucro por ação. “Precisamos ver isso acontecer para que as ações se recuperem de forma mais agressiva”, apontam os analistas. Azzas 2154 (AZZA3) A Azzas 2154 teve lucro líquido recorrente de R$ 64 milhões no primeiro trimestre de 2026, valor 45,7% inferior ao observado no mesmo período do ano anterior. Já o Ebitda recorrente foi de R$ 328,5 milhões, recuando 23,2% na comparação com o primeiro trimestre de 2025.Para a XP, a Azzas reportou resultados fracos no 1T, com receita pressionada em todas as unidades de negócio e Ebitda abaixo do esperado devido a despesas variáveis mais elevadas. “A companhia continua enfrentando desafios operacionais na maioria das unidades de negócio, enquanto comparáveis difíceis em Fashion Women levaram a uma forte desaceleração. Como resultado, três das quatro unidades de negócio entregaram queda nas vendas, enquanto Fashion Women ficou alinhada à inflação”, avalia. Embora o mix de canais e unidades de negócio deva contribuir para a dinâmica de margem bruta, essa métrica permaneceu em queda anualmente, enquanto a receita pressionada levou à desalavancagem operacional, impulsionando um Ebitda abaixo do esperado e FCF negativo. Para a equipe de análise, embora veja de forma positiva as iniciativas da companhia para estabilizar sua operação e enxergue as marcas do grupo como fortes, a complexidade de entender todas as partes móveis e ajustes sendo realizados em todas as unidades de negócio deve manter os investidores à margem até que sinais de inflexão mais consistentes e claros apareçam nos resultados.O BTG Pactual apontou que a Azzas teve receita bruta consolidada de R$ 3,1 bilhões no 1T, queda de 5,8% anualmente e abaixo das estimativas, refletindo desempenho mais fraco nas divisões Basic e Shoes & Bags. A receita líquida caiu 8% anualmente para R$ 2,5 bilhões, pressionada por maiores devoluções e menor geração de créditos de ICMS. A divisão Fashion Women foi o destaque positivo, com crescimento de 4,5% ano a ano, apoiada pela expansão internacional da FARM Rio. Já a divisão Basic recuou 18,5% ante o 1T25, ainda impactada pela normalização de estoques e menor intensidade promocional. Lojas Renner (LREN3)A Lojas Renner reportou nesta quinta-feira lucro líquido de R$257,3 milhões no primeiro trimestre, expansão de 16,4% em relação ao mesmo período no ano anterior. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) total ajustado da varejista somou R$ 610,5 milhões, crescimento de 4,3% na base anual, com a margem estável em 21,2%.Para a XP, a Lojas Renner reportou resultados do 1T aproximadamente em linha, com tendências mais fracas de receita compensadas por uma forte margem bruta do varejo e melhores resultados na Realize. Diferentemente de seus pares, as vendas nas mesmas lojas (SSS) da Lojas Renner ficaram abaixo das suas expectativas, vindo em +3% (+4% em vestuário), em linha com o 4T e abaixo dos pares (SSS de vestuário na CEAB em +5% e RIAA +10%). “Vale destacar que a companhia mencionou que a transição digital do Centro de Distribuição (CD) teve um impacto de 1 ponto percentual nas vendas, que foi finalizada no fim de fevereiro”, avalia.A XP vê os resultados como sólidos, embora acredite que a retomada do crescimento das vendas seja fundamental para que investidores ganhem conforto com a tese de investimento da ação. Ainda assim, acredita que o trimestre confirma os ganhos a serem destravados pelo novo modelo de negócios da companhia, enquanto iniciativas de eficiência devem ser implementadas a partir do segundo semestre, mantendo recomendação de compra.Para o BBI, a Lojas Renner divulgou resultados razoáveis no 1T26, com indicadores centrais amplamente em linha com as expectativas do Bradesco BBI, mas com destaque positivo para a margem bruta e para a geração de caixa. As vendas nas mesmas lojas (SSS) avançaram 3,7%no comparativo anual, próximas da nossa projeção de 4,0%, embora ainda impactadas pela transição do centro de distribuição, que afetou temporariamente o canal digital —um efeito já conhecido e totalmente implementado ao fim de fevereiro. Sabe quanto precisa investir para viver de renda? Calcule agora com a Planilha Viva de RendaAjustando por esse fator pontual, estima que o SSS teria sido cerca de 1 ponto percentual maior, ligeiramente acima do consenso. A margem bruta foi novamente o grande destaque do trimestre: a margem de vestuário avançou 1,9 ponto percentual em base anual, superando com folga nossas estimativas e alcançando o maior patamar histórico para um primeiro trimestre. Por outro lado, a alavancagem operacional seguiu limitada. Mesmo em um trimestre sazonalmente mais fraco, a geração de caixa foi sólida, com fluxo de caixa operacional de R$ 228 milhões, e a companhia distribuiu R$ 297 milhões em proventos aos acionistas ao longo do períodoO banco entende que as tendências fundamentais seguem em linha e não justificam revisões relevantes de estimativas no curto prazo, especialmente quando analisadas sob uma ótica de EBITDA mais “limpa”, livre de efeitos pontuais. “Além disso, parte desses fatores positivos já parece refletida no preço das ações, à luz dos resultados recentes de pares do setor. Diante desse contexto, reiteramos nossa recomendação neutra para LREN3, mantendo uma postura cautelosa enquanto aguardamos sinais mais claros de aceleração consistente de vendas e maior diluição estrutural de despesas”, aponta. The post Magalu tem novo tri difícil, Mercado Livre sofre com margens e ações desabam após 1T appeared first on InfoMoney.
