Dólar: análise técnica projeta moeda a R$ 4,79 com cenário positivo para o real

Blog

O dólar futuro segue pressionado no mercado brasileiro e pode ampliar o movimento de queda nas próximas semanas, em um cenário que combina deterioração técnica dos contratos com um ambiente macro global mais favorável ao real.No dia 14 de abril, o InfoMoney publicou que a região de R$ 4,90 aparecia como um dos próximos alvos relevantes para a moeda americana. Desde então, o dólar aprofundou o movimento de baixa e agora passa a mirar suportes ainda mais baixos no gráfico. Hoje, a moeda norte-americana, na mínima da sessão, atingiu os R$ 4,891.Segundo o analista técnico Rodrigo Paz, os contratos futuros de dólar seguem em forte tendência de baixa tanto no curto quanto no médio prazo, mantendo negociação abaixo das médias móveis de 9, 21 e 200 períodos, “além de permanecerem dentro de um canal de baixa bem definido nos principais tempos gráficos.”“O cenário técnico ainda mostra predominância vendedora, mesmo após a forte sequência recente de quedas. Apesar de indicadores já apontarem aproximação de regiões mais pressionadas — o que pode favorecer repiques técnicos pontuais (de alta) —, ainda não há sinais gráficos mais consistentes de reversão da tendência principal (de baixa).”, completou.Dólar Futuro Gráfico diário do dólar futuro (WDOFUT), entre julho de 2025 e maio de 2026, mostra forte tendência de baixa, com o ativo negociando abaixo das médias móveis de 9, 21 e 200 períodos e dentro de um canal de baixa. O dólar testa suporte próximo de 4.920 pontos, enquanto o IFR em 33,06 pontos indica aproximação de uma região de sobrevenda, cenário que pode favorecer repiques técnicos pontuais, ainda sem sinais claros de reversão da tendência principal. Fonte: Nelogica. Gráfico diário. Elaboração: Rodrigo Paz.No gráfico diário (veja acima), o IFR (14) em 33,06 pontos já se aproxima da faixa de sobrevenda, enquanto os suportes mais relevantes aparecem em 4.914 e 4.842 pontos (cada 1.000 pontos equivalem a R$ 1,00). Caso essas regiões sejam rompidas, o dólar futuro pode acelerar as perdas em direção a 4.798,5 e 4.752,5 pontos, com alvo mais longo na região de 4.697 pontos.Já no gráfico semanal (veja abaixo), a leitura segue amplamente negativa. Após atingir a máxima de 6.324,5 pontos entre o fim de 2024 e o início de 2025, o dólar futuro passou a estruturar topos e fundos descendentes, reforçando o domínio vendedor no médio prazo.Em 2026, os contratos acumulam queda superior a 10%, enquanto o IFR semanal próximo de 28 pontos já indica sobrevenda. Ainda assim, o gráfico não apresenta sinais claros de exaustão da tendência de baixa.Nesse contexto, a perda da região de 4.914 pontos pode abrir espaço para novas quedas em direção aos suportes de 4.790 e 4.697 pontos. Abaixo dessas regiões, os próximos alvos passam a ser 4.613 e 4.480 pontos.Por outro lado, qualquer recuperação mais consistente dependerá da retomada da região entre 5.070 e 5.320 pontos. Acima dessa faixa, as resistências mais relevantes aparecem em 5.383,5 e 5.614 pontos.Gráfico semanal do dólar futuro (WDOFUT), entre junho de 2023 e maio de 2026, mostra manutenção da tendência de baixa no médio prazo, com o ativo negociando abaixo das médias móveis de 9, 21 e 200 períodos e dentro de um canal de baixa. Os suportes mais relevantes aparecem em 4.921, 4.791 e 4.697 pontos. Já o IFR em 27,91 pontos indica sobrevenda, sugerindo possibilidade de repiques técnicos pontuais, embora ainda sem sinais claros de reversão da tendência principal. Fonte: Nelogica. Gráfico semanal. Elaboração: Rodrigo Paz“Em resumo, sigo com uma leitura negativa para o dólar futuro no curto e médio prazo. Enquanto o ativo permanecer abaixo das médias móveis e dentro da estrutura de canal de baixa, o cenário segue favorecendo a continuidade da pressão vendedora.”— Rodrigo Paz, analista técnicoConfira nossas análises:MGLU3: o que a análise técnica aponta para as ações após o balanço da Magazine LuizaBitcoin rompe os US$ 80 mil e devolve força aos compradores; até onde o BTC vai?Análise: BB Seguridade (BBSE3) corrige após resultados; confira faixas de preçoGoldman Sachs vê ambiente favorável ao real e reforça tese de carry trade em emergentesO movimento técnico ocorre em meio ao fortalecimento global das estratégias de carry trade em mercados emergentes — cenário destacado em relatório do dia 6/4 do Goldman Sachs, que colocou o real brasileiro (BRL) entre suas moedas preferidas no universo emergente.Segundo o banco americano, o choque recente do petróleo após o conflito entre Irã e EUA reduziu o espaço para cortes de juros ao redor do mundo e elevou a atratividade de moedas de países exportadores de commodities e com juros reais elevados, como o Brasil.““O choque do petróleo atrasou os cortes de juros globais e acabou recriando um ambiente muito favorável para moedas emergentes de alto carry””— Goldman Sachs, em relatórioNesse contexto, o banco colocou o real entre suas principais apostas globais de carry trade — estratégia em que investidores buscam capturar diferenciais elevados de juros entre países. Além do BRL, o Goldman cita moedas como peso mexicano (MXN), florim húngaro (HUF) e rand sul-africano (ZAR).Segundo a instituição, o Brasil continua oferecendo uma das combinações mais atrativas do universo emergente, sustentada por juros reais elevados, melhora dos termos de troca e exposição positiva ao ciclo de commodities. O banco também revisou para cima suas projeções de juros reais para o Brasil, reforçando a percepção de Selic elevada por mais tempo — fator que tende a sustentar o fluxo estrangeiro para ativos brasileiros.Leia tambémDólar hoje cai abaixo de R$ 4,90 após dados de emprego acima do previsto nos EUATrump afirmou que o cessar-fogo entre os países segue em vigorResiliência dos emergentes ajuda a sustentar pressão sobre o dólarO Goldman também destacou a resiliência recente dos mercados emergentes. Segundo o relatório, o índice MSCI Emerging Markets já opera acima dos níveis anteriores ao conflito no Oriente Médio, enquanto países ligados a commodities e tecnologia, como Brasil, Coreia do Sul e Taiwan, vêm liderando a recuperação recente dos ativos globais.Na avaliação do banco, mesmo em um cenário de redução das tensões geopolíticas, os bancos centrais devem agir com mais cautela antes de iniciar ciclos agressivos de afrouxamento monetário. Isso prolongaria a janela positiva para moedas de carry elevado, especialmente em economias com juros reais ainda altos.O relatório pondera, contudo, que o desempenho do real continua dependente do ambiente global de risco. Estratégias de carry trade tendem a funcionar melhor em cenários de dólar menos pressionado, commodities firmes e volatilidade moderada. Já em episódios de forte aversão a risco, o fluxo costuma migrar rapidamente para ativos considerados mais seguros, como o próprio dólar americano.Confira mais conteúdos sobre análise técnica no IM Trader. Diariamente, o InfoMoney publica o que esperar dos minicontratos de dólar e índice. The post Dólar: análise técnica projeta moeda a R$ 4,79 com cenário positivo para o real appeared first on InfoMoney.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *