Somando-se ao coro de outros CEOs, o ex-líder do Goldman Sachs Lloyd Blankfein está desfazendo o mito de que um diploma da Ivy League (universidades top dos EUA, como Harvard ou Princeton) ou um intelecto extraordinário é pré-requisito para o sucesso. É um padrão que ele observou ao longo de décadas de carreira no setor bancário, chegando ao topo da liderança executiva de um dos maiores bancos do mundo.“Conheci pessoas que trabalharam duro, que se saíram bem, que tiveram oportunidades de sorte — e é justo dar crédito, porque aproveitaram essas oportunidades —, mas não eram gênios”, disse Blankfein recentemente à CNBC International. “Elas simplesmente se dedicaram, mantiveram os ouvidos atentos, tinham curiosidade sobre o ambiente ao redor, perceberam coisas e passaram por pequenas portas que outras pessoas não teriam visto.”Leia também: Começo da Amazon: Bezos tinha escritório em garagem alugada e fez reunião em livrariaAo relembrar sua carreira em finanças, Blankfein apontou um episódio específico que exemplifica essa lição. Ele passou anos trabalhando na J. Aron, do Goldman Sachs — uma empresa relativamente pequena de trading de commodities —, onde se esforçou para provar que a operação tinha potencial para ser ainda maior. E Blankfein percebeu diferenças culturais entre as duas instituições financeiras: os funcionários da J. Aron eram mais práticos do que teóricos e nem todos tinham cursado faculdade, enquanto o Goldman era repleto de formados na Ivy League. Blankfein disse que tinha um “sentimento de precisar provar seu valor” para mostrar que eram ótimos trabalhadores; eles “trabalhavam mais, davam menos coisas como certas [e] eram muito mais curiosos para aprender”.O valor do trabalho duroArregaçar as mangas pode ser mais poderoso do que um diploma universitário chamativo ou um histórico elitizado — e o ex-CEO do Goldman Sachs disse que grandes carreiras estão ao alcance de quem aproveita as oportunidades e trabalha com empenho.“Muitas dessas oportunidades são mais acessíveis do que você imagina”, continuou Blankfein. “Se você acha que alguém só chegou a esse lugar porque é brilhante, genial e teve uma vida perfeita em todas as etapas, você acaba desistindo.”Blankfein viveu essa lição; o bilionário do setor financeiro nasceu em um conjunto habitacional popular no Brooklyn, dividindo um quarto em seu pequeno apartamento em Nova York com a avó ou a irmã até ir para a faculdade. Na época, sua escola de ensino médio estava prestes a fechar — mas o então adolescente se manteve firme, estudou muito e se formou como o melhor aluno da turma. Ele ingressou em Harvard aos 16 anos, onde estudou história na graduação e depois se formou na Faculdade de Direito de Harvard. Após um breve período trabalhando em um escritório de advocacia privado, ingressou na J. Aron, que foi adquirida pelo Goldman em 1981. Passou as cinco décadas seguintes avançando na carreira, até chegar ao topo e atuar como CEO do Goldman Sachs por 12 anos.“Minha trajetória não é apenas identificável, mas acessível”, disse Blankfein. Estatisticamente, não são muitas as pessoas que terão as mesmas oportunidades, mas dá para ir bastante longe aproveitando as chances e trabalhando duro.”Mais CEOs defendem a ideia de sucesso fora das faculdades de eliteBlankfein não é o único líder empresarial que acredita que trabalhar duro é mais importante do que o intelecto natural ou diplomas caros.David Solomon, atual CEO do Goldman Sachs, diz que faz parte do grupo do “inteligente o suficiente”. E ele busca o mesmo ao decidir quem será uma contratação bem-sucedida no banco; o executivo afirmou que os candidatos mais atraentes estão conectados a “elementos humanos”, como capacidade de se relacionar, resiliência e determinação. E a experiência, segundo Solomon, é “enormemente subestimada” e “um grande diferencial para a empresa”.“Você precisa ser inteligente o suficiente, mas a pessoa mais inteligente do mundo, sem um conjunto completo de outras qualidades, não vai navegar bem no Goldman Sachs nem terá sucesso ali no longo prazo”, revelou Solomon no podcast Long Strange Trip, da Sequoia Capital, no ano passado.“Não dá para ensinar experiência”, explicou Solomon. “Experiência importa nessas grandes organizações, e quando ela importa, não é quando tudo vai bem. É quando surgem os obstáculos. Você precisa tomar decisões difíceis.”No ano passado, o presidente e COO da Blackstone, Jon Gray, também disse a novos analistas que trabalhar duro e colaborar são habilidades essenciais para o sucesso no mercado de trabalho desafiador de hoje.Para ter sucesso, disse Gray aos funcionários, é preciso “trabalhar mais e se importar mais; não é complicado”. Ele também os incentivou a pensar como empreendedores e a “tratar as pessoas muito bem, da forma como você gostaria de ser tratado”.Warren Buffett, da Berkshire Hathaway, também não priorizava diplomas da Ivy League na hora de contratar. O gestor de investimentos, com patrimônio de US$ 143 bilhões, não se importava se seus funcionários tinham estudado em Stanford ou Princeton — ou em qualquer faculdade.Ao comentar a aquisição da Forest River pela Berkshire Hathaway em 2005, uma fabricante de veículos recreativos liderada por Pete Liegl, Buffett disse que “nenhum concorrente chegou perto do desempenho dele”, apesar de Liegl não ter vindo de uma universidade extremamente prestigiada. Buffett também citou o empreendedor da Microsoft, Bill Gates, que alcançou sucesso bilionário sem diploma universitário.“Eu nunca olho onde um candidato estudou. Nunca!”, escreveu Buffett em sua carta anual aos acionistas de 2025. “Claro, há ótimos gestores que frequentaram as escolas mais famosas. Mas há muitos, como Pete [Liegl], que podem ter se beneficiado ao estudar em uma instituição menos prestigiada ou até mesmo por não se preocuparem em concluir a faculdade.”2026 Fortune Media IP LimitedThe post Ex-CEO do Goldman Sachs diz que gênios das melhores faculdades nem sempre se dão bem appeared first on InfoMoney.
