O senador Ciro Nogueira (PP-PI) voltou a defender o aumento do limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e reapresentou nesta terça-feira (12) um projeto que amplia a proteção dos investidores para valores entre R$ 840 mil e R$ 1 milhão.A proposta, protocolada como Projeto de Lei, resgata uma discussão que ganhou força após a intervenção em instituições financeiras de médio porte e o rombo bilionário absorvido pelo sistema de garantia bancária nos últimos meses.A iniciativa passou a ser apelidada de “emenda Master”, em referência ao Banco Master, cujo colapso provocou uma das maiores pressões já registradas sobre o FGC.Hoje, o fundo cobre até R$ 250 mil por CPF e por instituição financeira. O valor está congelado desde maio de 2013.Pelo cálculo apresentado por Ciro Nogueira, a cobertura estaria defasada diante do ciclo de juros acumulado desde então. O senador argumenta que, se o limite tivesse acompanhado a evolução da Selic no período, o valor atual deveria superar R$ 840 mil.Leia tambémPL já avalia retirar candidatura de Eduardo Bolsonaro em caso de condenação no STFFilho ‘03’ de Jair Bolsonaro pode ser enquadrado na Lei da Ficha Limpa caso seja condenado por coação no curso de processo criminal“A taxa básica de juros acumulou 239,2% desde o último reajuste. Pela Selic, essa cobertura teria que estar acima de R$ 840 mil”, afirmou o parlamentar em vídeo publicado nas redes sociais.O texto estabelece dois parâmetros distintos. O piso da atualização considera a correção pela Selic acumulada desde 2013. Já o teto de R$ 1 milhão incorpora outros indicadores, como o crescimento patrimonial do próprio FGC e comparações internacionais com fundos de garantia de países desenvolvidos.Na justificativa do projeto, Ciro afirma que o patrimônio líquido do fundo cresceu 4,5 vezes entre 2012 e 2024. O texto também cita que sistemas semelhantes dos Estados Unidos e do Reino Unido oferecem proteção equivalente a cerca de R$ 1,22 milhão e R$ 802 mil, respectivamente.O senador argumenta ainda que o fundo possui liquidez suficiente para suportar a ampliação da cobertura. Segundo o projeto, o índice de liquidez do FGC alcançou 2,23% em 2025, acima do patamar mínimo de 0,8% adotado como referência na União Europeia.A reapresentação da proposta ocorre em meio ao avanço das investigações envolvendo Ciro Nogueira e o fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro. A Polícia Federal sustenta que o senador teria recebido vantagens econômicas em troca de atuação favorável a interesses ligados ao banco.Ciro nega irregularidades e classificou as investigações como um “roteiro absurdo de ficção”.Outras propostasO aumento do FGC já havia sido defendido pelo senador anteriormente. Em 2024, ele tentou incluir a mudança por meio de uma emenda à PEC 65, mas a proposta acabou rejeitada durante a tramitação.Agora, o governo e o mercado financeiro acompanham a discussão em um ambiente mais sensível para o sistema bancário. Em março deste ano, instituições financeiras fizeram um aporte extraordinário de R$ 32,5 bilhões no FGC, antecipando cinco anos de contribuições para recompor o caixa do fundo.Segundo dados citados no projeto, Banco Master, Will Bank e Banco Pleno concentraram juntos impacto estimado em R$ 51,8 bilhões sobre o sistema de garantias, apesar de representarem fatia pequena do sistema financeiro nacional.The post Ciro Nogueira retoma “emenda Master” e propõe elevar proteção do FGC para até R$ 1 mi appeared first on InfoMoney.
