Morgan projeta Ibovespa a 240 mil em 12 meses e potencial bilionário com novos fluxos

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Em relatório projetando os próximos doze meses do mercado da América Latina, os estrategistas do Morgan Stanley apontaram seguirem otimistas com ações da região no longo prazo. Contudo, destacaram que o curto prazo “exige cautela”, citando que o petróleo mais alto por mais tempo representa um risco para o afrouxamento das condições financeiras e para o crescimento econômico. Ainda assim, reiteraram classificação “overweight” em Brasil na região, projetando o Ibovespa a 240 mil pontos no cenário-base para meados de 2027, o que corresponderia a um retorno de cerca de 31% em reais e 22% em dólares. O banco mantém essa exposição no Brasil com base em um rebalanceamento de mercado e mudanças nas políticas. A visão da equipe de estrategistas é de que o país permanece bem posicionado para absorver novos investimentos em mercados impulsionados por energia e commodities. Além disso, em particular, continua sendo um dos favoritos na América Latina para gastos com infraestrutura de inteligência artificial. O setor de petróleo e energia continua sendo um ponto forte para o Brasil e, em meio aos recentes acontecimentos, caso dos conflitos no Oriente Médio, o banco americano elevou a sua posição em Petrobras (PETR4) e Copel (CPLE3). Por outro lado, uma possível mudança de política após as eleições de outubro de 2026 proporcionaria um potencial de alta adicional devido à nova demanda por ações no mercado interno e às expectativas de políticas pró-mercado, embora a confiança em relação ao resultado das eleições permaneça baixa. “Um ciclo de afrouxamento monetário em curso reduzirá os custos de capital e os prêmios de risco”, avalia a equipe. Sabe quanto precisa investir para viver de renda? Calcule agora com a Planilha Viva de RendaO banco espera um arrefecimento da economia brasileira que permita taxas de juros mais baixas e uma trajetória de ajuste fiscal crível, com o surgimento de um novo ciclo de investimentos que impulsione o crescimento de qualidade e o fortalecimento do crédito privado. Um menor custo de capital próprio poderia ajudar ainda a acelerar a expansão dos múltiplos, permitindo uma reavaliação positiva para o cenário base de cerca de 10 vezes o múltiplo de preço sobre lucro (P/L). Por outro lado, existem riscos decorrentes da inflação impulsionada pelo setor de energia, que podem manter as taxas de juros elevadas por mais tempo, especialmente se isso levar a um crescimento frágil que pode se transformar em recessão. “A materialização desse cenário nos levaria a adotar uma perspectiva mais pessimista, embora o risco permaneça baixo, visto que nossos economistas também interpretaram a recente reunião do Copom como dovish (mais branda, que sinalizaria mais queda de juros), apesar da renovada pressão do conflito no Oriente Médio”, aponta. Situação paradoxal?O Brasil ainda se destaca por estar simultaneamente sobrecomprado por gestores de mercados emergentes) e sobrevendido por investidores locais. Quando medido como posicionamento no Brasil entre os emergentes, o peso está na faixa superior observada nos últimos 20 anos. Contudo, devido à sobrealocação de fundos de mercados emergentes no Brasil e à subalocação de fundos globais nesses mercados, a posição global no Brasil poderia aumentar ainda mais se os investidores globais adotassem uma alocação igualitária em mercados emergentes, podendo chegar a cerca de US$ 30 bilhões caso a alocação global em mercados emergentes fosse de 1,0%.O banco avalia que, embora o Brasil ainda possa se beneficiar de capital adicional proveniente de investidores globais investindo em mercados emergentes, os fatores provavelmente seriam semelhantes aos observados em outros mercados da América Latina (e mercados emergentes). Contudo, o Brasil se destaca pelo seu potencial de fluxo de capital local, que poderia adicionar demanda significativa por ações brasileiras, considerando uma normalização do peso atual de cerca de 4% para a média histórica próxima a 9%.Leia tambémIbovespa Hoje Ao Vivo: Bolsa oscila e tenta sustentar os 180 mil pontosBolsas dos EUA operam mistas Ações brasileiras devem “andar de lado” com juros e eleições no radar, diz JPMorganBanco americano prevê Bolsa lateral no Brasil após rali e saída de capital externoO mercado de capitais brasileiro ultrapassou a marca de US$ 2 trilhões, com a participação local em ações domésticas em um patamar mínimo de aproximadamente 4% hoje, comparado à média histórica próxima a 9%. A taxa de juros mais baixas deve estimular novos fluxos para ações, e, portanto, o Morgan espera que o rebalanceamento atraia entradas significativas para essa classe de ativos. O crescimento do investimento pode impulsionar o crescimento econômico potencial, reduzindo as pressões inflacionárias e elevando os múltiplos.Se os fluxos de capital local retornarem ao mercado acionário brasileiro, o Morgan destaca preferir o Ibovespa em relação ao MSCI Brasil, que é majoritariamente composto por investidores estrangeiros. Isso não significa, porém, que o Morgan prefira ações de small caps. Na verdade, cerca de 90% do índice Ibovespa é composto por ações também presentes no MSCI Brasil, avalia. A expectativa é de que o patrimônio líquido sob gestão (AUM) de fundos de ações locais aumente em até US$ 25 bilhões, exclusivamente devido às mudanças na taxa Selic. Anteriormente, o Morgan já havia estimado que um corte de 50 pontos-base (0,5 ponto percentual) na taxa Selic corresponderia a aproximadamente US$ 2 bilhões em entradas provenientes de realocação doméstica. Os economistas da casa preveem atualmente cortes de 450 pontos-base até o final de 2027 (esperando um corte de 13% no final de 2026 e de 10,5% no final de 2027), o que, ao valor de mercado atual do AUM dos fundos locais, corresponderia a uma entrada de aproximadamente US$ 23 bilhões. Em um cenário de entradas mensais adicionais nos fluxos de ações, com um fluxo de referência de US$ 25 bilhões para o Ibovespa ao longo de 18 meses, o banco esperaria uma entrada ligeiramente maior em relação à liquidez para os membros do MSCI, em torno de 0,22 dias de ADTV (contra 0,16).O Morgan destaca a Equatorial (EQTL3; 0,45 dias de ADTV, ou volume médio de negociações diárias), a Axia Energia (AXIA3; 0,42) e a Vibra (VBBR3; 0,38) como ações com classificação overweight, que devem receber as maiores entradas em relação à liquidez entre os membros do Ibovespa.De olho nas eleiçõesEmbora acredite que ainda seja muito cedo para ter confiança no resultado das eleições, o Morgan apresentou dois grupos de ações para orientar os investidores sobre as melhores maneiras de se posicionar em cada um dos possíveis resultados eleitorais. Entre as ações ligadas a uma mudança de política monetária que marca uma transição estrutural do consumo para o investimento, o banco destaca, entre outras, serviços financeiros de alta qualidade e sensíveis às taxas de juros – como Nubank (BDR: ROXO34), XP (BDR: XPBR31), BTG Pactual (BPAC11) e B3 (B3SA3) -, empresas selecionadas do setor de consumo – Mercado Livre (BDR: MELI34), Cyrela (CYRE3) e Vivara (VIVA3) -, empresas estatais – como Petrobras (PETR3;PETR4) e Banco do Brasil (BBAS3) e empresas ligadas a investimentos – como Axia (AXIA3), Rumo (RAIL3) e Motiva (MOTV3). Entre as ações ligadas à continuidade da política monetária, na qual o modelo econômico brasileiro permanece impulsionado pelo estímulo fiscal, o banco destaca, entre outras, empresas que geram receita em moeda forte — como Vale (VALE3), Embraer (EMBJ3), Gerdau (GGBR4), JBS (JBSS3) e Suzano (SUZB3) —, empresas financeiras que se beneficiam de taxas de juros elevadas — Itaú Unibanco (ITUB4), BB Seguridade (BBSE3), Caixa Seguridade (CXSE3) e Porto (PSSA3) —, além de companhias de telecomunicações com perfil mais defensivo, como TIM (TIMS3) e Telefônica Brasil (VIVT3).The post Morgan projeta Ibovespa a 240 mil em 12 meses e potencial bilionário com novos fluxos appeared first on InfoMoney.

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