Antes do mercado financeiro, João Emilio Ribeiro Neto teve uma trajetória marcada por outra figura ilustre: o avô materno, João Guimarães Rosa, um dos maiores escritores brasileiros. O autor faleceu quando o executivo tinha 10 anos, três dias após tomar posse na Academia Brasileira de Letras — cerimônia que havia adiado por anos por temer não suportar a emoção.“Ele era um avô. As pessoas, às vezes, cobram de mim: ‘Puxa, mas ele não fazia sarau aos literários?’ Não, ele era um avô”, recordou. O executivo só passou a conhecer melhor o lado público do avô através dos livros e da biografia escrita pela própria mãe, que estreou como autora poucos dias antes da morte do pai.Veja mais: Berkshire inaugura nova fase com primeira assembleia sem Buffett no comandoE também: Como a saída de recursos dos fundos impacta o investidor? Gestor da JGP respondeA busca incessante de Guimarães Rosa pelo conhecimento — médico, escritor e diplomata — inspirou o neto. “Eu vi que ele tinha uma relação com o sertão, que eu tenho com as montanhas, com o mar”, comparou o executivo, criado no Rio de Janeiro.Formado em engenharia civil pela PUC do Rio de Janeiro em 1982, João Emilio se viu numa geração em que a engenharia brasileira havia sido dizimada pelas crises econômicas. A maior parte da turma migrou para a informática, área que estava em plena expansão no país. Ele conversou com Lucas Collazo, host do podcast Stock Pickers.Quando ninguém queria, eles compraram — e acertaram em cheioEle fez uma pergunta ignorada por todos — e lucrou com o colapso da GafisaDo estágio na Shell à decisão de virar banqueiroO primeiro contato profissional foi na Shell, como estagiário. A empresa havia trazido de Londres dois computadores Apple II para que jovens estagiários desenvolvessem um sistema de controle de estoques. Foi também o primeiro contato do executivo com o Visicalc, programa que antecedeu o Excel. “Cara, perdi o emprego, dancei”, pensou João Emilio quando a nova ferramenta apareceu. Aconteceu o oposto: a planilha eletrônica alavancou o trabalho da equipe.Depois veio a Arthur Andersen, hoje rebatizada como Accenture, seu primeiro emprego formal em meio à recessão dos anos 1980. A consultoria oferecia metodologia consolidada, treinamentos nos Estados Unidos e uma estrutura robusta de profissionais. Mas, com o passar do tempo, o executivo se viu cada vez mais distante dos projetos práticos, gastando 30% a 40% do tempo com assuntos administrativos.A decisão de trocar a segurança da Arthur Andersen pela aventura do Pactual foi a mais difícil da carreira. Para refletir, João Emilio pegou o carro no horário do almoço, subiu para Petrópolis e ficou uma hora sozinho num pico. No fim, prevaleceu o conselho de um amigo do Banco Garantia: “Vai, vai, porque você vai trabalhar com empreendedor, você vai trabalhar com empresário de verdade”.O executivo conclui refletindo sobre tecnologia que vale tanto para os anos 1980 quanto para hoje, na era da inteligência artificial. “A tecnologia sempre vence. Acho que a gente tem de tomar todos os cuidados, mas a tecnologia sempre vence”, afirmou. Na JGP Crédito, segundo ele, jovens de 20 anos lideram o comitê de inteligência artificial, replicando o mesmo movimento que viu décadas atrás, quando os recém-formados levaram a microinformática para dentro dos bancos.The post O legado de Guimarães Rosa que levou o neto ao mercado financeiro appeared first on InfoMoney.
