As taxas do Tesouro Direto abrem em alta nesta terça-feira (19), impulsionadas por dois vetores simultâneos: no exterior, os rendimentos dos Treasuries americanos atingiram as maiores marcas em quase duas décadas; no Brasil, o risco político eleitoral e o impasse no Estreito de Ormuz continuam adicionando prêmio à curva doméstica.Nos prefixados, a variação foi contida, mas levou alguns papéis para próximo do maior patamar em 12 meses. Foi o caso do Prefixado 2032, que avançou levemente para 14,33%, e do Prefixado com Juros Semestrais 2037, que saltou para 14,40%, ambas novamente muito perto das máximas anuais atingidas na sexta-feira (15).Nos títulos de inflação, a abertura foi para cima em toda a curva. O Tesouro IPCA+ 2040 avançou 3 pontos-base para 7,33%, de 7,30%, e o IPCA+ 2050 avançou de 7,01% para 7,05%. Já o IPCA+ 2060 com juros semestrais foi negociado a 7,23%, ante 7,21% na véspera.O pano de fundo global é de forte pressão sobre os títulos soberanos em todo o mundo. Os rendimentos dos títulos de 30 anos do Tesouro americano superaram o patamar psicológico de 5% e avançaram para 5,125%, o nível mais alto desde junho de 2007. A pressão vem de uma onda de vendas que se estendeu além dos EUA: os rendimentos dos gilts britânicos de 30 anos atingiram o nível mais alto desde 1998, enquanto o rendimento dos títulos do governo japonês de 30 anos chegou ao seu maior patamar histórico.Leia tambémTesouro IPCA+ longo dá trégua e rende o dobro dos demais títulos em abrilÍndice IMA-B 5+, da Anbima, que reúne os papéis de inflação mais longos do Tesouro, cresceu 2,20% no mês enquanto a média dos títulos públicos avançou cerca de 1,10%LCI ou CDB? Novo imposto mínimo embaralha cálculo de qual rende mais; entendaImposto para “super-ricos” faz com que aplicação tributada acabe sendo mais vantajosa que as sem tributação em alguns casos; entenda quais e saiba exceçõesO gatilho para a alta global dos juros foi a aceleração da inflação americana, diretamente ligada ao choque de energia provocado pelo conflito no Oriente Médio. A inflação ao consumidor subiu para 3,8% no mês passado, a leitura mais alta desde maio de 2023, e os dados do índice de preços ao produtor mostraram alta de 1,4% mês a mês, o aumento mais acentuado desde 2022, impulsionado pelos custos mais altos de energia.Com isso, os mercados eliminaram completamente qualquer possibilidade de um corte nas taxas do Fed este ano e passaram a considerar crescente probabilidade de uma elevação antes do final do ano. O Barclays alertou seus clientes que os rendimentos dos Treasuries podem ultrapassar os 5,5%, nível visto pela última vez em 2004.No front doméstico, a pressão tem origem dupla. Uma pesquisa Atlas para a Bloomberg mostrou que Flávio Bolsonaro perdeu terreno nos cenários de primeiro turno após o episódio com Vorcaro, reforçando a incerteza eleitoral que vem sendo precificada desde a semana passada. O Estreito de Ormuz segue sem normalização efetiva do tráfego, mantendo o prêmio de risco geopolítico embutido nos vencimentos mais longos. O Ibovespa futuro cai no mesmo ambiente, e o dólar opera em leve alta, contribuindo para sustentar as taxas no patamar elevado em que se encontram.Veja as taxas do Tesouro Direto às 9h25 desta terça-feira (19):TítuloRendimento AnualVencimentoTesouro Reserva 2036SELIC01/01/2036Tesouro Selic 2031SELIC + 0,0813%01/03/2031Tesouro Prefixado 202914,08%01/01/2029Tesouro Prefixado 203214,33%01/01/2032Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 203714,40%01/01/2037Tesouro IPCA+ 2032IPCA + 7,84%15/08/2032Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2037IPCA + 7,59%15/05/2037Tesouro IPCA+ 2040IPCA + 7,33%15/08/2040Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2045IPCA + 7,35%15/05/2045Tesouro IPCA+ 2050IPCA + 7,05%15/08/2050Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2060IPCA + 7,23%15/08/2060The post Tesouro Direto: juros prefixados tocam máximas de 12 meses com pressão dos EUA appeared first on InfoMoney.
