Muito antes de se tornar CEO do Goldman Sachs, David Solomon recebeu uma lição dura do pai depois de reclamar que nunca tinha dinheiro suficiente: o problema não era falta de dinheiro. Era falta de tempo.Crescendo no interior do estado de Nova York, Solomon mantinha uma rotina cheia: praticava três esportes, participava do grêmio estudantil e ainda trabalhava servindo os 31 sabores de sorvetes da Baskin-Robbins.Leia também: Ex-CEO do Goldman Sachs diz que gênios das melhores faculdades nem sempre se dão bemMesmo assim, ele nunca tinha dinheiro suficiente para fazer o que queria. Quando reclamou com o pai, um empresário, Solomon esperava receber apoio — ou talvez um empréstimo.Em vez disso, o pai lhe deu uma lição sobre gestão do tempo.“Ele me disse para pegar um calendário e anotar tudo o que eu fazia todos os dias”, relembrou Solomon no último fim de semana, ao discursar para formandos de MBA da Wharton School, da Universidade da Pensilvânia. “E percebi, quando tive de prestar contas de cada minuto, que na verdade desperdiçava bastante tempo.”“Três semanas depois, com um pouco mais de organização intencional na minha agenda, eu estava trabalhando em um segundo emprego, virando hambúrgueres no McDonald’s”, acrescentou Solomon.A lição marcou sua vida. Décadas depois, Solomon transformou a experiência em um conselho para jovens profissionais que enfrentam um mercado de trabalho marcado pela incerteza na era da IA: aceite críticas, mantenha-se aberto a mudanças e aproveite as oportunidades que aparecem.“Ao longo da minha carreira de 42 anos, descobri que existem certos valores fundamentais que vão além das mudanças de tecnologia e cultura”, disse ele. “E, se você trabalhar neles, eles não apenas ajudarão você a buscar excelência e aproveitar oportunidades, como também aumentarão suas chances de olhar para trás quando estiver mais velho, como eu, e se sentir satisfeito com a forma como usou seu tempo.”David Solomon é CEO do Goldman de dia e DJ à noiteSolomon levou sua ética de trabalho intensa para a faculdade, estudando ciência política e governo no Hamilton College enquanto conciliava uma rotina cheia entre estudos, rúgbi e trabalhos como bartender. Como responsável pelos eventos sociais de sua fraternidade, também ficou conhecido como o criador oficial das playlists — uma paixão pela música que o acompanharia no mercado financeiro.Depois de entrar no Goldman Sachs em 1999, espalhou-se a notícia sobre seu trabalho paralelo como artista de música eletrônica sob o nome “DJ D-Sol”.“Várias pessoas vieram falar comigo dizendo: ‘Você precisa parar de ser DJ se quiser se tornar CEO do Goldman Sachs’”, relembrou. “No fim das contas, decidi que gostava demais de ser DJ para desistir disso, e é algo que continuo fazendo até hoje, embora de forma um pouco menos pública.”À medida que Solomon ascendeu aos cargos de presidente em 2017 e CEO em 2018, ele insistiu que o hobby não era uma distração — era uma válvula de escape nos momentos turbulentos da carreira.“É importante escolher uma profissão pela qual você seja apaixonado. Eu escolhi. Amo finanças e amo a trajetória profissional que tive”, afirmou Solomon. “Mas também acho importante e necessário ter paixões fora do trabalho.”E, independentemente do caminho profissional que você siga, não deixe que isso impeça você de perseguir aquilo de que gosta — dentro e fora do escritório, disse ele aos formandos.“Existe algo que cada um de vocês faz que traz entusiasmo e alegria. Não deixem isso de lado. Vocês têm uma longa jornada pela frente, cheia de contratempos e dias difíceis. Será muito mais fácil se reerguer e seguir em frente se permanecerem conectados ao que realmente faz vocês vibrarem.”A Fortune procurou o Goldman Sachs para comentar o assunto.Solomon não está sozinho: ralar para chegar ao topo é quase um rito de passagem entre pessoas bem-sucedidasA mentalidade de trabalho duro de Solomon é compartilhada por muitas pessoas que chegaram ao topo de suas áreas.Por exemplo, o campeão da NBA Metta World Peace já relembrou uma lição que aprendeu com o falecido Kobe Bryant sobre o que realmente significa esforço em nível de elite: mesmo quando você acha que está trabalhando duro, provavelmente existe alguém trabalhando ainda mais.Certa vez, ele chegou à academia às 8h — o que considerava cedo — apenas para encontrar Bryant já indo embora.“Ele já tinha tomado banho. Já tinha terminado”, contou World Peace à Fortune no início deste ano. “E eu achando que estava trabalhando duro!”Da mesma forma, o CEO da Twilio, Khozema Shipchandler, disse que sua rotina vai aproximadamente das 4h30 às 21h — ritmo que ele atribui aos ensinamentos dos pais.“Fui criado meio desse jeito”, disse ele à Fortune no ano passado, acrescentando que as pessoas estabelecem “referências com base nas experiências de vida”.“Eles realmente incentivavam trabalhar duro e aproveitar a vida intensamente — e, aliás, eu realmente aproveito quando não estou trabalhando — então esse era o objetivo”, afirmou Shipchandler.E mesmo nos níveis mais altos da liderança corporativa, essa intensidade não necessariamente desaparece. Jensen Huang, CEO da Nvidia, afirmou que ainda trabalha sete dias por semana, incluindo feriados, enquanto lidera a empresa mais valiosa do mundo, atualmente avaliada em mais de US$ 5,3 trilhões.“Você conhece aquela frase ‘a 30 dias de quebrar’? Eu a uso há 33 anos”, disse Huang em um episódio do podcast The Joe Rogan Experience. “Mas a sensação não muda. O sentimento de vulnerabilidade, de incerteza, de insegurança — isso não vai embora.”2026 Fortune Media IP LimitedThe post CEO do Goldman Sachs tem uma mensagem para quem quer o sucesso: pare de perder tempo appeared first on InfoMoney.
