O salto no preço internacional do petróleo desde o início do conflito no Oriente Médio, há quase três meses, tem provocado altas nos preços dos combustíveis e afetado os índices de inflação pelo mundo.Com políticas diversas para absorver ou mitigar essas altas, os governos de grandes economias têm trabalhado com estratégias que vão desde fortalecer reservas e incentivar o uso de energia limpa até reduzir impostos sobre a atividade de distribuição e refino.O InfoMoney listou alguns impactos e medidas tomadas ou em estudo para enfrentar a crise de energia. Veja alguns exemplos:Leia também: Preços de combustíveis no Brasil sobem menos que nos EUA e União Europeia, diz IneepEUAO preço médio do galão de gasolina passou os US$ 4,50 em maio – segundo dados da AAA — e o presidente Donald Trump estuda retirar momentaneamente o imposto federal sobre o combustível, numa tentativa de reduzir o impacto sobre os consumidores e impedir uma escalada da inflação. Os estados onde a gasolina subiu menos foram exatamente os que fizeram cortes nos impostos locais.Trump disse aos repórteres na segunda-feira (18) que pretende suspender o imposto federal de 18 centavos por galão sobre gasolina. Essa suspensão exigiria um ato do Congresso, mas isso não deverá ser um problema porque democratas na Câmara e no Senado já propuseram em março medidas para segurar o imposto.A Geórgia suspendeu seu imposto sobre a gasolina em março, em medida com previsão de expirar nesta semana. Indiana e Utah seguiram esse exemplo.Mas a conta deve continuar salgada: a NBC calcula que o preço médio já subiu 50% desde 28 de fevereiro (data dos primeiros ataques de EUA e Israel contra o Irã) e que, mesmo que todos os impostos federias e estaduais fossem eliminados, essa alta ainda seria de 35%.Leia também: EUA estão abertos a suspender imposto sobre combustíveis, diz secretário de EnergiaBrasilApós algumas ações de redução de impostos pelo governo, os preços da Petrobras estão atualmente 37% abaixo da paridade de exportação (EPP) para a gasolina e alinhados com a paridade de importação (IPP) para o diesel – segundo cálculos do Itaú BBA.No dia 13, o governo federal anunciou uma medida provisória (MP) prevendo um benefício tributário dos tributos federais Cide e PIS/Cofins, tributos federais que incidem sobre os combustíveis. Antes disso, foi desenhada uma subvenção para o diesel em parceria entre União e Estados: o governo federal disse que arcaria com R$ 0,60 por litro do combustível, e os governos estaduais, com outros R$ 0,60. No entanto, a direção da Petrobrás já afirmou que algum reajuste será inevitável. “Vai acontecer já, já aumento do preço da gasolina, mas temos que manter o mercado”, declarou a presidente da Petrobras, Petrobras, Magda Chambriard, após a divulgação do balanço trimestral da estatal.ChinaNa China, mais de 300 milhões de pessoas dirigem carros que funcionam a gasolina ou diesel e os países do Golfo são uma grande fonte de petróleo do país (especialmente o Irã), o que torna o fechamento do Estreito de Ormuz em uma questão muito sensível para a população.Uma das estratégias adotadas pelo gigante asiático foi manter as reservas de petróleo em nível alto – os cálculos são de que a China acumulou reservas de cerca de 900 milhões de barris, equivalente a pouco menos de três meses de importações, segundo a BBC. Dados da Universidade de Columbia, citados pela mídia estatal chinesa, disseram que a China possuía reservas de combustível de cerca de 1,4 bilhão de barris.Pequim ampliou a cautela no gerenciamento de seus suprimentos no curto prazo: as autoridades ordenaram que suas refinarias cessassem temporariamente as exportações de combustível, numa tentativa de manter os preços internos sob controle.A Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma (NDRC) é quem revisa os preços da gasolina e do diesel a cada 10 dias, ajustando os valores com base nos preços globais do petróleo bruto. Foram aplicados cinco reajustes nos preços neste ano, mas o último veio abaixo do previsto. O preço local da gasolina subiu cerca de 20% desde o início do conflito.ÍndiaAs refinarias estaduais indianas começaram na semana passada a aumentar os preços da gasolina e do diesel, primeiro em 3 rúpias por litro e depois subiram outros 90 centavos (pouco menos de 4% de reajuste), numa busca por recuperar parte das perdas causadas pela alta dos preços globais do petróleo bruto.Por conta de algumas das mudanças recentes nos impostos especiais, parte do choque de preços está sendo absorvida pelo governo, em vez de ser repassada ao consumidor. A abordagem de aumentos graduais nos preços da gasolina e do diesel visam evitar um choque imediato da inflação ao consumidor.Essa decisão de um valor modesto – apesar de ser o primeiro aumento em quatro anos — não deve prejudicar a demanda interna por combustíveis, segundo a SP Global, mas a consultoria alerta que as refinarias podem ser pressionadas a aumentar ainda mais os preços nas bombas se os preços globais permanecerem elevados.“As refinarias indianas se beneficiaram no passado quando os preços do petróleo bruto estavam baixos. Assim, agora eles podem absorver parte das perdas em prol dos consumidores e manter o combustível em níveis acessíveis”, disse uma fonte do governo.Analistas disseram que a Índia pode aumentar novamente os preços do varejo dos combustíveis se a situação no Oriente Médio não se normalizar e os preços globais do petróleo bruto permanecerem elevados por um período prolongado.EuropaA União Europeia tem divulgado comunicações sobre medidas que vinham sendo tomadas desde a crise de energia originada com a guerra na Ucrânia para passar uma mensagem de resiliência, com diversificação de fontes e de incentivo à “energia limpa”. Mas é fato que os preços têm impactado o dia a dia nas grandes economias.A Alemanha registrou aumentos de quase 14% na gasolina e 20% no diesel desde o início da guerra e França enfrenta altas de 21% e 31%, respectivamente.Já houve protestos pontuais de agricultores reclamando das altas do diesel em alguns países e uma reclamação formal da Itália sobre os atrasos na adoção de medidas de mitigação.A Comissão Europeia, por meio da AccelerateEU, propôs introduzir medidas temporárias e direcionadas, como auxílio estatal, para os setores econômicos mais expostos a picos de preços: agricultura, pesca, transporte e indústrias intensivas em energia. Se o programa for implementado, entrará em vigor até 31 de dezembro de 2026.Fora do bloco, os efeitos também são fortes. Na terça-feira (19), a empresa de serviços automotivos RAC revelou que o preço médio da gasolina sem aditivo de chumbo no Reino Unido subiu para 158,52 libras por litro, o nível mais alto desde o início da guerra no Irã.A organização automotiva também afirmou que o combustível sem chumbo provavelmente aumentaria para pelo menos 160 libras por litro nas próximas semanas, a menos que haja uma “queda dramática e sustentada” no preço do petróleo.No final de semana, o jornal The Sun informou que o governo britânico pode estender mais uma vez a redução no imposto de combustíveis, que está em vigor desde a escalada de preços pós-pandemia, atribuindo a informação ao gabinete da ministra das finanças Rachel Reeves. O aumento do imposto está previsto para setembro.The post Como os países estão enfrentando a crise de combustíveis gerada pela guerra? appeared first on InfoMoney.
