A XP Investimentos publicou uma análise nesta quarta-feira (20) sobre os reflexos da segurança energética nos mercados financeiros após a intensificação dos conflitos no Oriente Médio. Segundo os analistas que assinam o relatório, o panorama global atual fomenta uma estratégia simultânea que acelera a implementação de fontes limpas ao mesmo tempo em que mantém aportes contínuos em combustíveis fósseis. Na visão da XP, o Brasil desponta em posição resiliente nesse cenário, especialmente por conta da matriz elétrica predominantemente renovável e por sua condição de exportador relevante de petróleo bruto.As oscilações do mercado internacional de energia continuam a enviar choques globalmente por conta da guerra no Irã. “O Brent ultrapassou brevemente US$ 118/bbl (barril) em meio a preocupações com interrupções no fornecimento, refletindo o papel do Irã na produção global e em rotas de trânsito importantes”, diz o relatório.Apesar do susto inicial, a leitura dos analistas é de que a volatilidade possui caráter passageiro e as cotações devem ingressar em uma trajetória de acomodação. “A equipe de Óleo e Gás da XP espera que os preços se normalizem gradualmente, embora permanecendo relativamente elevados ao longo de 2026 devido a um prêmio de risco geopolítico persistente”, aponta o documento.Leia tambémIbovespa Hoje Ao Vivo: Confira o que movimenta Bolsa, Dólar e Juros nesta quintaÍndices futuros dos EUA recuam com guerra e balanços no radar Brasil versus choques externosA economia brasileira possui fatores de proteção que mitigam alguns dos efeitos das crises externas de abastecimento na comparação com outras nações desenvolvidas. A XP destaca que o país, com uma estrutura robusta, sustenta cerca de 88% de fontes renováveis em sua geração elétrica (patamar muito superior à média mundial de 39%, segundo os analistas), além de contar com exigências elevadas de adição de biocombustíveis na sua frota.Outro pilar de sustentação é a balança comercial favorável no segmento de óleo e gás, dado que o petróleo bruto é um dos principais produtos de exportações brasileiras. “Se as tensões geopolíticas persistirem e os preços do petróleo continuarem elevados, o status de exportador líquido do Brasil deve apoiar a balança comercial, fortalecer a moeda e ajudar a amortecer as pressões inflacionárias importadas”, projeta a equipe macroeconômica da XP Investimentos.Apesar de todos os aspectos favoráveis que o Brasil possui, os analistas reforçam que o isolamento do país não é completo, visto que o mercado interno ainda exibe dependência externa de derivados refinados. Leia tambémEnergisa vende cinco ativos de transmissão à Taesa por R$ 1,5 biPreço da operação com data base ao final de 2025 considera um ‘enterprise value’ de R$ 2,293 bilhões e um valor da dívida líquida dos ativos de transmissão de R$748 milhõesO abastecimento nacional recorre à paridade de importação para suprir cerca de 25% do consumo doméstico de óleo diesel, além de volumes expressivos de gás liquefeito de petróleo (GLP).Dinâmica de via de mão duplaDo ponto de vista dos negócios, a disparada no preço dos combustíveis tradicionais funciona como um estímulo financeiro para duas direções diferentes. De um lado, quando o diesel e o gás natural ficam mais caros, projetos alternativos que antes pareciam custosos (como o uso de biometano e usinas de energia limpa ligadas à rede) ganham força, tornando-se muito mais competitivos e atraentes para as empresas que buscam cortar custos.Por outro lado, com a valorização crescente do petróleo, o retorno financeiro de projetos que desenvolvem novos campos também cresce.“Assim, um período prolongado de preços elevados do petróleo bruto provavelmente apoiaria uma maior alocação de capital para atividades de exploração e produção, potencialmente estendendo o ciclo de monetização das reservas de combustíveis fósseis do país”, ressaltam os analistas.Panorama das ações e ETFs A XP Investimentos mapeou as principais teses de investimento divididas entre os dois caminhos da segurança energética, destacando empresas nacionais e fundos de índice (ETFs) negociados no mercado dos EUA.Energia limpaPara o caminho de energia limpa e infraestrutura descarbonizada, algumas empresas se destacam: “Auren (AURE3) é altamente alavancada para as crescentes necessidades de transição energética”, diz o relatório, destacando também que o negócio também enfrenta barreiras temporárias com cortes de geração no curto prazo. Já para a Engie (EGIE3), “o portfólio equilibrado da empresa (hídrico, renováveis e transmissão) expõe a companhia a todas essas tendências em várias frentes”, segundo a análise, permitindo que ela aproveite a força e a base global de clientes de seu controlador europeu para gastar menos e render mais.Sobre transmissão e redes elétricas, as duas principais são Alupar (ALUP11) e Axia Energia (AXIA6). “Alupar tem uma exposição relevante na América Latina que pode se beneficiar com ainda mais relevância do que o Brasil em eletrificação”, afirmam os analistas. Na mesma linha de expansão, eles pontuam que Axia possui uma exposição secular a economia em descarbonização, além de já possuir uma demanda interessante por energia renovável.Já a WEG (WEGE3) corre pelas duas pistas com igual eficiência. “O ciclo de capex em suprimento de energia confiável e diversificado apoia a demanda por fabricantes de equipamentos, de transformadores e soluções de rede a produtos industriais eletroeletrônicos”, explica a XP Investimentos.Os analistas lembram que a empresa atende desde a expansão da rede elétrica até o mercado mundial de óleo e gás, que responde por cerca de 20% das vendas de seus motores industriais.Por fim, no campo das ações de companhias listadas na B3, sobre os combustíveis verdes, 3Tentos (TTEN3) é a escolha principal (Top Pick) em todo o universo de cobertura de Agro e Alimentos & Bebidas da XP.Eles ainda reforçam que há um impulso pelo avanço regulatório de aumentar a quantidade obrigatória de biodiesel no país para 20% até 2030.Por outro lado, as usinas focadas em etanol seguem com recomendação neutra devido à forte dependência das oscilações do produto. “Estimamos que o mix de Ebitda (Lucro antes dos juros, Tributos, Depreciação e Amortização) recorrente normalizado da São Martinho (SMTO3) deve ser cerca de 60% exposto ao etanol”, detalha o relatório. O cenário é parecido para a concorrente: “estimamos que o mix de Ebitda recorrente normalizado da Jalles Machado (JALL3) deve ser de aproximadamente 40% exposto ao etanol”, embora ambas tentem se blindar no futuro com investimentos em novas plantas de biometano.Para quem quer investir fora do país através de ETFs, o documento destaca que o iShares Global Clean Energy ETF (ICLN) “rastreia o S&P Global Clean Energy Transition Index, oferecendo ampla exposição a cerca de 143 empresas globais envolvidas na produção e desenvolvimento de energia limpa”. Como alternativa focada em tecnologia de distribuição, o “First Trust Smart Grid ETF (GRID) investe em aproximadamente 138 empresas envolvidas na modernização e automação da infraestrutura de rede de energia global”, diz a análise.Leia tambémPetrobras paga JCP hoje e fecha ciclo de R$ 41,2 bi; veja quem recebeEstatal repassa primeira parcela do pagamento que encerra distribuição referente ao exercício de 2025; Engie Brasil e Embraer também remuneram acionistasCombustíveis fósseisNo campo das grandes produtoras de petróleo, a Petrobras (PETR4) continua como uma das preferidas para a XP no espaço de Óleo e Gás, com a entrega robusta de caixa e emissão de carbono abaixo da média do setor. Já para o investidor focado em crescimento agressivo, “PRIO (PRIO3) é a nossa escolha principal dentro do nosso universo de cobertura de O&G”, de acordo com os analistas, de olho nos ganhos rápidos com a entrada em operação do campo de Wahoo e a consolidação de Peregrino.No varejo de combustíveis, “acreditamos que a dinâmica atual do mercado de distribuição de combustíveis favorece significativamente os fornecedores estruturais do mercado”, ressalta a XP Investimentos ao destacar a Vibra Energia (VBBR3) por sua eficiência e combate a fraudes. Quando se trata de gás natural, a XP enxerga os benefícios e desvantagens da Eneva (ENEV3), com lucros por comercializar o insumo em crises globais e ao trocar o diesel por gás natural liquefeito (GNL) em suas usinas.Em relação as ETFs, o mercado conta com duas opções principais para investir no setor internacional. O iShares Global Energy ETF (IXC) rastreia o S&P Global 1200 Energy Index, que traz uma exposição diversificada. Para focar exclusivamente em extração, o “SPDR S&P Oil & Gas E&P ETF (XOP) fornece exposição ponderada equivalentemente a aproximadamente 53 empresas de exploração e produção de óleo e gás dos EUA”, conclui a análise.The post Transição energética no radar: quais ações podem ganhar na Bolsa brasileira? appeared first on InfoMoney.
