Apesar do avanço da presença feminina no mercado financeiro, os fundos imobiliários ainda seguem concentrados entre investidores homens. Dados da B3 mostram que as mulheres representam atualmente cerca de 26% da base de investidores de FIIs, enquanto os homens concentram aproximadamente 74% do total de participantes do segmento.O dado chama atenção porque, embora sejam minoria em número de investidores, elas têm valor mediano investido superior ao dos homens. Em março de 2026, o estoque mediano aplicado por mulheres em fundos imobiliários era de aproximadamente R$ 5,3 mil, contra cerca de R$ 3,5 mil entre os homens.Na avaliação de Izabele Correia, analista de fundos imobiliários da Nord Investimentos, ainda existe uma percepção equivocada sobre a indústria de FIIs, frequentemente associada a investidores mais velhos ou pessoas que já possuem patrimônio elevado.“O problema não é o produto, é a narrativa em torno dele. Muitas mulheres ainda associam investimento à complexidade ou acreditam que precisam ter muito dinheiro para começar”, afirma a analista.Saiba mais: Aposentadoria com FIIs – investidores 60+ concentram 37% do patrimônio dos fundos“Investir também é sobre independência”, diz analistaSegundo Correia, a baixa participação feminina nos fundos imobiliários passa não apenas por educação financeira, mas também pela forma como o mercado historicamente se comunicou com as mulheres.“Durante muito tempo, o mercado financeiro se comunicou de forma muito técnica e distante da realidade feminina. Faltou mostrar que investir não é apenas sobre rentabilidade, mas também sobre independência e poder de escolha”, diz.A especialista relembra ainda um conselho que recebeu da mãe aos 23 anos e que, segundo ela, moldou sua visão sobre dinheiro e autonomia. “Minha mãe me dizia: Busque incansavelmente independência financeira e emocional, mas, se tiver que priorizar uma, priorize a financeira. É ela que te dá poder de escolha em vários âmbitos da vida”, conta.Para Correia, a relação das mulheres com o dinheiro costuma ser diferente da observada entre homens investidores, principalmente pela busca maior por estabilidade, segurança e reserva financeira. “A própria Anbima mostrou que muitas mulheres priorizam liquidez e segurança imediata, mesmo com menor rentabilidade. Isso conversa muito com a realidade financeira de várias brasileiras, que carregam maior preocupação com estabilidade, família e reserva de emergência.”Leia Mais: HSRE11, TRXF11, GARE11 puxam aporte estrangeiro em FIIs na B3Participação feminina passa pela própria indústria financeiraNa visão de Sharon Halpern, sócia e private banker da Blackbird Investimentos, a própria estrutura do mercado financeiro ainda afasta parte do público feminino.De acordo com Halpern, a falta de conhecimento financeiro acaba gerando receio em relação a produtos considerados mais sofisticados. “A falta de conhecimento gera medo. Medo do desconhecido, medo de perder dinheiro”, comenta.Ela acredita que o aumento da participação feminina passa também por mudanças dentro da própria indústria financeira, com maior presença de mulheres em cargos de liderança, eventos voltados ao público feminino e comunicação mais acessível.Leia Mais: Os novos rostos dos FIIs: menos CPF, mais CNPJ — e muitos passaportesFIIs aparecem como alternativa de longo prazoApesar da baixa participação feminina, Halpern avalia que os fundos imobiliários podem ocupar espaço relevante dentro de uma carteira voltada ao longo prazo e à geração de renda.“Os fundos imobiliários cabem bem para o longo prazo, principalmente para quem busca renda. Eu gosto mais da classe dos fundos imobiliários do que dos imóveis propriamente ditos”, diz.Ela ressalta, porém, que a construção patrimonial não deve ser baseada em ativos isolados, mas em uma carteira equilibrada e alinhada ao perfil de risco de cada investidora. “Sempre vai depender do perfil. Eu acredito muito mais em uma carteira bem estruturada pensando no todo”, afirma.Além dos FIIs, a executiva destaca que o atual cenário de juros elevados também mantém a renda fixa atrativa para investidores mais conservadores. “Hoje temos ótimas oportunidades nos títulos públicos. A renda fixa está pagando muito bem, principalmente aqui no Brasil, com a Selic mais alta por mais tempo.”Leia Mais: Liquidez dos FIIs cresce 49% e volume diário supera R$ 500 miThe post Por que as mulheres ainda são só 26% da base de investidores em FIIs? appeared first on InfoMoney.
